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Terça-feira, 1 de Abril de 2014

FADO! SÓ FADO

FADO, SÓ FADO…

Rogério Martins Simões

 

Duas vezes por ano sou atendido na consulta de “Movimento” do Hospital dos Capuchos. Estranho nome para designar a consulta de Parkinson. Poderiam até a designar por consulta de “Falta de Movimento” pois é isso que eu sinto.

Pensava que estava bem, isto é, que por estar com menos tremores era sintoma que tudo ia bem. Porém, quando a minha médica me viu levei com uma enorme reprimenda por me recusar a ingerir “Clozapina” face à leitura da respetiva “bula”.

De facto já me tinha apercebido que se tinham agravado os sintomas da discinesia, embora tentasse disfarçar… (Discinesia é a designação que se dá aos movimentos repetitivos involuntários por uso a longo prazo e/ou em doses altas de medicamentos antagonistas da dopamina.)

Mal cheguei a casa, e depois de andar de site em site, estou convencido que tenho de ingerir a Clozapina para combater a Discinesia. Porém cresce a minha tristeza, esta minha dor, que tantas vezes se transforma em coragem. Agora reparo que até me esqueci de marcar nova consulta que de acordo com a minha médica será para daqui a 8 meses. Até lá terei de trocar a palavra desistir por ingerir…

Meco, 1/4/2014

CONSULTA DE ROTINA

 

Rogério Martins Simões

 

Regresso ao hospital

À consulta de rotina.

Espero! Não faz mal!

Tiro a senha

Que sina…

Olho em redor

Todos diferentes!

Todos iguais!

Afinal, na dor,

Quem nos distingue

Dos demais?

Hoje não cedo…

Aqui, o sofrimento

Perdeu a vergonha!

Tremo!

- Mão fora do bolso!

Aqui não temo

Aqui não tenho medo…

Quem me distingue

Dos demais?

Hospital dos Capuchos, Junho de 2004

 

FADO! SÓ FADO

Rogério Martins Simões

 

Lisboa

Não te incomodes

Comigo

Deixa secar as lágrimas

Anunciadas…

Em teu xaile preto

E mesmo que acordes.

Nos teus acordes,

Não tenho ais!

Mais,

Para trinar contigo.

 

Tirei a última lágrima

De saudade

Que escorria da varanda

Da minha viela

E reguei com ela

O vazo do manjerico

que o acaso

ou a esperança

me deixou à janela.

 

Porque é que sinto

Esta dor imensa

Que consome

E devora

O canteiro do meu corpo?

 

Não orvalha na cidade…

 Deambulo!

Sai do meu peito

Um lancinante grito

Enquanto meus passos

Despeitam a noite…

Sou viola…sem cordas.

Canto aflito...

Castigo… sem pecado

Cais?!

Barco sem arrais!

Grito?

Fado! Só fado…

 

Lisboa

Não apagues o que resta

Do cheiro a manjerico…

 

 Meco, 02-09-2008 21:48

 

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publicado por poetaromasi às 22:35
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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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