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Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010

Lobo... que comer no que resta da aldeia?

 

(Terras ao abandono na Beira Baixa)

 

 

 

LOBO… QUE COMER NO QUE RESTA DA ALDEIA?

Rogério Martins Simões

 

Lobo não venha comer a minha ovelha…

Tenha cuidado que eu faço fogueira.

Cruzes canhoto que vem por aí a velha…

Lobo não coma a noz verde à nogueira…

 

Tem noite que a noite é vermelha.

Credo! Abrenúncio! Vem aí a feiticeira…

Ferradura na porta; corno na telha…

Lobo não coma o figo verde à figueira…

 

Lobo não volte para roubar o nosso pão.

Menino homem só tem medo do papão…

Lobo que comer no que resta da aldeia?

 

Loba… que vai ser de ti e da tua alcateia…

Dói-me a barriga de comer tantas amoras:

Cresceram as silvas, os matos e as horas…

04-07-2005

 

(Registado no Ministério da Cultura

- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –

Processo n.º 2079/09)

 

 

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página
publicado por poetaromasi às 15:19
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Comentários:
De Carlos Pereira a 25 de Outubro de 2010 às 19:32
Caro amigo e POETA Rogério;

Extraordinário soneto, onde é patenteada toda a enorme qualidade poética do magnificente autor.
Gostei imenso.
Um forte abraço.
De Luadosul a 30 de Outubro de 2010 às 12:21
Olá. Sou uruguaia e não falo muito bem teu idioma. Gostei imenso do que escreves! Quando alguém pose expressar seus sentimentos e compartir-lhes com outros merece muito respeito e admiração porque chega ao coração !
Eu gosto de escrever, mais não sou poeta, só tiro palavras que saem do fundo e me acalmo mais um pouco.
Carinhos desde Uruguai.

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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