(Imagem - Tempestade - óleo sobre tela -Elisabete Maria Sombreireiro Palma)



Sexta-feira, 8 de Julho de 2016

Minha mãe mandou-me à Vila

 

 

Minha mãe mandou-me à Vila

José Augusto Simões

 

Minha mãe mandou-me à Vila,

Enganei-me no caminho,

Quando dei pelo engano,

Já estava em Moninho.

 

Quando eu ia a chegar

Havia festa e arraial.

Segui por outros caminhos.

Fiz encontro no Sobral.

 

Quando estava no Sobral,

Tudo mudou de feições,

Segui por um reles caminho,

Fiz paragem nos Covões.

 

Estando eu nos Covões,

Logo mudei as ideias,

Atravessei o rio Unhais,

Assim, cheguei às Aldeias.

 

À saída das Aldeias

Tomei outra direcção:

Caminhei mais uma hora,

Estava no Vale Serrão

 

Saindo do Vale Serrão

Vi que não tinha sapatos.

Caminhei mais dois quilómetros,

Assim cheguei aos Lobatos.

 

Quando saí dos Lobatos,

Avistei uma serra airosa,

Desci o Cabeço da Urra,

Estava na Pampilhosa.

 

Ao chegar à Pampilhosa,

Armado em papo-seco…

Em vez de seguir prà Póvoa

Fui parar a Pescanseco.

 

Pescanseco terra amiga,

Aí acabou a caminhada:

Comecei a andar à pressa,

A noite estava chegada.

 

Acordei, passou o sonho,

Estava tudo bem certinho:

Não fui a terra nenhuma!

Nem sequer fui a Moninho.

 

Lisboa, 16 de Julho de 2009

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Solicita-se a quem os copiou alterando o nome, não respeitando o texto ou omitindo o seu autor que os apague ou os reponha na fórmula original com os respectivos créditos. Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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VOLTEI!

(Rogério Martins Simões)

Venho dos limites do tempo)

De uma galáxia qualquer

Já fui mar, já fui vento

Agora sou pensamento

Aparado em dado momento

No ventre de uma Mulher!


Meu corpo é magistral!

Brutal! Perfeito! Soberbo!

De início não era verbo

Agora sou o verbo ser


Tenho comigo segredos

Segredos do universo

Transporto no corpo recados

Escrevo em forma de verso.


Venho dos limites do tempo

Não sei o que fui e sou:

Deserto? Nascente?

Já fui Norte, já fui Sul

Pó astral, mar azul!

Luar, estrela cadente.


Eu me vou!

Partirei num cometa qualquer

E serei novamente pôr-do-sol.

Cor-de-rosa, aloendro, malmequer!


Voltei...Já cá estou…


Agora sou pensamento

Nascido em dado momento

Do ventre de uma Mulher!


23-09-2004 18:39


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    Voltei a escrever e já não queria

    Pensava ter esquecido este meu versejar

    Ser poeta é criar e sofrer todo o dia

    Passar ao papel o que a alma encontrar.



    Este estado de alma que já não ousaria

    Que nos faz sofrer, para me encontrar,

    Deixa o meu corpo quando escrevo poesia,

    Nos poemas que ela cria, para me libertar.


    A ti que mais amo e sem querer

    Se fico triste e te faço sofrer

    Rosa eu te quero, rosas eu te dou.


    E se tu me vires distraído ou disperso

    Uma única coisa eu imploro e peço,

    Espera! A minha alma não regressou.


    Rogério Martins Simões