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Sexta-feira, 8 de Julho de 2016

Minha mãe mandou-me à Vila

 

 

Minha mãe mandou-me à Vila

José Augusto Simões

 

Minha mãe mandou-me à Vila,

Enganei-me no caminho,

Quando dei pelo engano,

Já estava em Moninho.

 

Quando eu ia a chegar

Havia festa e arraial.

Segui por outros caminhos.

Fiz encontro no Sobral.

 

Quando estava no Sobral,

Tudo mudou de feições,

Segui por um reles caminho,

Fiz paragem nos Covões.

 

Estando eu nos Covões,

Logo mudei as ideias,

Atravessei o rio Unhais,

Assim, cheguei às Aldeias.

 

À saída das Aldeias

Tomei outra direcção:

Caminhei mais uma hora,

Estava no Vale Serrão

 

Saindo do Vale Serrão

Vi que não tinha sapatos.

Caminhei mais dois quilómetros,

Assim cheguei aos Lobatos.

 

Quando saí dos Lobatos,

Avistei uma serra airosa,

Desci o Cabeço da Urra,

Estava na Pampilhosa.

 

Ao chegar à Pampilhosa,

Armado em papo-seco…

Em vez de seguir prà Póvoa

Fui parar a Pescanseco.

 

Pescanseco terra amiga,

Aí acabou a caminhada:

Comecei a andar à pressa,

A noite estava chegada.

 

Acordei, passou o sonho,

Estava tudo bem certinho:

Não fui a terra nenhuma!

Nem sequer fui a Moninho.

 

Lisboa, 16 de Julho de 2009

publicado por poetaromasi às 22:12
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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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