Este blog nasceu em 6 de Março de 2004

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Domingo, 22 de Maio de 2011

O melro: o inimigo público...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O MELRO -  O INIMIGO PÚBLICO.

Rogério Martins Simões

 

Seguindo a mesma rotina e conhecendo as regras do ministério um velho carteiro, que já quase nem podia com as pernas, entrou no ministério, cumprimentou o segurança - seu velho conhecido, e dirigiu-se à secretaria do Ministério.

Se bem que tivesse confiança para o fazer, poisou a pesada correspondência fazendo-se anunciar. Depois de ter sido autorizado a entrar, levantou com esforço aqueles sacos, entregou-os, e recolheu com cuidado as assinaturas de quem recebeu o correio registado. Finalmente, abandonou as instalações do Ministério e, como sempre, sentiu ter cumprido o seu dever.


Para as secretárias do ministério tudo não passava de uma rotina diária. Habituadas a recolherem e a classificarem aquelas cartas; a numerarem e a tratarem por assunto, depois de descarregadas no computador central, colocavam-nas nas pastas onde estava inscrito o nome dos respetivos subdiretores-gerais do ministério.

Quando o responsável pela tutela da área chegava dava instruções à secretária que, a partir desse momento, não estava para ninguém à exceção de sua excelência…


Nesse dia este alto funcionário do ministério deitara-se tarde preocupado com os cortes que teria de fazer no ministério e que não o deixava dormir. Cheio de insónias, ainda travou um diálogo de surdos com um casal de aves que por ali andavam a assobiar. Se tivesse uma espingarda tratava-vos da saúde - pensou. Acabou por adormecer no confortável sofá do salão aquecido.

O sol já há muito raiava quando deu conta que tinha adormecido. Olhou o relógio, estava atrasado, e atirou a culpa para as aves que não o tinham deixado dormir…


 À porta da sua casa o motorista do Ministério, fardado a rigor, aguardava em vão o senhor doutor. – Que terá acontecido, pensava. Se bem pensou, melhor resolveu: atreveu-se, subiu de elevador, e bateu muito lentamente na porta da residência do chefe…

O diretor agradeceu a preocupação do seu subordinado e lá foram os dois para o ministério. Chegados ao ministério o segurança que distinguia e conhecia o carro, o condutor e o diretor, levantou a cancela e registou a hora de entrada. Finalmente, o diretor, depois de cumprimentar a Secretária, e esta lhe dizer que já lhe iria servir o café e as torradas, foi direto para o seu gabinete.

Bebia o café quando às suas mãos foi dar uma carta-denúncia de um agricultor, que também tinha alguns interesses na caça e na sua indústria… e começou a ler o seguinte:


Exmo. senhor diretor-geral

Fulano de tal, morador na rua de tal, vem mui respeitosamente junto de vossa excelência denunciar o seguinte:

Sou proprietário de árvores de fruto e todos os anos sou invadido por bandos de aves pretas, de bico amarelo: concretamente por melros. Pois, senhor diretor, os melros, para além de andarem para aqui a fazer barulho e de me obrigam a levantar cedo, vêm roubar cerejas e outras frutas pondo em risco a rentabilidade da produção. Também um vizinho, que produz morangos se queixa do mesmo.

Esperando que o ministério resolva o assunto, espero que autorize a abertura da caça ao melro a bem da paz e da produtividade.

Respetivos cumprimentos

A bem da Nação

Assinado.

 

O diretor nem pensou mais no que fazer e, parecendo ter a resposta na ponta da caneta vermelha, exercendo o dever para o qual foi designado, elaborou o seguinte despacho:


“ Visto,

Considerando que os melros estão a colocar em risco a exportação de produtos agrícolas, nomeadamente da fruta;

Considerando que os melros se têm escapado ao abate, só por viveram junto do homem e por lhes cantaram todas as manhãs;

Considerando que os coelhos, as lebres e as perdizes, em estado selvagem já se encontram quase extintos, restando, apenas, aqueles que são criadas em capoeiras, que são objeto de largadas, e onde todos se divertem a atirar a matar;

Considerando que os tordos e as rolas bravas já nem arribam ao nosso país, determino o seguinte:

Que, a partir deste ano, sejam proibidos os cantos dos melros e que se dê caça até à completa erradicação destas pragas. Para tal, passa a ser autorizada a caça aos melros em todas as zonas, nomeadamente, em quintais, creches, cidades, hospitais, com exceção dos ministérios, e dos terrenos contíguos aos ministérios, a fim de proteger os outros melros que por ali andam...

Finalmente que se arranquem as folhas dos livros onde os melros falam.

O diretor

 

NOTA FINAL: A partir dessa noite não mais o diretor teve insónias.

 

(Texto ficcionado)

(retratos da alma e do poeta – O MELRO)


 

 

SALVEMOS O MELRO 2011

Rogério Martins Simões


Muitos não o sabem, porém, em 2004, travei uma dura luta, utilizando o meu blog, POEMAS DE AMOR E DOR, para salvar o Melro e conseguimos ganhar.

Qual não foi o meu espanto no dia de hoje, 19 de Maio de 2011, ao ler no “Correio da Manhã” MELRO VOLTA A ESTAR NA MIRA DOS CAÇADORES”

A caça ao melro vai ser permitida a partir do mês de Novembro, após mais de duas décadas de proibição no país, uma medida que encontra a oposição dos ambientalistas.

Domingos Leitão, da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, afirmou ao CM que “não existe razão para o Governo ter publicado uma lei que permite a caça ao melro, pois não tem interesse económico”.

Segundo este responsável, “o melro é uma espécie associada ao meio urbano, ligada às pessoas, e a sua caça é um disparate, que até divide caçadores”

FONTE jornal diário “CORREIO DA MANHÔ

 

Como acabaram de ler o atual governo decretou a extinção dos melros em Portugal a partir do mês de novembro de 2011.

Devemos responsabilizar desde já os autores deste diploma para os acidentes de caça que irão acontecer. Em 2004 conseguimos impedir a caça ao melro, desta vez e de acordo com a notícia a Lei terá já sido promulgada.

Recordo que já poucas aves restam junto das nossas aldeias e o melro vive junto do homem, perto das suas casas e nas suas hortas, onde até é proibido caçar. Com a aplicação desta lei nada vai restar e não mais os ouviremos chilrear, nas manhãs as aves que nos encantam.

Volto a protestar: salvemos o Melro!

 

COMO PARTICIPAR? ASSINANDO A PETIÇÃO!
E APOIANDO ESTA LUTA QUE É DE TODOS

http://peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N10013

 

https://www.facebook.com/pages/Diga-N%C3%83O-%C3%A0-ca%C3%A7a-ao-Melro/166664440060726

 

 

 

publicado por poetaromasi às 23:20
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Comentários:
De Dylan a 8 de Junho de 2011 às 00:51
Após 20 anos de proibição, a caça ao melro passa a ser permitida só porque o Estado acha que sim, ignorando os conselhos de várias entidades ambientais e violando as regras elementares do bom senso. Nunca a expressão "cada tiro cada melro" fez tanto sentido. Aliás, aguardo ansiosamente para que também seja permitido encher de chumbo os pardais e as andorinhas, na sequência desta desastrosa política ambiental e cinegética. O harmonioso canto do melro calar-se-á perante os pistoleiros de fim-de-semana, espécie de vazadouros de frustrações, de gatilho fácil , atarracados nos seus coldres, sempre com a benção do poderoso lóbi da caça e do cheiro a patuscadas de estilo macabro.

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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