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Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008

É NATAL

 

Foto da autoria da world Press Photo Contest

 

 

É NATAL
(Francisco Simões)
 
É Natal,
Mas talvez nem todos saibam,
Talvez porque não caibam
No Natal.
 
Seu nome é José,
Ele não tem Maria
Já teve um dia
Hoje é só o Zé.
O Zé lá da praça
Que fala sozinho
Ou fala com os anjos,
Que fala baixinho
E sorri pra menina
Um anjo que passa
Que não fala com o Zé.
Ninguém sabe quem é,
As flores, o vento,
Os grãos de areia
Entendem José.
Os pássaros também.
A praça limita seus passos
Mas não seus pensamentos.
Sua mente alceia, alceia,
E passeia muito além.
Ninguém conhece o José,
José não conhece Belém.
A árvore de Natal na praça
Para José não passa
De uma alegria iluminada
Que pisca e pisca pra ele,
Que pisca e pisca, mais nada.
 
Seu nome é Maria
Da porta da igreja,
Está ali todo dia,
Talvez só Deus a veja.
A igreja é de Deus.
Ela ouviu a história
Dos bondosos Reis Magos.
Eles passam pra lá,
Eles passam pra cá,
Sem mirra, incenso ou ouro.
Para ela são Reis Magos
Que não lhe dão afagos,
Que não lhe dão presentes.
Nada ouvem por mais que peça
Pois, toda aquela gente
Leva nos pés muita pressa.
Sem pressa tocam os sinos
O seu anúncio etéreo:
“Nasceu o Deus-Menino”.
 
 
Plantam-se ceias nas mesas,
Ouvem-se coros, orquestras,
Mas Maria não tem mesa,
Maria nem tem janela
Só tem a porta da igreja
E uma natalina certeza
De que a noite que agora boceja
Vai dormir sem lhe trazer festa.
 
Seu nome é Jesus,
Jesus, menino, 10 anos.
Ele não tem segredos
Apenas certezas miúdas
E muitas mágoas graúdas
Que esmagam a criança
E constroem sua cruz.
A boca gelada de silêncio,
Silêncio que grita mais alto
Que a voz das passeatas,
Que esconde o seu medo.
Escolaridade: mendicância.
Ele povoa a cidade
Entre tantos Jesus,
Entre tantos contrários,
Sem mangedoura, sem berçário,
Carregando sua fragilidade
Sem cobrar o que a vida
Há muito lhe deve: a infância.
Jesus, 10 anos, menino,
Por ele passam os sonhos
De tantos que levam planos
Na cabeça, nos passos,
No olhar, no sobressalto.
Nas mãos de Jesus uma lata
Onde cabe o seu espaço,
Onde fecha o seu destino.
 
É Natal
Mas eles não sabem,
Talvez porque não cabem
No nosso Feliz Natal.
 
Autor: FRANCISCO SIMÕES
Em: Dezembro / 1998
 
(Esta poesia ganhou o prêmio de Melhor Crítica Social na 4ª e na 6ª edições do Concurso “Expressão da Alma”, no Rio de Janeiro, além de diversos outros prêmios importantes em vários concursos literários)

 



 

 

World Press Photo Contest 2004

 

 

 

MENSAGEM DE NATAL
Rogério Simões
(A minha mensagem de Natal deste ano foi retirada de um e-mail que remeti ao amigo e poeta Francisco Simões. Aproveito para agradecer a sua autorização para editar o seu extraordinário e premiado poema “É NATAL”)
 
Natal é, para mim, um tempo em que se recorda o nascimento de um Menino a quem chamaram de Jesus e, segundo rezam as notícias que chegaram até nós, Cristo terá nascido humildemente num palheiro.
Existe uma hipocrisia instalada, do tipo caridadezinha, que renasce em cada ano, exultando sentimentos fortuitos, não sinceros, como se nesses dias se resolvesse ou aligeirassem os sofrimentos de um ano inteiro.
A sociedade em que vivemos é egoísta, carregada de "gente não presta", que guerreia o ano inteiro para no Natal dar a parecer o contrário.
A sociedade aproveita-se dos sentimentos verdadeiros, daqueles que efectivamente são solidários, e generaliza empacotando presentes adquiridos em lojas de chineses ou nas "lojas dos trezentos". Efectivamente, transformaram a quadra natalícia num grande centro comercial onde se empacota a "banha da cobra" com um único objectivo: a sobrevivência de um certo capitalismo que não olha a meios para atingir fins.
Afinal, transformaram a quadra natalícia num enorme repasto de gula enquanto os sobreviventes da desgraça matam a fome nos restos, disputando-os com os ratos, dos caixotes de lixo.
A noite parece calar a desgraça! As organizações sociais não chegam nem dispõem de meios para acudirem a tudo. O próprio estado que deveria assumir e retirar das ruas os abandonados, os doentes, os sem-abrigo, não cumpre minimamente o seu papel.
Amigo Francisco Simões, amigos e/ou leitores deste meu livro de poesia, detesto a caridadezinha! Todo o ser humano tem direitos que a própria sociedade lhe nega.
A anunciada crise não é só uma crise monetária. A verdadeira crise é uma crise de valores, de educação, de civismo, de justiça, de equidade. Lamentavelmente nada muda para melhor.
Não vou continuar este despertar que me entristece.
Que o futuro transforme e crie um novo sentido de humanidade.
Desejo a todos vós e às vossas famílias um Santo Natal.
Sempre
Rogério Martins Simões
 


 

 Casa construída pelo bisavô do poeta - Francisco Maria Simões. Foi ele quem construiu, durante 13 anos, a grande e bonita Quinta da família em Salreu, a 16 kms de Aveiro.

