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Quarta-feira, 3 de Maio de 2006

Debaixo das árvores

 

(Foto cedida pelo Sr. Padre Pedro)

Debaixo das árvores

 

À sombra de grandes árvores

Na rua, jogando a bola por vez,

Brincando pendurado nos carros,

Um menino homem se fez!

2005

 

Eram os meus primeiros passos, em linha angular, nesses tempos de sete anos.

As casas eram pequenas. Todos se amontoavam -dormia-se por turnos e não sobravam os espaços

As ruas, que conduziam à feira-da-ladra, eram "povoadas" de vendedores ambulantes que ganhavam a vida num tropel de "quatro patas".

Havia fava-rica a cinco tostões! E ouvia minha mãe dizer que tinham cabelos - pois não as podia comprar...

Nas pedras da calçada, redondas sem alcatrão, havia burricadas e os garotos da minha idade jogavam à bola, com bolas feitas de trapos.

Como ansiava e esperei por uma bola a sério! Como a dos jogadores e, quando tinha algum tostão, comprava rebuçados enrolados em cromos à espera que me saísse do jogador mais "custoso".

Certo dia meu pai jogou de uma só vez e saiu-lhe o boneco que dava direito à bola. Aí pensei. O dinheiro compra tudo!?

 

Os ponteiros dos relógios fazem corridas de horas, minutos e segundos!

Na minha rua havia garotos com horas a brilharem ao sol!

Na minha cabeça, fantasia de sete anos, abriam-se espaços ocos com imagens sucessivas de relógios com correias de nylon coloridas.

Conheci os meus novos companheiros de aventura e por estranho que pareça já os adivinhava há muito! Filhos de mães trabalhadoras que aliviavam os braços deixando os meninos entregues ao destino.

Os seus rostos eram iguais a tantos meninos: Viviam e cresciam na rua: jogavam a bola, partiam os vidros, fugiam da polícia pendurados nos eléctricos e nos autocarros.

Era o começo de uma geração desprovida de laços.

 

-Ó pá! O que andas aqui a fazer?

Perguntou-me o "Zarolho" quando me viu pela primeira vez, como menino, levado para a escola pelo braço de minha mãe.

Encolhi os ombros! Era o indício da minha geração, pois, no queimar dos anos, vi muitos a "encolherem os ombros"

- Sabes?! Isto aqui é da "malta"

Fez-se silêncio - de um vazio contínuo e assustador.

- Para seres dos nossos - e eu sou o chefe, é preciso que lutes comigo!

E lutei!

Nesse dia um menino de sua mãe chegou a casa - com as calças rotas e sujas.

- Rogério, que fizeste às calças que estreaste?

- O teu pai, logo, vai bater-te! (Ameaçava minha mãe dando-me um tabefe).

Chegou a noite!

O meu pai chamou a si a difícil tarefa de um pai trabalhador.

Chorei! Aqui começaram as minhas primeiras lágrimas, unidas, lado a lado com a minha primeira aventura.

Rogério Simões

1974

Poemas de amor e dor conteúdo da página
ano do poema: texto coisas da vida
publicado por poetaromasi às 22:24
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Comentários:
De Heloisa B.P. a 12 de Maio de 2006 às 21:57
OLA' MEU BOM E QUERIDO AMIGO!!!!!
PERDAO E PERDAO, POR MINHA TAO LONGA AUSENCIA!
Contudo, enviei-Lhe uns tantos e-mails e nao obtive resposta! depois vim AQUI* e nao aceitava "comentarios", entretanto, fiquei eu, sem grandes possibilidades e aguardando que respondesse a algum de meus e-mails!
agora vi_O no BLOG de UM AMIGO COMUM:BATISTA*, e, pensei, entao O ROGERIO* e' capaz de estar a POSTAR* novamente!... e, aqui estou eu, bem contente por ver este ESPACO POETICO "PRODUZINDO" POESIA!!!!!
No entanto, peco-LHE humildemente, que ACEITE MINHAS DESCULPAS, porque eu deveria ter TENTADO MUITAS MAIS VEZES!!!
DEIXO O MEU ABRACO DE PROFUNDA ESTIMA e, os VOTOS de que Sua SAUDE APRESENTE MELHORIA! E...SUA ESPOSA???
ABRACO PARA ELA TAMBEM, SE MO PERMITE!
Quanto aos POEMAS, ja' nao teco "comentarios"!!!!!!
FIQUE O MELHOR POSSIVEL!
Nem imagina a Alegria que me deu ve-LO AQUI*!
sua Amiga,
Heloisa B.P.
***************
De Ofeliazinha a 4 de Maio de 2006 às 12:48
Um abraço. E as melhoras.
De Amita I a 4 de Maio de 2006 às 00:15
Olá Rogério. Tanto tempo sem ler a tua poesia que a sensibilidade desperta. Tanto tempo! Agora matei saudades. A tua poesia é doce, melodiosa, não pares.
Fui ao meu blog do sapo que está parado, revê-lo;percorri os links que estão muito desactualizados e vi lá o teu. Para mim é muito complicado fazer a migração que exigem por diversos motivos,sendo um deles o meu total desconhecimento de informática, por isso gravei todo o blog e abri outro onde coloquei todo o trabalho de mais de 2 anos. Deixo-te o link, meu amigo, se me quiseres procurar
http://brancoepreto-I.blogspot.com (http://brancoepreto-I.blogspot.com)
Um bjinho, Rogério, as rápidas melhoras da Bete e que muita força e luz te acompanhem sempre. Adorei rever-te.

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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