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Quinta-feira, 9 de Agosto de 2007

Abismo pátrio

 

 

Abismo pátrio

José Baião Santos

 

trago de volta a lua sonâmbula

de álamos e alma articulável

dois dedos fazem grande diferença

na forma de segurar uma criança

 

trago na consciência sinos bizarros, alarmes falsos

só de ver os palcos adoecer no leito dos versos

ser afinal um, entre pusilânimes e ascetas

que de tanto voar se diz descendente de profetas

 

trago nacos de fome dentro do alforge

para matar serpentes neste meu abismo solitário

e quando se ouvir o arrastar das correntes

já estarei livre de salafrários e de impotentes

 

para quê cuidar dos jardins

enrolar o sémen das palavras ao coração

fingindo que todas as estrelas permanecem deitadas

nas margens fósseis dos rios das levadas

 

estou prestes a cair - a qualquer momento

posso contrair uma lesão multicelular

exposta     Mas fiquem a saber que

me é tão indiferente rasgar as unhas ao nevoeiro

ou cantar à desgarrada

para salvar o que resta da pátria e da musa deificada

diante do busto inacabado dum poeta caeiro

 

 

 

Aquele abraço

7/03/2007

José Baião Santos

 

(correspondência entre poetas)

 

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página
ano do poema: José Baião Santos
Notas: Correspondência entre poetas
publicado por poetaromasi às 21:43
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Comentários:
De poetaromasi a 10 de Agosto de 2007 às 14:30
Amigo José Baião

Escrevo-te estas curtas palavras para agradecer este nosso diálogo, esta nossa correspondência, por E-mail. Como te disse resolvi, com tua autorização, editar no meu blog os teus belos poemas. Sinto alguma tristeza de quem te leu não te ter dirigido alguma palavra de incentivo e de apreço à tua linda poesia.

Já o tinha dito e volto a dizer: este meu blog destinava-se a dar a conhecer a minha poesia. No mês que antecede, editei aqui alguns dos poemas da poetisa brasileira Efigénia Coutinho e se o fiz não foi pelo facto da poetisa ter divulgador a minha poesia no Brasil, mas, tão só, pela qualidade poética.

O que escrevi para a Efigénia destina-se também a ti e o mesmo se pode dizer de Daniel Cristal e da Célia.

Terminamos hoje este pequeno ensaio com três quadras que resolvi aqui colocar para não desvirtuar a nossa tertúlia.

Vou terminar formulando um desejo: que este blog tenha sido o veículo para alargar os teus admiradores e dizer que os livros do Zé estão em algumas prateleiras de livrarias. Os meus poemas andam por aí…

Obrigado Zé pelo teu apoio e pela forma como dás vida aos meus melhores poemas. Escutar a minha poesia recitada por ti é dar outra vida aos poemas.

Fico á espera dos poemas que aqui queres colocar e o mesmo digo à Efigénia Coutinho, ao Daniel Cristal e à Célia. Quanto à poesia do meu mestre e pai com 85 anos é prata da casa.
Aquele Abraço
Rogério Martins Simões

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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