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Quarta-feira, 6 de Abril de 2005

Contraste nº 1

 

Ex-Votos (Nossa Senhora da Atalaia, Portugal)

 

 

1962 a 2008.

46 anos a escrever e a rasgar poesia

 

Já escrevi neste blog - comecei a escrever poesia na década de 60 do século passado. Um poeta só atinge a maturidade poética escrevendo - mesmo rasgando.

A poesia desse tempo, até ao ano de 1986, foi quase toda rasgada. Porém, ao longo destes anos ia-os distribuindo por colegas, familiares, amigos, e foram eles que me fizeram chegar os que desse tempo me atrevo a editar.

Católico praticante, dirigente Diocesano da JOC (Juventude Operária Católica), não podia deixar de olhar o que me era permitido ver e fingir não ver o que não queriam que visse. Daí que a poesia expressasse a falta de amor, a ausência de liberdade, a difícil vida dos trabalhadores, a injustiça social e a emigração, enfim, o sofrimento de um povo que via os seus filhos perecer, ou serem feridos, numa guerra desnecessária. (como desnecessárias são todas as guerras).

Os poemas desse tempo eram assinados com o pseudónimo de ROMASI. Por vezes arriscava mais na construção poética e na sorte…, outras vezes escrevia por metáforas, com palavras “encalhadas”... alguns compreenderão o que quero dizer.

A minha evolução como poeta fez de mim um crítico, da minha poesia, razão suficiente para ter evitado dar a conhecer alguns dos meus poemas, ou ensaios poéticos, em verso branco, muito embora já tenha colocado aqui poemas desse tempo – aqueles que considerava melhores.

Na passada 5º feira, em Queluz, dedicaram à minha nova poesia uma tertúlia poética e estive presente. Estranhamente, para mim, uma amiga levava um poema da minha primeira fase poética, que vai até 1974, e fez questão de me dizer que gostava desse poema. - TRAÇO, TRAÇO; TRAÇO; PONTO. Foi esta amiga que me fez repensar e tomar a iniciativa de os editar.

Voltei a ler esses poemas - e não é que vi que algumas desses temas voltam, infelizmente, a estar na ordem do dia…

Lisboa, 06-04-2008 22:20:35

Saudades,

ROMASI
Rogério Martins Simões

 

 


 

CONTRASTE

Romasi

 

Era imponente

e erguia-se majestoso

naquela verde colina.

 

Era miserável

e perdia-se na sombra

 do colossal palacete...

 

Havia fortuna,

luxos, aparatos,

grande riqueza.

 

Havia fome,

desgraça,

amarguras sem fim.

 

A chuva caiu.

Os canos a escoram

e os senhores

continuaram a dormir...

 

Mas a chuva não pára,

continuou a cair.

 

A lama escorregou!

A chuva passou

pela madeira podre

e a barraca inundou.

Foi a desgraça tudo levou

Somente por lá ficou

O local da barraca

E o grande palácio...

25/09/1968

 

- Menino cor de lama

Porque quem toca o sineiro?

-Foi a água que me atirou da cama

Pela encosta do ribeiro.

 

Rogério Martins Simões

20/07/2005

ano do poema: 1968
Notas: 1ª fase poética
publicado por poetaromasi às 22:59
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Comentários:
De coisasdecoracao a 7 de Abril de 2008 às 10:26
Olá, fiquei muito feliz de saber que as palavras tão simples que lhe deixei há uns dias, contribuiram de alguma maneira para lhe dar um pouco mais de ânimo para continuar a escrever coisas tão lindas, voltei a vir aqui espreitar e claro que outra vêz me deparei com poemas tocantes, até mesmo os da década de 60.
Saudações, e muito obrigado por estes poemas!

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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