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Quinta-feira, 8 de Agosto de 2013

O Guardador de rebanhos II

 

 

II

 

(Alberto Caeiro)

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...

08.03.1914

Poemas de amor e dor conteúdo da página
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Terça-feira, 6 de Agosto de 2013

O guardador de rebanh...

(Foto Padre Pedro) O Guardador de Rebanhos (1911-1912) Alberto Caeiro I Eu nunca guardei rebanhos, Mas é como se o...

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Sábado, 10 de Outubro de 2009

Poemas inconjuntos

(Óleo sobre tela Mestre REAL BORDALO) Poemas Inconjuntos Alberto Caeiro Se eu morrer novo, Sem poder publicar...

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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