 

 

FRANCISCO SIMÕES NA PRIMEIRA PESSOA
 
Eu nasci em Belém do Pará, bem ao norte do Brasil. Sou filho de pai português e mãe brasileira. Daí para trás todos os meus ascendentes são portugueses.
Desde criança sempre tive uma paixão muito forte pelo rádio, o que carrego comigo até hoje. O amor pela escrita e pela leitura surgiram ali pelos 10 anos, incentivado por meu pai.
Aos 17 anos eu já trabalhava no rádio paraense (Marajoara e Rádio Clube do Pará) por concurso. Fui locutor, produtor de programas e escritor de crónicas diárias.
Durante cerca de 20 anos pertenci ao quadro da ABAF – Assoc. Brasileira de Arte Fotográfica (Rio). Naquele período ganhei mais de 1000 premiações nos salões mensais e anuais da ABAF. Destaco “Prova do Mês” e “Prova do Ano”que venci em várias oportunidades.
 Durante o auge da bitola super-8 produzi vários filmes de curta-metragem durante o regime autoritário. Participei de muitos eventos do gênero pelo Brasil, principalmente os realizados em Universidades e Centros de Treinamento Profissional como o CEFET de Curitiba, por exemplo. Logrei ganhar vários prémios de destaque naqueles Festivais e Mostras com filmes basicamente apresentando crítica social e política. Algumas vezes tive problemas, mesmo sendo um trabalho amador, com a Censura da época.
Trabalhei por 30 anos no Banco do Brasil onde fui não só bancário mas também professor, coordenador e programador de cursos, chefe de um grupo que produzia módulos audiovisuais para palestras e aulas, Assessor no Gabinete da Presidência da PREVI do BB entre 1982 e 1986, quando me aposentei.
Após a aposentadoria parti para exposições de minhas “Fotografias Artesanais” a um público maior que o da ABAF onde convivera com grandes mestres por 20 anos. Realço as seguintes Exposições: 
“Na Sala de Arte do Jardim Botânico (RIO); no Espaço Cultural do Planetário (RIO); no Salão de Arte da AABB-Lagoa (RIO); no CHARITAS, em Cabo Frio (RJ), uma individual mais duas no Espaço Cultural de lá em exposições colectivas de ARTE VERÃO e mais recentemente na Biblioteca Municipal Walter Nogueira com 20 fotos e 20 poesias; no transatlântico “Eugênio-C”, em viagem para a Europa, no Salão Âmbar e no Corredor de Arte daquele navio; na APAF-Assoc. Portuguesa de Arte Fotográfica, em Lisboa, Portugal; no Espaço Cultural da Prefeitura de Teresópolis (RJ); na Galeria de Arte da artista plástica Lenita Holtz, em Teresópolis, etc.
No dia 11.novº.2000 a Câmara de Vereadores de Cabo Frio (RJ) concedeu-me o título de “Cidadão Cabofriense” pela divulgação graciosa que faço há anos daquela cidade que tanto amo através de vídeos amadores mas com toque de profissionalismo em sua produção bem como através de “Fotografias Artesanais”e exposições em Cabo Frio e fora dela.
Em Abril / 2004, o grupo liderado pelo Lord Marcelo Fortuna of Lancaster e Richard Price, de Londres, concedeu-me o ambicionado prêmio "Lancaster House Award". Até aquele mês apenas 5 personalidades, no campo da literatura, actividades artísticas e culturais, entre outras, haviam logrado ter a honra de o receber.
Em 1994 voltei a escrever poesias o que parara de fazer há muito tempo. Desde Dezembro/1999 participei de inúmeros concursos literários e logrei receber algumas boas premiações. A partir de 2003, entretanto, reduzi bastante minha participação nesses concursos. Retornei à prosa, pelas córnicas, desde Janeiro/2001, já com 64 anos de idade. Escrevo no coojornal da Revista Virtual RIO TOTAL e sou também colunista fixo do site SINAL, do Sindicato dos Funcionários do BACEN. Colaborei também com o site NAVE DA PALAVRA  que deixou de ser actualizado há alguns anos. Mais recentemente  participo do GRUPO ECOS DA POESIA, do poeta português Victor Jerónimo e sua esposa, e do site CONEXÃO MARINGÁ, de Valéria Eik,  nos quais exponho crónicas, poesias e fotos. Tenho um espaço em Londres-Inglaterra, “O Cantinho do Francisco”: integrante do Cantinho do Poeta, de Marc Fortuna e Richard Price, hoje desactualizado.
Meu site pessoal é este em que você se encontra:=> FRANCISCO SIMÕES
 


