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Terça-feira, 27 de Novembro de 2007

Com um cálice de vinho

(Mestre POETA

DANIEL CRISTAL,

Armando Figueiredo)

 

 

Com um cálice de Vinho

DANIEL CRISTAL

 

Um cálice de vinho celebra a vida
E trapaça a morte pela embriaguez!
Somos dois num só nessa taça erguida
E se juntarmos Baco então somos três.

Bebendo mais um cálice somos tetra:
eu, tu e o vinho, talvez mais o Baco;
o terceiro aquece e o quarto não peca!
Pra ti fica sempre o melhor naco...

Com um cálice de vinho não há morte
porque aqui Belzebu perde a frescura
- teu odor de mosto é o que me calha em sorte
e junta meu néctar à tua candura.

Ofereces-me o leito, a espuma e a lua
na dança que seguimos da concertina;
a noite é felina, e tu estás nua,
e é fina a canção que nos ilumina...

Mais vinho no cálice faz arder a alma;
despe já as parras que estorvam a palma
- Não pares, amor, chupa o mel da colmeia
até que o sangue sorva a Lua cheia...

Com mais vinho no copo ficas ígnea
e haverá mais tesão e frenesim;
é mel lambido na boca benigna
na forma de bolinho, creme ou pudim...

Ai, amor, que tens a boca sem manhas
que exalas o aroma mais fresco do mundo
e me dás as entranhas e as artimanhas
o esplendor da trapaça é gozo rotundo!

 

Mais palavras para quê? Só um grande poeta como o é Armando Figueiredo serve a poesia em belos copos de Cristal. Obrigado por partilhar este bom de tinto que o bebi até á exaustão. Estou muito feliz pelo sucesso do grande poeta da língua portuguesa.

Rogério Martins Simões

 

 

ano do poema: Daniel Cristal
publicado por poetaromasi às 01:05
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Comentários:
De poetaromasi a 27 de Novembro de 2007 às 01:21

Terminou o espectáculo VINHO VADIO no Teatro Trindade. Como é de vinho vadio que se trata o artista «diseur» João Brás embebeda-se (salvo seja!) durante a exibição com uma jeropiga carrascona, e depois troca tudo no passo cambaleado, e já não se percebe onde começa Baudelaire e acaba Álvaro de Campos.
Há até um ou outro poeta que não aparece dito nas sequências, ainda que esteja escarrapachado e divulgado nos programas e nas colunas do Teatro. Deverá ser o mais borracho mas nem é cantado nem tocado pelos guitarristas e violinista, transformados estes em fantasmas, certamente por causa da ressaca das noites inebriadas. E é por isso que o espectáculo é fenomenal, um fenómeno lisboeta, genuinamente vadio, finoriamente alfacinha.
Armando figueiredo (Daniel cristal)

Obrigado ao poeta
Rogério




De Um Poema a 27 de Novembro de 2007 às 23:54
Obrigado pela visita.
Quem sabe até onde chegam os nossos parentescos.

Armando Figuiredo, um nome a fixar neste país de poetas.
Obrigado pela partilha.

Um abraço
De Download de Musicas Gratis a 30 de Setembro de 2009 às 22:56
Parabéns pelo site. Muito bom.

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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