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Domingo, 3 de Fevereiro de 2013

Faltam-me as palavras, sobra-me a poesia: Carta a meu pai

 

“Faltam-me as palavras

Sobra-me a poesia.”

 

CARTA A MEU PAI

Rogério Martins Simões

 

 

Às vezes penso que

Se existem certos actos

Ditos de loucura,

Encarados e vistos como tal,

Têm como sublime vantagem

De se concretizarem nos sonhos.

 

Pai: há por aí tantos loucos,

Encarcerados na sua sadia loucura,

Que se verdades dizem

Não passam de uns insanos.

 

Não terão sido loucos os Santos,

E tantas pessoas nobres

Que se despiram

Para oferecerem os seus trajes aos pobres?

Não são loucos os sonhadores

De um mundo melhor,

Que doam a vida a uma causa maior?

 

Terá sido loucura

Viajar no espaço da incerteza

E aterrar no império do esplendor

Como o fez São Francisco de Assis!

 

Pai: Eu sei que sou um sonhador:

Mas nem sempre sou o que pareço

E se pareço ser o que não sou,

Sou aquilo que bem conheço.

 

Dizia Pessoa que poeta é ser fingidor!

 

- Mas eu não finjo,

Obrigam-me a fingir!

- Eu não morro,

Obrigam-me a morrer!

- Eu não sofro,

Obrigam-me a sofrer!

E se sofrer tanta dor não compensa,

Ser solidário recompensa

Exigindo que a vida seja melhor

Onde a ela exista e aconteça.

 

Quando comecei a escrever,

Sem ter a menor ideia do que lhe iria dizer,

Faltavam-me as palavras

Que neste instante tanto me sobram.

Pai!

Estas palavras são hoje inteiramente para si

Apesar de me ter perdido em deambulações.

 

 

Mas, tenho tantas palavras para si, meu pai

 

Ainda há pouco, enquanto conduzia,

Latejavam-me os sentimentos

Tinha na cabeça searas de pensamentos

Deambulando em movimentos:

- Brotavam-me tantas emoções!

- Tantas lembranças!

- Tantas recordações!

 

Sabe, meu pai,

Herdei de si esta enorme fortuna

Que sei agora que desprezam:

O sentido da honra;

A sensibilidade;

A humildade;

E acima de tudo a honestidade.

 

E se rico não fico,

Com esta tamanha riqueza,

É por rico eu fui e serei

Na poesia que de si herdei

E que nos recitava de cor à mesa.

Tantos poetas! Tantos poemas.

Como o dia de anos

(ou desenganos), de João de Deus,

Que o pai recita quase sempre em seus anos.

 

Pai: Também sou poeta

 

Memórias

(Rogério Martins Simões)

 

Voo nas memórias de meu pai!

Que conta sem conto,

Os contos da nossa aldeia.

Era menino!

E certa noite ao luar,

Minha avó,

De nome Maria,

Ensinava meu pai a contar.

 

Pairo nas memórias de meu pai!

Que conta sem conto,

Os contos da nossa aldeia.

Era menino!

E todos os dias ao jantar

Contava para mim,

Histórias de fantasia e de encantar:

 

Irmãos éramos três,

Nazaré, Laura e José.

Minha mãe a todos nos fez

De força, coragem e muita fé!

 

Recupero aqui

As memórias de meu pai

Que hoje conto

Porque me encanta!

Era uma vez, na nossa aldeia,

Na Póvoa ao fundo do lugar,

Minha avó que era uma santa,

Ensinava meu a pai a rezar.

 

Ave-maria.

 

Acabo como comecei se acabar eu queria:

Faltam-me as palavras sobra-me a poesia.

 

Mil beijos deste seu filho,

Rogério Martins Simões

 

 

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publicado por poetaromasi às 22:28
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Comentários:
De sofiazinha a 5 de Fevereiro de 2013 às 17:09
Um grande viva ao teu pai,dá-lhe um beijinho por mim. Fica com deus!!! Maravilhosa semana para ti amigo!!!
De Sibelle a 24 de Fevereiro de 2013 às 16:22
Tão Bonitas as suas palavras. Abri hoje o seu blogue... deixo-lhe aqui este comentário. Tão bonitas as suas palavras. Uma beleza que as vezes só encontro aqui, mas ao mesmo tempo, fazem-me pensar que as posso ter aqui fora.

Lamento esta falta de sensibilidade e respeito de outras pessoas em plagiar os seus versos. Isto é o pior que se pode fazer a um artista. A nossa alma é a única coisa que temos e que podemos chamar de nosso, acredito, e os poemas são o reflexo disso mesmo, daquilo que sabemos de nós, dos outros, é a forma como vemos e sentimos a vida. Espero que se valorize isso e que lhe dêem o devido reconhecimento.

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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