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Sexta-feira, 28 de Outubro de 2011

Golpe de asa no sequeiro...

 

 

 

 

GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO…

Rogério Martins Simões

 

Inocento as minhas mãos.

Invento gestos.

Golpeio convenções.

Antecipo decisões

Quero chegar ao cume…

Acender o lume

E descer a vereda num sopro.

Sopra sobre mim, dá-me o trilho…

Golpe de asa no sequeiro.

 

Inocento a vida.

Piso um milho que suga um canavial.

Debruço-me nas tábuas silenciosas,

O arrabalde enxota um pombo num corte de asas.

Vou a caminho,

Se chegar tarde tarda o destino.

Chegará a tua vez…

Chega a todos,

Quero chegar ao cimo da rampa.

Não! Não preciso de campa,

E de bichinhos da seda,

Acendam o lume!

Golpe de asa no sequeiro

 

 

Inocento a minha fala. De que falo?

Falo de sofrimento?

Fala comigo!

Faz um gesto.

Falo!

Golpe de asa no sequeiro

 

Inocento a sorte. Que sorte?

Estou descalço…

Descaço os pés e coloco as botas das léguas cardadas…

Pesadas tréguas.

Falsas pistas,

Às riscas, no veludo,

É entrudo e sambo!

Não! Não sei sambar!

Danço tudo…

Danço nas letras!

Basta um toque do moscardo e irei ao fundo.

A orquestra toca,

Na toca me afundo.

Do fundo me ergo, tudo confundo,

Volto ao colete-de-forças que me não dá tréguas.

Golpe de asa no sequeiro

 

 

Inocento a pressa. Não me empurres!

Desata o atilho e solta o rouxinol …

Golpe de asa no sequeiro

 

Inocento a ventura.

Deram-me uma haste e um pano amarelo

Fiz mastro e uma vela.

Não sei velejar!

Tropeço num novelo,

Estatelo-me ao vento.

Arrumo as botas num vão-de-escadas

Escadas não são.

Que sorte: uma tábua de salvação.

Golpe de asa no sequeiro

 

Inocento o engano!

Troco uma besta

Por dois cavalos a motor.

Trago um guindaste preso a uma retroescavadora.

Que faço com a cenoura?

Que faço com a dor?

Estendo o pano e solto a alma…

Golpe de asa no sequeiro

 

Inocento o meu coração.

Na escada, que me leva ao azul sereno, ato um laço!

Deixa que te toque no peito.

Abraço-te!

Sinto o pulsar de uma cerejeira…

Golpe de asa no sequeiro

 

Inocento a esperança.

Entrego ao destino tudo o que me cansa.

Que me cansa?

A falta de esperança?

Este viver desesperado,

Na ponta de uma navalha afiada.

Estou em brasa no cativeiro

Acerto o passo nas limitações…

Não!

Nas figueiras também crescem figos secos e ovos-moles;

Os gaiatos brincam com estrelas;

O sol brilha;

A chuva molha;

A noite apadrinha os beijos;

O vento sopra e dança

O luar distende os versos

Com versos de esperança.

 

Secam as lágrimas no estendal

Já partiu o aguaceiro…

Golpe de asa no sequeiro…

 

27-10-2011 00:08:08

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página
publicado por poetaromasi às 02:57
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Comentários:
De Danielle Silveira de Medeiros a 28 de Outubro de 2011 às 10:40
Parabéns poeta!! Blog sensacional! Amo poesias, principalmente, as, tristes, de amor.
Abraços, Danielle S. de medeiros

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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