(Imagem - Tempestade - óleo sobre tela -Elisabete Maria Sombreireiro Palma)

Domingo, 4 de Março de 2007

Poemas de Amor e Dor 3 anos de poesia

 

Março de 2004 +++++++++++++++Março de 2007

3 ANOS DE P.A.D.

Foi em 6 de Março de 2004 que criei este blog e iniciei a divulgação da minha poesia: “Poemas de Amor e Dor”.

Quando criei este blog para divulgar a minha poesia, (aquela que não rasguei, e mais uns quantos poemas) jamais imaginaria que passados três anos este blog tivesse existência.

Ao longo destes 3 anos criei empatia, (ou não) e foi graças a muitos de vós que voltei a escrever poesia quando de todo pensava não mais escrever. A simples razão de eu vos ter encontrado é a verdadeira razão de ter voltado. Com a poesia amansei as minhas dores que embora irreversíveis navegam entre a esperança e a fé…

Escrever poesia é um acto de muito amor - podem crer. É como tivesse uma segunda vida, vida secreta e discreta dirão aqueles que me conhecem e, feitas as contas, nunca deram conta que era poeta – um humilde poeta. No entanto estava ali, quando num simples e genuíno gesto dava passagem a uma senhora ou um lugar sentado aos mais idosos.

Tal como interagi convosco ao longo destes 3 anos, também alguns poetas influenciaram a minha poesia. Está e estará sempre no topo Fernando Pessoa. Mas outros houve, desde meu pai ao grande poeta libanês de nome - Khalil Gibran.

Gibran Khalil Gibran (6 de dezembro de 1883, Bicharre, Líbano - 10 de abril de 1931, Nova Iorque) foi um ensaísta, filósofo, prosador, poeta, conferencista e pintor de origem libanesa. Khalil Gibran produziu uma obra literária marcada pelo misticismo oriental, que alcançou popularidade em todo o mundo. A obra literária de Gibran, acentuadamente romântica e influenciada pela Bíblia, Nietzsche e William Blake, trata de temas como o amor, a amizade, a morte e a natureza, entre outros. Escrita em inglês e árabe, expressa as inclinações religiosas e mística do autor. Sua obra mais conhecida foi Asas Partidas, que fala da primeira história de amor dele.

Seu nome completo é Gibran Khalil Gibran, assim assinando em árabe. Em inglês, preferiu a forma reduzida e ligeiramente modificada de Khalil Gibran.

Texto retirado da Wikipédia, a enciclopédia livre.

É deste grande poeta o poema que quero aqui deixar no mês em que POEMAS DE AMOR E DOR comemora 3 anos de existência.

UM POEMA DO POETA KHALIL GIBRAN

(DO LIVRO “O PROFETA”)

 

O Dom

 

Então um homem rico disse:

- Fala-nos do dom.

 

E ele respondeu:

 

- Dais muito pouco,

Quando dais daquilo que vos pertence.

 

Quando vos dais a vós mesmos

é que dais realmente.

 

Que é aquilo que vos pertence,

senão coisas que conservais ciosamente,

com medo de vir a precisar delas amanhã?

 

E amanhã,

que trará o amanhã

ao cão demasiado prudente

que enterra os ossos na areia movediça

enquanto segue os peregrinos

a caminho da cidade santa?

 

E que é o medo da miséria,

senão a própria miséria?

 

Quando o vosso poço está cheio,

não é o medo â sede

que torna a vossa sede insaciável?

 

Alguns dão pouco

do muito que têm, e fazem isso

em troca do reconhecimento,

e o seu desejo oculto

corrompe os seus dons.

 

Outros têm pouco

e dão tudo.

 

Estes são os que acreditam na vida,

na bondade da vida;

e o seu cofre nunca está vazio.

 

Há quem dê com alegria,

e esta alegria é a sua recompensa.

 

Há quem dê cheio de dores,

e essas dores são o seu baptismo.

 

Há ainda quem dê, inconsciente,

da sua virtude,

sem nisso sentir dor nem alegria.

 

Dão como os mirtos do vale

que a espaços atiram para o céu

o seu perfume.

 

É bom dar quando nos pedem;

e é bom dar sem que nos peçam,

como bons entendedores.

 

E para o homem generoso,

procurar aquele que vai receber

é maior alegria do que dar.

 

E haverá alguma coisa

que possais conservar?

Tudo quanto possuís

será dado um dia.

 

Portanto, dai agora,

para que o tempo de dar seja vosso

e não dos vossos herdeiros.

 

Muitas vezes dizeis:

- Gostava de dar

mas só aos que merecem.

 

As árvores dos vossos pomares

não falam assim,

nem os rebanhos das vossas devesas.

 

Dão para poderem viver,

porque guardar é perecer.

 

Por certo

aquele que é digno de receber

os seus dias e as suas noites,

é digno de receber de vós

tudo o resto.

 

E aquele que mereceu

beber do oceano da vida

merece encher a sua taça

do vosso regato.

 

E que maior merecimento

do que aquele que reside

não na caridade,

mas na coragem e na confiança

de receber?

 

E quem sois vós

para que os homens

devam rasgar o peito diante de vós,

vencendo o orgulho,

para poderdes ver o seu mérito

a descoberto

e a sua altivez manifesta?

 

Procurai primeiro

merecerdes ser doadores

e instrumentos de doação.

Porque, em verdade,

é a vida que dá à vida,

e quando julgais ser doadores,

sois apenas testemunhas.

 

E vós que recebeis

- e todos sois recebedores–

não atireis para cima de vós

o peso da gratidão,

sob pena de impordes um jugo

a vós mesmos e àquele que dá.

Mas elevai-vos

juntamente com o doador,

usando os dons como asas.

 

Porque ligar demasiada importância

à vossa divida

é duvidar da sua generosidade,

que tem por mãe a Terra magnânima

e Deus como Pai.

ano do poema: KHALIL GIBRAN
publicado por poetaromasi às 21:55
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Comentários:
De fresca3 a 5 de Março de 2007 às 08:27
olá, continua a escrever, tenho gostado muito dos teus poemas...

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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