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Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010

Padre José Correia da Cunha - A homenagem dos seus amigos

 

 

Padre. JOSÉ CORREIA DA CUNHA

Antigo Prior da

Igreja de S. Vicente de Fora

 

Nasceu em 1927 e faleceu em 1977

24 SET.1917 – 24 SET.2010

Homenagem de gratidão

Promovida pelo João Paulo Dias

E apoiada pelos seus amigos;

(E meninos que ele tanto ajudou

A serem homens)

Rogério Martins Simões


Passam no próximo dia 24 de Setembro 93 anos do seu nascimento, que como todos sabemos era o dia 24 de Setembro 1917 e não a 26 de Setembro, como consta nos documentos oficiais de identificação.

Com a presença do prestigiado organista francês Robert Descombes, que nos anos 60 e 70, a pedido de Padre Correia da Cunha, deu vários concertos, no majestoso órgão da Igreja de São Vicente de Fora, um grupo de amigos realiza no próximo dia 24 de Setembro, uma HOMENAGEM DE GRATIDÃO expressando um vivo reconhecimento a este grande, homem, mestre, capelão e padre… que tanto contribuiu para a formação cristã e humana de várias gerações.

PROGRAMA

16.00 Horas – Romagem ao mausoléu dos seus restos mortais, no Cemitério do Alto de São João (Rua 57ª – 36831)

19.00 Horas – Concentração nas escadarias do Mosteiro de São Vicente de Fora.

20.00 Horas – Jantar no Restaurante Mercearia Vencedora
Avenida Infante Dom Henrique Doca do Jardim do Tabaco, Pav. A/B –
(Parque estacionamento)

WWW. Merceariavencedora.com


Agradecemos a vossa confirmação para o email: joaopaulo.costadias@gmail.com

Já não está connosco, mas naquela data, queremos aproveitar para agradecer a Deus ter-nos concedido este grande zeloso capelão e prior que no desempenho dessas suas nobres missões deixou uma obra tão sólida que ainda hoje perdura, tão vasta que provoca a tantos anos de distância, os nossos quentes aplausos de PARABÉNS!

(1) - Robert Descombes é titular e conservador do órgão d'Orgelet, um dos mais antigos instrumentos de Franche Comte, e um dos poucos instrumentos do século XVII, existente em França. Como tal, é uma das grandes jóias da sua cidade. Pela sua enorme reputação, que vai para além das fronteiras, já recebeu visitas regulares de organistas de todo o mundo. Os organistas são pessoas de grandes e eternas paixões. Este grande organista titular e grande apaixonado pelo maravilhoso órgão de São Vicente de Fora, nutria uma profunda amizade por Padre Correia da Cunha.

(João Paulo Dias)

 (Fotografia da Igreja de S. Vicente de Fora

Rogério Simões)

 

 

VESTIRAM-ME UMA TÚNICA BRANCA E CINGIRAM-ME COM UM CORDÃO VERMELHO

Rogério Martins Simões

Desde menino, quando apenas conhecia os anjos, já escutava, na telefonia, a bela voz da Amália. A Minha mãe lavava a roupa no tanque, num saguão de uma casa na freguesia de S. Vicente de Fora, e cantava desconhecidas cantigas da Beira Serra.

Fui crescendo e um dia, no início dos anos 60 do século passado, descobri por acaso os caminhos que me conduziram, durante muitos anos, à Igreja de S. Vicente de Fora.

Tinha então onze anos! Meus pais, com raízes Cristãs, não frequentavam a igreja nem obrigavam os filhos a irem à missa.

A luta pela vida era tremenda! Levantavam-se pelas 4 horas da manhã, apanhavam o eléctrico que os levava à Praça da Ribeira onde se abasteciam de legumes com que governavam a vida no mercado de Santa Clara. Era um tempo em que aqueles mercados pululavam de gente; em que os espaços reservados aos pequenos comerciantes (lugares e pedras) eram disputados e bem pagos nos leilões do Município de Lisboa.

- Antes carregar duas sacas de batata cruzadas à cabeça que andar com um molho de mato e a passar fome! - Dizia minha mãe.

