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Terça-feira, 22 de Agosto de 2006

ROGÉRIO é o meu nome

 

Rogério é meu nome

 

Há na vida momentos para tudo.

Ao longo da nossa vida tivemos momentos “tábua rasa”, abrimos os olhos e começámos lentamente a descortinar umas formas, talvez o peito do nosso crescimento e juntamente com um sorriso - o canto da nossa mãe.

Depois fomos olhando, reparando sem ver, os que estavam perto: algumas sombras mal definidas - a família - e, enquanto estávamos no berço, contemplávamos o que nos rodeava - as nossas mãos, os nossos pés, os cobertores, o compartimento do berço, as paredes, o tecto do quarto...e despertávamos, desta aparente letargia, nas vozes doces que, pouco a pouco, apreendemos a descortinar.

Foi aí que reparámos que se repetiam, muitas vezes, uns quantos vocábulos quando se aproximavam de nós. E, de tanto escutar palavras ditas com ternura, começámos a responder instintivamente ao chamamento.

Rogério é meu nome!

Tal como aprendi o meu nome, sem ter a consciência de que o estava a interiorizar, aprendi muita coisa nesse tempo em que tinha todo o tempo do mundo...

Nessa época, os meus pais, mesmo sem vagar, porque as suas vidas por vezes eram duras, tinham todo o tempo para mim. E os avós, quem os tinha, ensinavam aos meninos os contos mágicos, inscritos no livro do pensamento, que lhes tinham sido transmitidos oralmente pelos seus antepassados.

Há sempre tempo para tudo, digo eu, e na luz irradiante da família aprendi a amar e a ser amado; aprendi a respeitar e a ser respeitado; aprendi a ser feliz e a fazer felizes os outros; aprendi a acatar e a escutar os mais velhos; aprendi a dar valor às pequenas coisas, e, como os meus pais davam tudo o que podiam, aos seus parentes, aprendi a ser solidário.

Depois, ainda havia a minha madrinha.

Eu tive madrinha! Era a irmã mais velha de meu pai, a Nazaré, que trabalhava nos Hospitais Civis de Lisboa, no Hospital de Arroios, e como ela descobri que havia seres humanos que sofriam.

Mas, como era menino, corria pelos claustros do hospital e brincava com os meninos doentes às escondidas.

Foi aí que constatei que a minha madrinha era uma santa, pois consagrou toda a sua vida aos doentes.

Eu tive a felicidade de ter madrinha, e como madrinha substitui os pais, levava-me a visitar os acamados a quem emprestava o único rádio que tinha para lhes aliviar a dor.

Era assim: dava-me rebuçados (ficava todo lambuzado); aturava-me enquanto meus pais iam trabalhar e ensinava-me que até a dor pode ser aliviada escutando um belo fado da Amália...

 

(Parte ll)

“R” mais “o” é RO; “g” mais “é” GÉ; “r” mais “i” é RI mais “o” com o faz ROGÉRIO, assim me ensinava a escrever o meu a minha professora, a Dona Susana, da “Escola Republicana de Fernão Botto Machado”.

Gosto do meu nome embora seja invulgar. Aprendi que dava jeito, pois, quando era chamado a exame, éramos ordenados por ordem alfabética e sempre tinha mais algum tempo para estudar. Tinha os seus inconvenientes: estava sempre no fim da lista e em algumas situações, de tanto esperar, desesperava e aproveitava para roer as unhas...

Há sempre tempo para tudo - digo eu.

Existiu um tempo para ser desejado sem dar por isso; um tempo para ser amado sem dar por isso e, quando dei por isso, reparei que tive e ainda tenho, felizmente, todo o amor e carinho dos meus pais.

Vou parar por aqui esta minha meditação. A minha ascendência é significativamente a razão da minha conduta, da minha decência, da minha consciência.

Tive e todos nós tivemos tempo para tudo.

