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Quarta-feira, 1 de Agosto de 2012

POETA DE CORPO INTEIRO

POETA DE CORPO INTEIRO

Rogério Martins Simões

 

Sigo num tempo

Que atento sinto:

Que sinto?

Alguém falou?

Alguém deu nas vistas?

As vistas curtas confundem as próprias vistas.

Não viste nada!

Desandas!

 

Volto ao caderno.

Não escrevo!

Ligo palavras, sílabas.

Que sílabas?

Tinha tudo para ser feliz…

Tempo inútil,

Onde tudo não passou

De uma forte gargalhada de dor.

 

Uma criança chora!

Chora, não sei:

Chora sempre!

Que sente?

Doem-lhe estas palavras rasgadas,

Tramadas,

Dói-me esta dor

Que se difunde,

E confunde, em contratempo:

Deram-lhe tudo para ser feliz…

Quem mente?

 

As ondas varrem a cidade

Que flutua

Num extenso areal adornado de adereços…

 

Volto ao caderno.

Não! Escrevo!

Ligo palavras, sílabas.

Que sílabas?

Tinha tudo para ser feliz,

Por um tempo inútil,

Onde tudo não passou

De uma forte gargalhada de dor.

 

 

Se ando por fora dos papéis voo nas vistas.

Se conseguisse andar daria nas vistas…

Estou sentado numa cadeia de ferros

Tenho o caderno afundado numa teia de ferro.

A ferro e fogo.

Já fui fogo.

Água e gelo.

Gelo os meus pensamentos.

Que faço destas mãos?

 

Levaram as sementes do meu campo de trigo

Trinco sementes de girassol

Neste cantar de desabrigo…

Estou fechado no prédio móvel

Que é meu corpo.

Que dilema:

Perdi as forças e estou num colete-de-forças.

 

Volto a olhar para dentro,

Olho o meu corpo,

Conheço a idade do meu corpo,

Não estou mal para a sua idade…

Que idade tenho?

 

Quero fugir de mim

E dão-me dose dupla…

 

Se conseguir sobreviver

Saberei viver?

Viverá quem já não goste da vida?

Que vida?

Fechada a cadeado?

 

Movimenta-me na dose dupla

 e volto a andar:

Subo o patamar da mente;

e desço de andar na escrita…

 

Poucos Metros me afastam da meta

Onde já fui primeiro…

Voa atleta:

Poeta

De corpo inteiro!

 

 

Meco, 12 de Julho de 2009

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publicado por poetaromasi às 18:19
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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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