Recordo que trabalhavam duramente toda a semana e o único dia que lhes restava para descansarem era o Domingo. (Talvez aqui esteja a explicação para não serem assíduos frequentadores da igreja).

- Rogério! Estamos os dois para aqui fechados em casa! - Dizia o meu pai, ainda na semana passada, e continuava:

- Se não fosse o Santana Lopes a mandar fechar o mercado de Santa Clara a tua mãe e eu, mesmo com os meus 86 anos, ainda estaríamos vendendo frutas e hortaliças, convivendo e vivendo, no Mercado de Santa Clara.

Têm razão os meus pais. Os mais velhos só servem para votar, e aí, sim - até os vão buscar aos lares ou às suas casas! Quanto ao mercado de Santa Clara era, e foi, parte integrante das suas e das nossas vidas. Fecharam o mercado! Está às moscas! É um espaço morto.

Volto aos meus onze anos.

Frequentava, então, o Liceu Nacional de Gil Vicente quando pela primeira vez entrei nos claustros do Mosteiro de S. Vicente de Fora.

Nesse tempo as portas estavam abertas e, tirando o Panteão Real da Casa de Bragança que tinha segurança, tudo aparentava um completo abandono e desleixo.

Foi assim que conheci o Mosteiro de S. Vicente de Fora.

Comecei a caminhar para lá - até que um dia, quando frequentava a escola comercial, Deus colocou no meu caminho o caminho para a Igreja Católica. Por coincidência, ou não, era o dia em que o Padre Cunha tomava posse como Pároco de S. Vicente de Fora.

A história conta-se assim:

Andava eu pelos claustros do Mosteiro quando, em cima da hora das cerimónias de posse do novo pároco, faltou à chamada um menino do coro! Mas… o Padre Cunha fazia questão em ter doze rapazes! Doze eram os Apóstolos e ele só tinha 11.

Tudo tinha sido verdadeiramente programado, ensaiado ao mais pequeno detalhe: os mais pequenos à frente! Tudo em carreirinha, em duas filas! – Túnicas novas feitas por medida! Sobrava uma! Era grande - como ela tivesse sido feita de propósito para mim!

Já não recordo o nome do meu antigo Professor de Religião e Moral do liceu de Gil Vicente que ia concelebrar na missa, (Padre Lobo?) porém, foi ele que aconselhou o Padre Cunha: o Rogério, seu antigo aluno, podia substituir o 12.º menino do coro.

Pois bem! Não é que fui pescado quando por ali andava perdido…

 

Vestiram-me uma túnica branca.

Cingiram-me com um cordão vermelho.

Em poucos minutos ali estava eu, menino do coro repescado, a caminho do Altar, lado a lado com o meu bom e saudoso António Melo e Faro, ocupando um lugar na última de duas filas.

-Faz o que eu faço. - Dizia o Melo. E fiz!

Foi assim que Deus chamou por mim! Foi a minha primeira ida voluntária à missa tendo sido o único menino do coro a não comungar nesse dia…

Bem! A história já vai longa e ainda a procissão vai no adro… Vou terminar por hoje.

A partir desse dia tornei-me um efectivo membro daquela comunidade!

A partir desse dia comecei a frequentar a catequese. Fui bem cedo catequista e até dirigente diocesano da JOC.

A partir desse dia passei a apreciar ainda mais a bela voz da Amália no gravador de fita do bom Padre Cunha!

A partir desse dia comecei a escutar e a gostar de música de órgão tocada no grande e extraordinário órgão de S. Vicente de Fora!

A partir daí, e nos tempos livres, passei a ser cicerone do Panteão da Casa de Bragança e, com as "gorjetas", adquiri os meus primeiros livros dispensado pedir dinheiro a meus pais para os meus gastos:

A partir daí tomei o gosto pela história, nomeadamente, pela vida e obra dos Monarcas que ali repousam: desde D. João IV até ao rei D. Manuel II.

A partir desse dia comecei a aperfeiçoar a minha formação moral e tudo graças a um Homem extraordinário – polémico, certamente, para muitos –

Obrigado Padre José Correia da Cunha.

