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Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

A morte anunciada do Martinho da Arcada

 

 

A MORTE ANUNCIADA DO MARTINHO DA ARCADA
 
"O Martinho da Arcada resistiu a muitas crises. Viveu a Monarquia, a República, o Estado Novo, o 25 de Abril...", sublinhou Luís Machado, acrescentando que só não está a conseguir resistir aos escapes dos veículos - cerca de centena e meia de autocarros da Carris por hora nos períodos de ponta - que entopem as narinas e os ouvidos, desde que a Câmara de Lisboa introduziu alterações na circulação rodoviária da Baixa, levando todo o transporte público para a Rua do Arsenal.
Não sendo o remédio milagroso para a crise, admite que as tertúlias poderão chamar a atenção da opinião pública para o problema que afecta aquele café histórico. António Sousa, proprietário do Martinho da Arcada, reafirmou ontem, em conferência de imprensa, a intenção de fechar portas em Dezembro, caso as "aberrantes alterações" de trânsito se mantenham na Baixa.
O proprietário do café que já conta com 227 anos garante que o negócio sofreu uma quebra de 40 a 50%, desde o início do ano.
Fonte Jornal Notícias de 30/7/2009
 
 

 
 

 

 

 

A resposta da Sociedade Civil
 
Por iniciativa de Fernando Machado e para evitar o encerramento daquele café, o preferido de Fernando Pessoa, foi programado para aquele espaço um ciclo de reflexões, Tertúlias, que, pela dimensão das personalidades convidadas, poderiam ser um importante contributo para a dinamização do Café Martinho da Arcada.
Este ciclo (que decorrerá até Novembro) teve a participação de Eduardo Lourenço (30 de Setembro), Manoel de Oliveira (8 de Outubro), Carlos do Carmo, (5 de Novembro) e no próximo dia 19 de Novembro de Ruy de Carvalho.

 

 

 

 

 

O meu testemunho
 
O café restaurante Martinho da Arcada corre o risco de encerrar. Trata-se tão só do mais antigo café da cidade de Lisboa.
Como sabem foi aqui que o nosso tão querido e amado poeta, Fernando Pessoa, escreveu parte da sua poesia.
 
Há cerca de um mês, quando passava pela Praça do Comércio, entrei no Martinho da Arcada para tomar o meu comprimido para a Parkinson. Em plena hora “de ponta” o café não tinha clientes. Lá fora, uns quantos turistas, de livro na mão, respiravam o gás emanado dos transportes públicos, das viaturas dos Ministérios e das camionetas de turismo.
 
Pedi uma água e não resisti ao delicioso pastel de nata tão tradicional daquela casa. Olhei para o lado esquerdo do balcão, como que na esperança de lá encontrar saudades do meu poeta preferido, e nem a mesa onde Fernando Pessoa escrevia encontrei.
Terminado aquele repasto ligeiro, deparei com um cartaz onde se anunciavam tertúlias.
 
Procurei saber se ainda existiam dois lugares para a Tertúlia do Carlos do Carmo e eis que me encontro com o senhor António, proprietário do restaurante, que muito amavelmente tomou apontamento no seu livro de reservas e me levou a visitar o restaurante.
Lá estava, num local recatado mas diferente, a mesa do Poeta.
 
Estava triste o senhor António! Afinal estava mesmo decidido a encerrar as portas do Café Restaurante “Martinho da Arcada”. Entretanto chegavam mais turistas, com o livro na mão, para visitarem o café onde o grande génio da poesia do Mundo escreveu poemas. E lá foi o senhor António mostrar a mesa onde o poeta escrevia e bebia o seu café. Por fim, o ofereceu-nos postais com fotografias e poemas do poeta.

Como é enorme Pessoa.

 

 

 

 

A tertúlia com Carlos do Carmo
 
No dia 5 de Novembro chegámos cedo. A praça do Comércio àquela hora, 19 horas, já “metia medo”.
-Rogério - nem um polícia se vê na rua. Dizia a minha querida companheira enquanto já se preocupava com o gemido desesperado de um gato, preso por uma corda, companheiro endiabrado de dois indigentes.
Procurei o senhor António. Não estava. Em seu lugar estava o seu filho. O seu pai encontrava-se doente - Pneumonia.
 
