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Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

O vento dispersava as marcas das sandálias

 

De SENHORA DA ATALAIA

 

 

 

O VENTO Dispersava AS MARCAS DAS SANDÁLIAS
Rogério Martins Simões
 
O tempo gasta as estradas…
Alisa os caminhos
Varre as pegadas
 
- A sua bênção - minha mãe!
 
Peguei na enxada e cavei um rego.
É tarde e tenho águas por deitar…
Atrelo ao meu olhar que avança,
As levadas do desassossego…
 
- Que magrinho está o nosso filho!
A candura perdura quando os visito!
- Não tremas!, ainda te vais curar!
 
Agarrei no pensamento
e consegui debutar nas bolhas da lembrança
(Não tenho artroses no pensamento)
Mas o poço secou lentamente
E os matos tomaram conta de mim…
 
Atrelei-me ao olhar
Recordei o sorriso traquina de criança
Retomei o trilho
e lá vou eu a caminho da horta distante…
 
 Os meus pezitos tocavam ao de leve nos caminhos,
Vinha o vento!,
E dispersava as marcas das sandálias.
 
 
O tempo varre as estradas,
Alisa os caminhos e apaga as pegadas…
Peguei na enxada e cavei um rego.
Tão tarde!, já não tenho as águas em sossego…
Ainda, assim, não perdi nas orvalhadas,
Que debutam nas bolhas da lembrança,
O cheiro da urze e do jasmim
E com palavras ditas assim
Retomam, em mim, um milho de esperança:
 
- Que lindo está hoje o nosso filho!
A candura perdura quando os visito!
- Não temas!, ainda te vais curar!
 
Recuperei o trilho e lá vou eu
A caminho da horta distante
Com a fé para reencontrar
Na sombra que avança
 Os meus pezitos que tocavam
Ao de leve nos caminhos da lembrança:
 
Quando o vento vinha
e dispersava as marcas das sandálias…
Lisboa, 07-11-2008 0:15:00
 
 

 

ano do poema: Hoje
publicado por poetaromasi às 00:33
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Comentários:
De AN7ONYO a 10 de Novembro de 2008 às 13:04
Muito bom blog! Gosto muito dos poemas, continua com o excelente trabalho!

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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