Rogério Martins Simões

(O Padre José Correia da Cunha foi Pároco da Igreja de S. Vicente de Fora, paróquia de muitos dos que nasceram no Concelho da Pampilhosa da Serra)

 

 

 

publicado por poetaromasi às 23:53
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Comentários:
De Anónimo a 24 de Setembro de 2010 às 12:49
Vivi 17 anos numa dependência anexa ao "Páteo dos Corvos" e também eu e o meu irmão (João Ventura)
servimos de cicerone aos visitantes do Panteão. Recebi inclusivamente uma edição francesa das Fábulas de La Fontaine, oferecida por um senhor francês, aposentado, que fez questão de ma enviar em agradecimento pelo meu apoio,. Pouco convivi com o P.Correia da Cunha como pároco de S. Vicente embora tenha presidido ao meu casamento em 1/1/62.
Devo, no entanto ter sido "freguesa" dos seus pais no campo de Stª Clara, onde comecei a ir muito pequena fazer as compras e as vendedoras brincavam comigo porque regateava os preços. É realmente pena que tenham fechado aquele mercado. Recordo com saudade os meus tempos de infância e juventude embora os tempos fossem difíceis. Fui aluna do C.Geral de Comércio na Voz do Operário. Sempre que posso volto ao Bairro de S. Vicente e visito o convento,nos últimos anos não tem sido possível visitar a Igreja pelos motivos que todos sabemos.
Esperemos que em breve esteja de novo disponível a visita a essa bela Igreja.
De poetaromasi a 24 de Setembro de 2010 às 18:13
Recordo-me perfeitamente dos moradores do pátio dos corvos, onde também brinquei. Sou de facto de outra geração, mas, temos ambos uma atracção especial por esta bela igreja e, sobretudo, pelo que representam, para cada um de nós, aquelas paredes.
Como sabe o Pátio dos corvos foi escavado pelo grupo de arqueologia do qual faço parte. O Professor Fernando Ferreira, eminente arqueólogo, chefiou a escavação. Foram ali encontradas diversas sepulturas medievais e túmulos dos cavaleiros alemães que ajudaram Afonso Henriques na conquista de Lisboa. Mas isto faz parte de uma história muito longa...
Muito obrigado pelo testemunho
Rogério Martins Simões
De Zé João Ventura a 24 de Setembro de 2010 às 19:29
Coma a minha irmã (Maria Assunção Quintas)disse anteriormente, vivemos em São Vicente.
Foi o Monsenhor que, penso que ao ir dar a Extrema-Unção, a um irmão que não cheguei a conhecer, e ao ver o local onde habitavam os meus pais, o meu irmão e a minha irmã, que os acolheu, primeiro numa sala adjacente ao coro, para onde eu fui quando saí da maternidade, depois na "casa dos foles", onde o meu pai construiu uma habitação em madeira, e, finalmente, numa antiga sala do liceu, virada para o pátio dos corvos, onde o meu pai voltou a criar um lar.
Como fui estudar para o Seminário de Santarém até aos 14 e depois saí de São Vicente, não cheguei a ter grande vivência com o Padre Cunha. Só me recordo que ele tinha uma caveira à cabeceira da cama, para se lembrar do que voltaria a ser um dia (lembra-te homem que és pó...).
È por essa razão e por não conhecer nenhum dos jovens dessa época (brincava com o Hernâni, e pouco mais), que não vou estar presente no almoço, porque me iria sentir deslocado.
Mas tenho saudades imensas do tempo que vivi em São Vicente.
Embora não vos conheça, um grande abraço a todos.
De poetaromasi a 24 de Setembro de 2010 às 18:01
Por lapso indiquei a data de nascimento errada. O Padre Cunha nasceu em 1917 e não em 1927. Faleceu com 60 anos.
Rogério Simões
De Carlos Pereira a 24 de Setembro de 2010 às 19:19
Caro poeta Rogério;

Belo texto; exemplar testemunho de vidas cruzadas, tão profundamente ricas, preenchidas e felizes.
Um forte e grande abraço.

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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