Não irei ser exaustivo em relatar o que por lá se passou.
O jantar foi de excelente qualidade
Carlos do Carmo deliciou-nos com palavras do coração: falou de fado, de poetas, de fadistas, de guitarristas, de liberdade. Recordou o seu bairro e as escolas onde estudou - a sua vida.
Fiquei feliz por ali encontrar IVAN LINS e JÚLIO POMAR, entre outros, solidários contra o encerramento daquele espaço.
Para concluir deixo aqui algumas fotos daquele evento.
 

 

 

Júlio Pomar

 

 

 

 

 

 

 

 

Ivan Lins

 

 

Passava já da meia-noite quando esta tertúlia terminou. Carlos do Carmo brindou a assistência com uma bonita canção cantada à “capela”.
 
De volta a casa fui pensando, voltei a procurar os motivos para o encerramento do Martinho da Arcadas. Afinal estiveram, naquela noite, diante dos meus olhos as razões do Senhor António:
A pouca rentabilidade devido às sucessivas obras na Praça do Comércio;
A desertificação da Baixa à noite e aos fins-de-semana;
A enorme quantidade de deserdados da sorte que se resguardam do frio nas velhas arcadas da Praça do Comércio; O cheiro nauseabundo, pestilento, das latrinas, noite dentro, a céu aberto;
A insegurança, o medo de ser assaltado;
A pouca luz daquele local;
O trânsito permanente a roçar o Café Restaurante.
 
Voltei a recordar o senhor António e o momento em que nessa noite solicitei reserva para a Tertúlia do ENCERRAMENTO DO MARTINHO DA ARCADA.
O filho do senhor António estava triste.
Não me inscrevi. Afinal, o senhor António estava doente.
 
Senhor António:
Desejo-lhe do fundo do coração que recupere rapidamente, mas, desde já, formulo um pedido ao outro António, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa.
- António Costa,
Por favor, NÃO DEIXE ENCERRAR O MARTINHO DA ARCADA
 
Deixo o contacto do Café com a seguinte sugestão: organizem tertúlias no Martinho da Arcada, ou esgotem os belíssimos pastéis de nata. Por favor não deixem encerrar o Martinho da Arcada.
 
MARTINHO DA ARCADA – Praça do Comércio, 3 – 1100-148 Lisboa – Portugal
Telefone: 218879259 e 218866213
Fax: 218867757
E-mail martinhodaarcada@sapo.pt
 
 
 

 

 

 

publicado por poetaromasi às 21:37
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Comentários:
De carlos cardoso luis a 18 de Novembro de 2010 às 22:21
Boa noite
O meu nome é Carlos Cardoso Luis. Li com atenção o que foi escrito sobre o Martinho da Arcada.
Hoje à tarde tomei parte numa pequena tertúlia de Poesia no Martinho da Arcada e decidi lanchar. Enquanto esperava conversei com o Sr. António de Sousa, uma simpatia, que comentou comigo um bom bocado sobre vários temas relacionados com as actividades no seu café e algumas boas recordações de figuras importantes que por ali passaram. Entretanto eu tinha escrito este poema que lhe li:

LANCHE NO MARTINHO
Perguntei pelo Pessoa,
E ninguém me disse nada.
Vi a mesa vazia,
O lugar,os livros, a chávena,
No Martinho da Arcada.
Uma figura querida,
Polémica em demasia.
Cantava os caminhos da vida,
Um vulcão de Poesia.
Abro teus livros e sonho,
Que não queria mais nada,
Sómente ser teu parceiro,
No Martinho da Arcada.
Carlos Cardoso Luís
De pauka a 27 de Novembro de 2013 às 18:31
ADOREI sempre e sempre e para sempre GRANDE FERNANDO PESSOA como me orgulho de ser portuguesa nestas alturas e ter o privilegio de "pertencer" a este Fabuloso Grandioso( em todos os sentidos) poeta que é nosso do nossa lisboa do nosso portugal
Sómente ser teu parceiro,
No Martinho da Arcada.
Carlos Cardoso Luís
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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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