 

publicado por poetaromasi às 23:17
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Comentários:
De AnaMar a 23 de Dezembro de 2008 às 12:26
Boas Festas.
Mas este natal sinto-me assim:
http://mundodasaventuras.blogspot.com/

Beijo
De poetaromasi a 23 de Dezembro de 2008 às 19:28
ANA MAR
Nasci numa casa pobre, no seio de uma família humilde, onde esperávamos todos os anos pelo presente do nosso “tio rico” que ia entregar 500 escudos à sua sobrinha, minha mãe, e com esse dinheiro limpava as contas na mercearia e era cá uma festa.

Desde muito cedo que descobri palavras como honestidade, solidariedade, amor, trabalho, pobreza e sentimentos nobres. Desde muito cedo fazia esperas ao menino Jesus, nunca ao pai natal que não conhecia de lado nenhum.

Como estava a contar, do remanescente dos 500 escudos e mais uns tostões amealhados por meus pais, minha mãe fazia um milagre qualquer e transformava a farinha e os ovos em filhoses e sonhos doces com que se adoçavam as bocas no Natal. Quem viesse por bem tinha sempre, até aos Reis, um sonho qualquer para provar.
Sabes! Os sonhos por mais duros que sejam quando se provam sabem a mel!

Nas vésperas do dia de Natal era uma festa e foi aí que aprendi a petiscar e a cozinhar. Depois, em noite de Natal, colocava as sandálias gastas ou as botinhas rotas na chaminé sempre na esperança que o Menino se lembrasse de nós.
Pela manhã era uma algazarra e tinha sempre lá umas meias: que falta nos faziam, e um ou outro carrito que o Menino Jesus da minha madrinha colocava pela noite ao lado dos sapatinhos. A trotineta nunca chegou, mas nem por isso deixei de ser feliz.

Continuando, não só de doces era o nosso Natal. O bacalhau era nesse tempo – anos 50 do século passado – era a comida dos pobres. Então, no Natal, sabia melhor petiscar o bom bucho que nos remetia a nossa tia lá na Póvoa e uma bela galinha do campo.

Este Natal está um pouco como tu te sentes. A poesia deixou-me, e sem poesia fico mais triste. Resta-me a minha doce Elisabete que não pára na azáfama para preparar uma consoada onde não vão faltar os sonhos doces. Prendas acabaram de vez! AH! A única diferença está nos sonhos: A Bete cozinha-os à boa maneira alentejana e minha mãe fazia-os à minha maneira Beirã.

Dado que te conheço pessoalmente ofereço-te sonhos doces.

Feliz Natal!
Rogério Martins Simões
De Serena a 23 de Dezembro de 2008 às 13:35
Invente seu Natal!
Faça algo diferente!
Faça o melhor que puder com aquilo que tiver!
Enfeite-se, alegre-se.
Se não tem dinheiro, encha seu coração de amor! Seja a própria árvore com bolinhas coloridas e muito riso!
O calor que emana do seu abraço dinheiro nenhum no mundo
poderia comprar.
Dê um abraço, um sorriso, um te gosto, um te amo. Seja você o presente!
Um Natal de muita paz e luz pra você meu querido! Bjs.
De poetaromasi a 28 de Dezembro de 2008 às 23:03
Obrigado pela visita e pela mensagem positiva.
Rogério
De soumaiseu a 23 de Dezembro de 2008 às 13:40
Olá, Rogério! Uma outra visão do Natal, mais cinzenta mas nem por isso menos importante. Para que não nos esqueçamos que nesta quadra tão cheia de luzinhas e presentes, há muita gente sem nada... e muita com demasiada indiferença... Feliz Natal. São
De poetaromasi a 23 de Dezembro de 2008 às 18:32
São, boa noite.

Este será o verdadeiro retrato de milhões, muitos milhões de seres humanos. Infelizmente muitos poetas deixaram de escrever o que vêm, ou não querem ver.
Felizmente que o poeta Francisco Simões não se quedou com as aparências, não se acomodou em versos bonitos, onde se repetem as odes às estrelas. O poema é para mim de arrepiar e ao mesmo tempo muito belo.
São, que estrela maior que todos aqueles que todos os dias são ignorados, esquecidos? Quantos, apesar de não estarem na praça ou à porta de uma igreja a pedir, vivem na maior miséria envergonhada. Quantos sobrevivem entre quatro paredes da solidão.

São, é Natal! Cada qual siga a sua estrela:
A que se alcança na árvore ou no espaço que luz
Ou as estrelas que deixamos todos os dias apagar - por não as querermos de facto ver.

São! É Natal! FELIZ NATAL PARA TODOS OS SERES DO MUNDO, SEM RAÇA OU CREDO. POBRES OU RICOS
Beijos deste teu amigo
Rogério Martins Simões

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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