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Terça-feira, 13 de Novembro de 2012

No relevo do campo

NO RELEVO DO CAMPO

Romasi

Rogério Martins Simões

 

No relevo do campo

Na giesta do mato

Tu te deitas

Eu me tardo

Tu te despes

E meu peito se quebra

Num soluço virgem

Num bater profundo

Como se todo o gesto

Percorresse o próprio gesto

Como se todo o silêncio

Fosse o próprio silêncio.

 

No relevo do campo

Na giesta do mato

Tudo parece acabar

Como que no chão

Tudo morresse.

 

Não!

As flores irão florir

Porque eu terei a força

De as despir.

E do meu gesto

Renascerá o próprio gesto.

 

No relevo do campo

Na giesta do mato

Tu me chamas

Eu me dispo

E num gesto

Cavo o chão

Entro nele

Para bem fundo

Poder fecundar a terra

E florir na Primavera.

12/02/1979

(Registado no Ministério da Cultura

Inspeção-Geral das Atividades Culturais I.G.A.C. Processo n.º 2079/09)

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publicado por poetaromasi às 23:37
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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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