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Quarta-feira, 20 de Junho de 2007

A minha poesia de homem solto

 

 

 

A MINHA POESIA DE HOMEM SOLTO
Rogério Martins Simões
 
Lancei ao vento
O meu pensamento emigrante
A minha poesia de homem solto.
E colhi por cada palavra
A aragem fresca da manhã.
 
E disse-me suor do campo:
-Toma o meu pólen de flor liberta
E compartilhemos o saco da fruta madura.
 
Lancei ao vento
O meu pensamento emigrante
A minha poesia de homem solto.
E tomei, de madrugada,
O mata-bicho em fato-macaco.
 
E disse-me o sujo de fábrica:
-Toma o arado
A faca feita por mim
E partilhemos o saco da fruta madura.
 
Lancei ao vento
O meu pensamento emigrante
A minha poesia de homem solto
E colhi por cada palavra
Na palavra, a onda calma.
 
E disse-me o mestre da traineira
- Toma esta rede
Come este cardume de vida
Tão cheio dos nossos mortos
E repartamos o saco da fruta madura.
 
Lancei ao vento
O meu pensamento emigrante,
A minha poesia de homem solto,
E colhi em toda a palavra
Um estilo novo
Numa amizade velha
E num arranha-céus da construção civil
Petiscámos todos:
O peixe vivo.
A carne fresca.
A fruta madura.
O mosto da uva.
Servidos pelo pólen da poesia livre
Colhendo a cada instante
A união do trabalho das forças produtivas.
 
Deixo-vos aqui
O meu pensamento emigrante
A minha poesia de homem solto…
 
1984
ano do poema: 1984
publicado por poetaromasi às 00:00
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Comentários:
De poesianunorita a 20 de Junho de 2007 às 15:25
Continue a lançar ao vento o seu pensamento emigrante, porque o vento é bom conselheiro, como se pode ver por este magnifico poema.
Gostei muito.
Cumprimentos

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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