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Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

EM SONHO ME DEPENDUREI NO LUAR

 

(Óleo sobre tela

Elisabete Sombreireiro Palma)

 

 

 

 
Poucas pessoas, à excepção daquelas que verdadeiramente sofrem connosco, se apercebem da verdadeira gravidade da minha doença de Parkinson.
Gestos comuns, instintivos e rotineiros, deixam de estar ao alcance dos doentes de Parkinson. Fazer a higiene matinal que demorava 10 minutos passou a demorar mais de uma hora. Um simples apertar de um botão da camisa; um ajeitar do nó da gravata ou apertar o cinto leva muitas das vezes ao desespero.
Pouco a pouco vamos perdendo a qualidade de vida. Perde-se a dicção, perde-se o movimento do rosto – chora-se o sorriso – e até a agilidade se perde quando nos queremos virar no nosso leito.
Depois sentimos culpa por já não sermos úteis, por já não ajudar nas lides caseiras, como sempre o fiz desde os meus 7 anos de idade.
O ano de 2008, que tento esquecer, foi o ano em que os desaforos da ingratidão nos foram chegando em catadupas, entristecendo e seriamente comprometendo a minha esperança.
Quem não é corrupto, e sendo um trabalhador por conta de outrem, não consegue fazer fortuna.
A dependência humilha a menos que haja alguém que não cobre…
Em 2008 nem o nosso cão nos sobrou!
Depois chega a interrogação: que seria de mim sem o carinho e o amor dos meus idosos e queridos pais, Isabel Martins de Assunção e José Augusto Simões
Que será de mim sem a minha doce e solidária companheira Elisabete Sombreireiro Palma.
Falar de Elisabete Palma é falar de doação. Elisabete Palma reúne, numa só pessoa, todas as qualidades que sempre sonhei encontrar e encontrei numa companheira.
Por serem já tão raras essas virtudes é para ti o soneto que escrevi este ano e que te ofereço com tanto amor.
Rogério Martins Simões

 


 

 
EM SONHO ME DEPENDUREI NO LUAR
Rogério Martins Simões
 
 
Em sonho me dependurei no luar.
O luar quis acordar os nossos cios.
Ali estavas, desnudada no meu olhar,
Encandeando meus olhos luzidios.
 
Os sonhos soçobram ao acordar…
O luar distende o sonho em atavios.
Ai!, sereia espraiada no meu mar
Esperando as águas dos meus rios…
 
Luar!, tapa-me os olhos e os dias:
Antes cego, que acordar e não ter,
Do que ver, e não ter o que vias….
 
Prendo, no sono, o sonho para te ver
Fico cego se em mim não te sentir
Fios de seda - não te deixem partir!
 
Lisboa, 05-01-2009 20:49:30
 
 
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publicado por poetaromasi às 02:27
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Comentários:
De Azoriana a 13 de Janeiro de 2009 às 10:06
Feliz da esposa que recebe um soneto lindo como este.
Bem-haja a esposa que trata tão bem o esposo.
É triste a decadência do ser mas creia que terá a recompensa de todo o sofrimento. Eu já vi um sofrimento assim, ou pior, em familiar próximo e sei o quanto é doloroso.
Creia que Deus lhe deu já um conforto: a poesia. Continue a deliciar-nos com ela.
Abraço
De Peter a 13 de Janeiro de 2009 às 16:30
um abraço com votos de bom ano. temos que caminhar sempre até ao fim que ninguém sabe quando o tem.Não pensar, quando se consegue fazê-lo, é um alivio. Calma e coragem, outro. Ao fim e ao cabo, não se pode viver senão com aquilo que temos, ainda que custe aceitar.
O soneto é bonito , reflete muita coisa num estado emocional muito grande. Ciao.
De Helder Fráguas a 14 de Janeiro de 2009 às 16:24
Fico cego se não te sentir... bem verdade
De Anónimo a 22 de Maio de 2009 às 22:53
ola boa noite...lamento que tenha no meu blog um poema seu ...mas todos os poemas que estao publicados no meu blog foram -me dedicados e eu decidi abrir um blog ...por os axar tao lindos...lamento que tenha acontecido esta situaçao. ja apaguei o texto ,,,mas foi bom porque assim fiquei a conheçer o seu blog que axei maravilhoso...mais uma vez lamento que tenha sido desta maneira ...um abraço

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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