Errei, levantei-me. Escutei sempre o coração, empenhei sempre a alma controlada pela minha consciência. Voltei a errar e voltei a erguer-me aprendendo sempre com os meus erros.

Reconheço os disparates que fiz (todos os fazemos) ao longo das nossas curtas vidas.

Mas a minha glória está em reconhecer os meus defeitos, combater os meus erros, sublimando as minhas atitudes de comportamento que não se reviam ou revêem na herança do meu sangue ou e na educação que recebi dos meus pais.

Sou um humilde poeta! Nunca serei um homem pequeno...

Rogério Simões

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página
ano do poema: texto
publicado por poetaromasi às 14:03
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Comentários:
De Marilia Bechara a 10 de Novembro de 2008 às 22:30
18 data: 2006-08-17 19:17:24
Marilia Bechara ( margreg@tera.com.br / http://mariliadesaltoalto.blogger.com.br) escreveu:

Oi Rogério! Não sei se você se lembra de mim, pois pois!Gostaria de ter notícias suas!À pegunta: "Ou será que terá VIDA quem nesta vida sofreu?", responderia que quem passou pela vida sem mágoas, dores,dificuldades, "passou pela vida não viveu". Como crescer sem sofrimento? Infelizmente o caminho é de pedras! Um grande e afetuoso abraço,
Marília.
De Alexandra a 10 de Novembro de 2008 às 22:32
19 data: 2006-08-19 00:56:34
Alexandra ( sem email / sem homepage) escreveu:

Olá Rogério!
Estou a gostar de viajar pelos seus poemas.
Deixo aqui um, de Pablo Neruda, que me tem inspirado a viver um dia de cada vez, agradecendo todas as noites o dia que vivi e todas as manhãs ao acordar por ter o privilégio de mais um poder viver, junto de quem amo!

ODE À VIDA


Toda a noite,
como um machado
me golpeou a dor,
mas o sono
passou lavando como uma água escura
pedras ensanguentadas.
Hoje de novo estou vivo.
De novo
te levanto,
vida,
sobre os meus ombros.

Oh vida,
taça clara,
de repente
enches-te
de água suja,
de vinho morto,
de agonia, de perdas,
de surpreendentes teias de aranha,
e muitos pensam
que essa cor de inferno
guardarás para sempre.

Não é verdade.

Passa uma noite lenta,
passa um só minuto
e tudo muda.
Enche-se
de transparência
a taça da vida.
O trabalho espaçoso
espera-nos.
De um só golpe nascem as pombas.
Estabelece-se a luz sobre a terra.

Vida, os pobres
poetas
acharam-te amarga,
não saíram contigo
da cama
com o vento do mundo.

Receberam os golpes
sem procurar-te,
cavaram
um buraco negro
e foram submergindo-se
no luto
de um poço solitário.

Não é verdade, vida,
és
bela
como aquela que eu amo
e entre os seios tens
aroma de hortelã.

Vida,
és
uma máquina plena,
felicidade, som
de tempestade, ternura
de azeite delicado.

Vida,
és como uma vinha:
guardas a luz e reparte-la
transformada em cacho.

Aquele de te renega
que espere
um minuto, uma noite,
um ano curto ou longo,
que saia
da sua solidão mentirosa,
que indague e lute, junte
as suas mãos a outras mãos,
que não adopte nem acalente
a desdita,
que a rejeite dando-lhe
forma de muro,
como os pedreiros à pedra,
que corte a desdita
e que com ela faça
um par de calças.
A vida espera-nos
a todos os que amamos
o selvagem
aroma a mar e a hortelã
que ela tem entre os seios.



Pablo Neruda, in Odes Elementares

De Gavyquintas a 10 de Novembro de 2008 às 22:33
20 data: 2006-08-24 20:01:43
Gavyquintas ( galvium@yahoo.com / sem homepage) escreveu:

Gostei bastante desta pagina e deixo um frase:

Viver é amar, amar a humanidade
Amar,por difícil que seja,
Amar e sonhar em amar,

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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