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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Carta aberta ao Poeta José Baião

 

 

 

 

 

Zé Baião, um abraço

 

Estou aqui em “pulgas” para saber como decorreu o sarau poético. Contigo no comando estou certo que tudo correu bem.

E o meu poema foi bem aceite?

E será que alguma vez o irá ser - no tempo?

Fico feliz por saber que representas um grupo por onde a poesia se passeia no conforto das palavras.

Além de mais és poeta e criei contigo uma empatia de poeta para poeta. Por isso desculpa estar para aqui a escrever, num tempo de Outono esquisito em que o calor da noite não me deixa dormir, porque afinal a mão direita ainda escreve…

Que desconforto seria para mim se não conseguisse escrever. Os poetas são uns operários da caneta e trazem pensamentos errantes que debutam no papel. Que papel nos está reservado? Serei poeta?

Quanto a mim que nada sou, serei o que o destino quiser, porém, sou poeta:

Um poeta sonhador que tantas vezes lhe roubaram os sonhos.

Hoje estou nesta! Enquanto houver alguém a procurar a minha poesia não irei desistir de a escrever ou de a chorar.

Ainda hoje um colega nosso me dizia que tinha visitado o meu blog no Sapo e que estava impressionado ao ponto de se identificar com ela. Já não é a primeira vez que o dizem! Foi por isso que voltei a escrever parando de rasgar como era meu hábito fazer.

Ainda bem que estás virado para organizares e recitares poesia. Tivesse saúde tentaria fazê-lo como tu o bem fazes.

Hoje apetece-me reflectir em vez de escrever poesia e para não falar para as quatro paredes resolvi escrever-te, aditando palavras, com palavras que hoje tenho espalhado por aí.

Pergunto muitas vezes:

Que faço com estes versos?

Sentir-se-ia desconfortável o lixo com o peso dos versos?

Em Portugal quem liga à poesia?

E se eu os mandasse mesmo para o lixo não suavizariam o mau odor que por aí anda de saltos altos…

Vou terminar.

Pouco me importa que em Portugal a poesia não tenha expressão! Só me entristece que no dia de Camões e de Portugal pouco se fale de poesia

Zé! E se em vez de medalhas, no 10 de Junho, condecorassem com poemas dos Lusíadas ou com versos de Caeiro?   

Camões tem poesia para todos os gostos. Antes, nas escolas, ensinava-se os Lusíadas, agora nem um só canto. Quantos conhecem a sua lírica? As chamadas elites culturais?

No meu caso nada de elites - sou povo! Como é enorme o povo em – Pessoa!

Meu pai e mestre, como não tinha rendimentos para nos dar sobremesas à refeição, enchia-nos o prato com saborosos poemas – os seus e os dos grandes poetas. Mas isto é pelintrice e pouco importa. Importa é estar na berra, importa é mandar umas tretas para que o povo se entretenha e não pense.

Por mim não quero que pensem! O problema é que um dia o povo irá acordar e vai ser terrível!

Tudo mudou e sem poesia o mundo é menos sonhador e mais desumano

Repara amigo - quando se escreve poesia não está só! Não estamos sós!

A poesia enche-nos a casa de lágrima ou de sorrisos e reverte os sonhos desfeitos em estrelas cadentes para voltarmos de novo a sonhar. Estamos sozinhos quando as paredes emparedam os pensamentos e nem uma só lágrima se verte.

Há pouco visitámos um amigo que está num lar, um bom lar! Que lar substitui a família! Curioso! Chegámos a casa os dois fatigados e estivemos com sono durante umas horas. Agora acordei e estou nesta:

Carta para o Baião!

Carta a um poeta!

O que é a poesia?

O que é ser poeta?

A poesia é a magia que espreita a ponta dos dedos esborratados de tinta…

Ser poeta é quase morrer e renascer num canto ou num verso.

Paro, tenho de parar, porque amanhã voltarei à rotina e sem rotina não tenho possibilidade de viver.

Todos andamos num carreiro, para cá e para lá sem saber ao que vamos. Andamos, corremos, pensamos como fazer para sobreviver e não vemos! Como podemos ver se nada há para ver e se vemos teremos de parar para reflectir?

Deixam-te reflectir?

Que reflexão fazemos nas nossas vidas?

Quantas televisões temos em casa?

Quantos tabuleiros se enchem de pratos no desconforto da mesa vazia?

Porque esfria a comida na espera e cresce bolor no pão que não sobra?

Que desconforto quando não há poesia!

Saudades

Rogério Martins Simões

ano do poema: Carta aberta
publicado por poetaromasi às 01:48
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Comentários:
De Su a 8 de Novembro de 2007 às 20:37
Encontrei este blog por acaso...e não posso por acaso deixar de comentar.
Espero que tenha noticias positivas.
Temos uma coisa em comum o gosto pelas palavras...é bom escrever o que nos vai na alma.

Beijos na doce magia da Amizade.
De Maria Valadas a 5 de Novembro de 2009 às 04:02
Rogério... NUNCA pare de escrever a poesia que transborda por todos os poros da sua pele.

Venho do Facebook... e tenho-o lá como amigo... mas com enorme prazer!

Escreva... NÂO PARE!

Beijos da

Naria Valadas


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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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