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Sexta-feira, 17 de Janeiro de 2014

A emigração não é uma viagem de recreio (António Correia Herédia 1876)

Leiam por favor o que no século XIX, sobre a emigração escreveu: António Correia Herédia

(1822 – 1899)

 

Na Biblioteca da Direcção-Geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o consumo encontrava-se, no tempo em que lá trabalhei, um Relatório, em forma de livro, com 130 folhas, editado pela Imprensa Nacional no ano de 1876, intitulado “RELATÓRIO do PROJECTO DE REGULAMENTO GERAL DAS ALFÂNDEGAS pelo Inspector das Alfândegas António Corrêa Heredia”. Penso mesmo que este importante trabalho deveria ser reeditado a bem da cultura portuguesa.

Depois de “folhear” este magnífico trabalho concluí que foi seu autor, António Correia Herédia, um Ilustre colega das Alfândegas Portuguesas que tinha a categoria profissional de Inspector das Alfândegas, chefiando a Alfândega do Porto.

António Herédia inicia do seu relatório, a fls. 3, e passo a transcrever uma ínfima parte para situar no tempo o seu autor. Este magnífico e pioneiro trabalho inclui citações e ideias bem interessantes e, quiçá, a repensar nos dias de hoje:

Referindo-se a uma polémica quanto à emigração da Ilha das Flores para a América do Norte e à livre troca entre as Flores e o Corvo diz entre outras citações a seguinte:

 

“A emigração não é uma viagem de recreio; ninguém abandona com prazer a terra natal; a saudade da pátria é um mal que não tem compensação nem lenitivo. Quando se emigra é porque todas as esperanças acabaram, e porque o futuro, que se antolhava medonho, já deixou de ser futuro, e o infortúnio caiu como rochedo sobre a cabeça da sua vítima que foge quando pode, e tão depressa pode, da terra onde é assim esmagada. E não há direito para dizer ao que de tal modo se separa de uma sociedade mal organizada «não vades, que tendes aqui obrigações para cumprir» ”

 

 

Meco, 17/1/2014

Rogério Martins Simões

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página
publicado por poetaromasi às 23:35
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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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