Sexta-feira, 14 de Março de 2008
Percursos...

(Cópia 

Óleo sobre tela Elisabete Sombreireiro Palma)

 

 

 

PERCURSOS

Rogério Martins Simões

 

Andamos aos poucos

a escrever o livro das nossas vidas.

A libertação tem o seu preço,

pagamos caro a mudança,

sacudindo as roupa envelhecidas…

 

Que é feito dos vestidos de chita?

Onde estão os dedos finos delicados

que enrolavam os cabelos do menino?

E os caracóis? E as gotas

com que rebuçava o olhar de mel?

 

Tartarugas luzidias rastejam

recordando que já foram cágados…

Abro o saco e liberta-se

um louva-a-deus…

 

Manejo uma espada de madeira,

herói da banda desenhada.

Ergo a espada de nada

e faltam-me as sílabas

que se escaparam

das folhas arrancadas.

 

Ainda assim quero escrever,

quero borboletear faíscas

para não ficar cego…

 

As recordações são agora

monstros cospe-lume,

dragões afinados…

Cordas partidas de um violino.

 

Liberto as claves de sol

para de novo te ver sorrir!

 

Um canto adormecido

embala docemente

um berço de silêncio.

Recupero o leite materno

num figo verde,

lábios rasgados.

 

Chupo um rebuçado

com sabor a mentol.

 

A tinta permanente secou!

O mata-borrão

levou as pontas do meu nome

(bem desenhadas

para caber entre duas linhas.)

Entrelinho as palavras desalinhadas.

Não dou a mão à palmatória.

Quando tudo passar serei glória.

 

Por agora vou afinando

as cordas estropiadas,

velha amarra dum batel.

A espada é agora pó

e já foi serradura…

 

Os cabelos, caracóis finos,

afinaram os violinos

numa nuca envelhecida

e cantaram vitória…

 

Ainda assim a fogueira

não destruiu tudo

e o combate ao dragão

queima-tudo,

ainda agora começou.

 

O fumo das folhas

é agora nosso.

E os versos também…

 

26-02-2007 0:23:20

 

(Ao correr da pena, dedicado à poetisa

Maria Célia Silva)



ano do poema: 2007

publicado por poetaromasi às 00:05
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comentários:
De Anónimo a 27 de Fevereiro de 2007 às 12:56
Meu caro amigo Rogério: as saudades eram muitas e os Alentejanos voltam sempre ao torrão natal... Aqui, além duma "imposição" de amigos era também um desejo íntimo.

Irei, além de regressar ao "Beja", tentar manter os outros "sítios" que tenho criado.

Chegou a altura de receber da tua parte os prometidos poemas e as pinturas da minha patrícia para publicar no "Beja".

Um abraço amigo



De mariavaladas a 27 de Fevereiro de 2007 às 15:33
Senti-me embalada em tão bela prosa feita poema...
Que dedicatória mais linda que alguém podia receber!

Rogério...você é um poeta a 100%---

Ainda estou a meditar nas palavras que escreveu....

Beijos da
Maria


De poetaromasi a 28 de Fevereiro de 2007 às 14:29
Agradeço as palavras que me deixaram nesta prosa poética escrita num e-mail para a Célia e que quis compartilhar convosco. Só a POETISA Célia entenderá completamente o que escrevi. A Célia, para além de poetisa comprovada com o magnífico poema que escreveu, desenha, escreve contos e até teve vocação para canto lírico. Não posso nem devo dizer mais. Tudo está neste texto poético… O que eu não quero é que a sua poesia seja queimada por outros em estilo de auto-de-fé. Foi pela qualidade que abri este espaço à Célia, sem favor, tão só pelo mérito.
Quem me conhece sabe que nunca fui, sou, ou serei egoísta, invejoso ou vaidoso. Sou um homem do povo, um filho de gente simples, pobre mas muito rico em amor e partilha. Meu pai como não tinha sobremesa para nos dar dava poesia depois do jantar e foi com ela e com as palavras, acções e exemplo de vida, que me tornei no ser que sou hoje. No meu passado errei e aprendi com erros e defeitos e é por isso que de novo vos digo a Célia merece o nosso reconhecimento e o incentivo para continuar e há por aí tantas Célias…
Eu sempre disse que sou um humilde poeta – mas poeta; e sendo-o reconheço onde há poesia. Mais uma vez obrigado e acabemos de vez com estes orgulhos tolos, egoístas que impedem de dar passagem a quem tantas vezes é melhor que nós.
Rogério Martins Simões


De indeciso2 a 28 de Fevereiro de 2007 às 09:33
Um abraço, Rogério! Seilá.


De Paula Raposo a 28 de Fevereiro de 2007 às 18:30
Excelente. Como sempre Rogério. É um prazer e um privilégio ler-te. Beijos.


De M. Célia Silva a 20 de Março de 2007 às 12:28
Não sei se apanhou o meu comentário, porque isto "falhou" a meio.... apenas falava da minha gratidão e a minha comoção ao ler o poema dedicado a mim... foi um bálsamo nestes ultimos dias difíceis...
Sem mais palavras "Muito Obrigada"
Um abraço


De luso poemas a 17 de Maio de 2008 às 15:03
participe em www.luso-poemas.net


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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Solicita-se a quem os copiou alterando o nome, não respeitando o texto ou omitindo o seu autor que os apague ou os reponha na fórmula original com os respectivos créditos. Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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VOLTEI!

(Rogério Martins Simões)

Venho dos limites do tempo)

De uma galáxia qualquer

Já fui mar, já fui vento

Agora sou pensamento

Aparado em dado momento

No ventre de uma Mulher!


Meu corpo é magistral!

Brutal! Perfeito! Soberbo!

De início não era verbo

Agora sou o verbo ser


Tenho comigo segredos

Segredos do universo

Transporto no corpo recados

Escrevo em forma de verso.


Venho dos limites do tempo

Não sei o que fui e sou:

Deserto? Nascente?

Já fui Norte, já fui Sul

Pó astral, mar azul!

Luar, estrela cadente.


Eu me vou!

Partirei num cometa qualquer

E serei novamente pôr-do-sol.

Cor-de-rosa, aloendro, malmequer!


Voltei...Já cá estou…


Agora sou pensamento

Nascido em dado momento

Do ventre de uma Mulher!


23-09-2004 18:39


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    VOLTEI A ESCREVER
    E JÁ NÃO QUERIA

    Voltei a escrever e já não queria

    Pensava ter esquecido este meu versejar

    Ser poeta é criar e sofrer todo o dia

    Passar ao papel o que a alma encontrar.



    Este estado de alma que já não ousaria

    Que nos faz sofrer, para me encontrar,

    Deixa o meu corpo quando escrevo poesia,

    Nos poemas que ela cria, para me libertar.


    A ti que mais amo e sem querer

    Se fico triste e te faço sofrer

    Rosa eu te quero, rosas eu te dou.


    E se tu me vires distraído ou disperso

    Uma única coisa eu imploro e peço,

    Espera! A minha alma não regressou.


    Rogério Martins Simões


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