Este blog nasceu em 6 de Março de 2004

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Segunda-feira, 4 de Abril de 2011

Memórias de um inverno em 1954

 

Rogério Simões com 5 anos de idade

 

 

Memórias de um Inverno em 1954

Rogério Martins Simões

 

 

 

De repente, do céu,

esvoaçaram farrapos de algodão

e através da vidraça eu via

que a minha rua se revestia

 Com uma veste branca e fria:

Era o inverno

Que ainda não conhecia…

E apresentava-se esplendoroso

 Ali, ao alcance da mão,

Nevava, em Lisboa, nesse dia.

 

E os meus pais assomaram à janela,

Enquanto, entre os dois,

em bicos de pés eu crescia…

Queria tanto brincar com ela,

E a neve não me via…

 

Bem cedo parti à descoberta.

Nada se sabe

e tanto se descobre no dia-a-dia.

Todos os meninos são marinheiros,

cavaleiros andantes,

que, pouco a pouco, vão sitiando

com olhares e andares

as terras e os mares.

 

Tantas coisas me tinham ensinado...

“Os meninos são marinheiros

São cavaleiros andantes

Os meninos são guerreiros

Homens pequenos, gigantes.”

 

Meu irmão ocupava, agora, o berço

que tinha sido meu.

 Estava irreconhecível;

Era pequeno

e pintado de azul.

Olhava.

Ali estava um menino

parecido comigo,

e eu desejoso por brincar.

 

- Cresce depressa e vem brincar.

- Cresce depressa

para fazeres parte da minha história.

-Sou um menino pequenino,

maior do que tu,

cresce para seres como eu:

Cá em casa tudo é grande…

 

Pelas tábuas da velha casa

jogávamos ao berlinde.

Meu irmão,

olhava o berço que já foi seu,

que já foi meu,

e repetia as mesmas palavras:

- Cresce depressa

para brincares comigo.

 

E a nossa mãe

dava de mamar ao nosso irmão.

E ralhava!

Ralhava connosco,

 ao ver os buracos

feitos no chão.

Havia, agora, três meninos;

Três buracos no chão,

Pequeninos,

do tamanho dos berlindes.

 

O tempo passa depressa

e a escola começara.

Conheci outros meninos

que jogavam ao berlinde na rua.

E tinham abafadores,

berlindes grandes,

com que “abafavam”

os berlindes dos outros…

Aprendi a guerrear…

nunca fiz parte dos fracos…

 

E se por qualquer razão,

A razão que em mim manda,

Certo estava, às vezes não.

 “Escutei sempre o coração

Essa voz que me comanda”.

 

Nunca mais nevou na minha rua!

 

 

 (Memórias)

Lisboa, 2005-02-28

 

 

 

 

 

publicado por poetaromasi às 21:23
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Segunda-feira, 3 de Março de 2008

Voo nas memórias do m...

(Óleo sobre tela Elisabete Maria Sombreireiro Palma) 2008 VOO NAS MEMÓRIAS DO MEU PAI! Rogério Martins Simões ...

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ano do poema: 1998
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Sábado, 25 de Agosto de 2007

CORRO

CORRO Rogério Simões Corro! Meus olhos correm E não me mexo. Mexe-me o silêncio e a grandeza Do pensamento Que não mo...

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ano do poema: 1999
Notas: Rodrigo Leão\Pasión \12 Ave Mundi Rod
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Terça-feira, 19 de Dezembro de 2006

SONHOS DOCES DE NATAL

Sonhos…doces Rogério Simões Mãe, quando é Natal? - Meu filho, hoje é dia de Natal! Mãe! O Menino Jesus não v...

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ano do poema: FELIZ NATAL
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Segunda-feira, 22 de Maio de 2006

Sempre mulher

Sempre mulher (romasi) Maria mijona A caminho da horta Abre as pernas E mija sem cuecas - Rosa do campo! Maria fe...

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ano do poema: 1976
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Terça-feira, 2 de Agosto de 2005

Fui ao Sótão

(fotografia gentilmente cedida pelo Sr. Padre Pedro Pampilhosa da Serra) FUI AO SÓTÃO Rogério Simões Em Março do a...

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ano do poema: inicio do blog em março 2004
publicado por poetaromasi às 22:16
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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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