Domingo, 22 de Junho de 2008
Verdadeiro

 

 

 

VERDADEIRO
Efigênia Coutinho

Se é verdadeiro e solene
o amor com que me desejas,
tornando-me a primeira entre
todas as mulheres, eu nada
mais desejo neste Mundo!...

Senhora de um afeto tão
profundo, certo suportarei
as horas duras e infindas,
ditosas e altiva até nas
amarguras impostas pelo tempo!

Balneário Camboriú
19 de Junho, 2008
 
 
 
 
A grande poetisa e minha amiga, Efigénia Coutinho, deixou aqui um poema intitulado “verdadeiro”, poema este dedicado ao ser amor. Como aprecio muito a sua poesia, fui atrás do seu poema e escrevi umas quantas palavras. – Palavras verdadeiras.
Desejo a todos que, pelo menos, sejam tão felizes como o sou com a minha companheira há quase 20 anos. É por isso que os poemas de amor lhe são dedicados. A Parkinson que se atravessou na minha vida não foi suficiente para quebrar o seu amor por mim, pelo contrário, graças ao seu amor vou resistindo fortalecido na esperança de um dia poder dizer: estou curado.
Para todos muita felicidade.
 
Verdadeiro
Rogério Martins Simões
 
As verdadeiras palavras,
não são apenas palavras,
Os verdadeiros gestos,
não são simples gestos.
 
A verdadeira razão das não palavras
Está na falta de emoção dos sentidos
No egoísmo dos sentimentos indefinidos
Finitos, escamoteados sem coração...
 
Não basta repetir sonoridades
Que estas minhas palavras não têm.
Não basta calar silêncios:
Nas inverdades
Nos acesos
Nos excessos
Nos desafectos.
 
O afastamento sem nexo
Sem palavras
Sem explicação:
Quebra
Machuca
Enlouquece
Derruba
Mata lentamente
 
Verdadeira é a palavra solidão!
Que ecoa nos confins dos silêncios:
É a falta de uma carícia
É a falta de uma ternura
É a falta de um afecto
É o abandono na desventura
É o peso das paredes que sufocam
 
Verdadeiro é o amor
Verdadeira é a amizade
Verdadeira é a dor
Verdadeira é a solidariedade
 
Verdadeiro é o abandono de nós
Em busca do outro, do não eu.
 
Lisboa, 22-06-2008 2:37:25

 



publicado por poetaromasi às 03:28
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comentários:
De Efigênia a 22 de Junho de 2008 às 05:12
Aqui estou, entre risos e lágrimas de emoção, em ver meus versinhos novamente editado em seu Blog, onde você vem me mostrar este sentimento de amor fraterno, essa solidariedade eterna de sua pessoa cristalina... Poemas de Amor e Dor, certamente é nossa Sina, que assassina a alma com amor e dor!
Deixo estes versos, que gosto muito, obrigada.

SONHOS
Efigênia Coutinho


Quando tiver um sonho, construa um altar:
um espetacular altar de rua
que lhe couber em sorte no ato de amar
ainda que imperfeito à luz da Lua!

Quando você sonhar, construa um caminho
de saibro ou granito, pouco importa!,
onde a Lua possível seja o linho
dum telhado com janelas e uma porta!

Não há sonho que dure eternamente,
perdemos um-a-um, sem grande esforço,
sorrimos à deriva pela mente
que nos atrai o pólo ou o seu dorso.

Somos fiéis ao amor pra nosso mérito
porque nele encontramos o que é feérico...

Camboriú,25-10-2003


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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Solicita-se a quem os copiou alterando o nome, não respeitando o texto ou omitindo o seu autor que os apague ou os reponha na fórmula original com os respectivos créditos. Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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Venho dos limites do tempo)

De uma galáxia qualquer

Já fui mar, já fui vento

Agora sou pensamento

Aparado em dado momento

No ventre de uma Mulher!


Meu corpo é magistral!

Brutal! Perfeito! Soberbo!

De início não era verbo

Agora sou o verbo ser


Tenho comigo segredos

Segredos do universo

Transporto no corpo recados

Escrevo em forma de verso.


Venho dos limites do tempo

Não sei o que fui e sou:

Deserto? Nascente?

Já fui Norte, já fui Sul

Pó astral, mar azul!

Luar, estrela cadente.


Eu me vou!

Partirei num cometa qualquer

E serei novamente pôr-do-sol.

Cor-de-rosa, aloendro, malmequer!


Voltei...Já cá estou…


Agora sou pensamento

Nascido em dado momento

Do ventre de uma Mulher!


23-09-2004 18:39


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    E JÁ NÃO QUERIA

    Voltei a escrever e já não queria

    Pensava ter esquecido este meu versejar

    Ser poeta é criar e sofrer todo o dia

    Passar ao papel o que a alma encontrar.



    Este estado de alma que já não ousaria

    Que nos faz sofrer, para me encontrar,

    Deixa o meu corpo quando escrevo poesia,

    Nos poemas que ela cria, para me libertar.


    A ti que mais amo e sem querer

    Se fico triste e te faço sofrer

    Rosa eu te quero, rosas eu te dou.


    E se tu me vires distraído ou disperso

    Uma única coisa eu imploro e peço,

    Espera! A minha alma não regressou.


    Rogério Martins Simões


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