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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

VIAGEM

 
 

 

 

(Óleo sobre tela do mestre

 

REAL BORDALO)

 

 

Em poucos minutos escrevo um poema
Pouco tempo para uma vida...
O que imortaliza um poema?
O tempo? ou a pena?
Tudo vos dei:
O tempo, a pena e a vida…
Valerá a pena
a VIAGEM
dizer adeus na despedida…
 
MECO, 13 de Agosto de 2008
ROMASi/Rogério

 

 

 

VIAGEM
Rogério Martins Simões
 
A maré está em maré baixa.
Para onde foi a água salgada
E o sal que me temperou?
 
Meu barco sulca pelas águas que ficam…
Porque ficam as águas que não partem?
Quando partem as águas que ficam?
 
A maré está calma…
As águas parecem quedar:
O barco desliza e faz ondas,
Nas águas calmas e mansas,
Sopra uma ligeira brisa
E o barco desliza…
 
Outro barco passa…
Já passou!
Por tempestades
Por dias de sol
 
Meu barco de contida graça
Semeia carneirinhos,
Branca espuma, no verde-mar.
 
Quantos marinheiros respiraram este ar?
Quantos pescadores lançaram redes?
Quantos mares acolheram estas águas?
Mágoas?
Meu barco abranda
Estava proibido de atracar
Nas palavras que pincelam
As cores deste náufrago
 
- O barco vai parar!,
Grito ao arrais!
 
Estou finalmente a chegar
Ao fim destas palavras
Olho as amarras
com que prendem o barco…
A maré continua vazia….
Há tanto lodo no cais!
 
(Diário de viagem, Seixal-Lisboa
13-08-2008 09:01:19
  
 

 

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página
ano do poema: HOJE 13 de Agosto de 2008
publicado por poetaromasi às 23:25
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Comentários:
De Ana Martins a 14 de Agosto de 2008 às 00:53
Lindo poema, com muito encanto.
Cumprimentos
De *Carla Ivana a 14 de Agosto de 2008 às 08:43
Olá Romasi, sou nova aqui no Sapo, e buscando por blogs com poesias, cheguei ao seu. Do pouco que li, adorei, parabéns!

Reparei que você também participa no site Recanto das Letras, como eu, depois passarei por lá.

Bjos e voltarei mais vezes! :)
De Paula Ferreira (esposa Carlos Ferreira) a 15 de Agosto de 2008 às 22:24
Rogerio gostei muito de ler os seus poemas.
As pinturas da bety sao lindas.
Um grande abraço, muitos beijinhos à bety. Continuem com a vossa veia artistica que o mundo ca fora espera para ver.

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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