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Sábado, 23 de Abril de 2005

Bale o cordeiro zumbe o mosquito

(Foto do World Press Photo Contest 2004)

 

 

 

BALE O CORDEIRO ZUMBE O MOSQUITO
Rogério Martins Simões
 
Bale o cordeiro, zumbe o mosquito.
Chia a doninha, uivam os chacais.
E no meio de tanto canto e grito:
Uiva o leão que é rei dos animais.
 
Grita o pato, o pavão e o periquito.
Trina o rouxinol, piam os pardais.
Assobia o melro bem forte e aflito,
Está a chegar o terror dos pombais…
 
Pata sobre pata vem a velha raposa,
Que regouga assustando o estorninho.
- Asas que te quero, grita o passarinho!
 
Palra o papagaio rompendo a prosa:
- Só no reino da fábula a paz é duradoura.
Trr; tac tac tac ouve-se a metralhadora…
20-04-2005

 

ano do poema: 2005
publicado por poetaromasi às 21:37
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Comentários:
De Paula Raposo a 23 de Janeiro de 2007 às 12:58
Quando a guerra interrompe o mundo da fábula! Gostei. Beijinhos.

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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