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Quarta-feira, 30 de Agosto de 2006

Derradeira oração

 

 

 

 

A derradeira oração marca uma época da minha vida.

A guerra colonial estava a marcar profundamente a minha juventude e as cicatrizes nos corpos das vítimas inocentes enlutavam as famílias.

Católico praticante, militante na Juventude Operária Católica, não concebia, devido aos ensinamentos e à minha consciência, ter de pegar numa arma para matar. Daí as contradições. Por um lado o ensinamento Cristão - não matar; por outro lado era-se obrigado a pegar em armas para salvar a pele.

 



 

DERRADEIRA ORAÇÃO

Romasi

 

Senhor meu Deus,

para aqui ando a combater

nesta horrível e tremenda guerra

e que tenho de matar

para salvar a minha terra,

perdoa-me!

Antes não quero viver

que ser vil assassino.

Como tantos demais…

que mataram nossos pais,

e nos querem matar a nós.

Levai-me,

Dai-me a morte

Levai-me para junto de vós.

 

No meu capacete de aço já furado,

Com sangue derramado,

outra bala bate com furor.

Se mais abaixo fosse

já não existiria

e tudo acabaria.

Mas que contas Vos haveria de dar

Que fizera eu para este mundo salvar

Se me tinha acobardado?

 

Nada!

Antes quero morrer

A ver alguém perecer

Com uma praga na boca

Por eu o assassinar.

 

De novo outra bala me bate.

No peito uma mancha de sangue.

Caiu no chão!

Estou exangue!

Minha vida já findou!

Tudo está acabado!

Já não sinto o coração.

Já nem posso rezar

a minha última oração.

22/08/1968

Poemas de amor e dor conteúdo da página
ano do poema: 1998
publicado por poetaromasi às 22:18
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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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