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Domingo, 11 de Junho de 2017

PALAVRAS E SENTIMENTOS: PARA O MEU FALECIDO PAI

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Palavras e sentimentos; 84º aniversário do meu pai

Rogério Martins Simões

 

Em 2006, no 84º aniversário do meu querido pai, José Augusto Simões, escrevi e dirigi as palavras que seguidamente reproduzo

Dado que as mesmas são genuínas e dão uma perfeita imagem do meu pai resolvi colocá-las aqui, tal como o fiz em 2006 quando as editei no meu blog POEMAS DE AMOR E DOR.

Essas palavras já foram plagiadas, pois as encontrei assinadas por outras pessoas. Por isso lamento pois plagiar sentimentos é dor maior que a imbecilidade de quem se dá ao trabalho de plagiar.  

E com isto não vos ocupo mais tempo. Espero que tenha sido capaz de expressar os meus sentimentos, e a minha admiração, para com um pai. Esta é a homenagem possível, e pública, que presto a meu pai que faleceu passados 10 anos com 94 anos de idade.

Rogério Martins Simões

Meco, 11/06/2017

 

PAI

Hoje, 19 de Maio de 2006, quis Deus que fosse o seu aniversário, e que aniversário meu Deus…: 84 lúcidos anos!

Pai eu sei que no seu bilhete de identidade consta ter nascido a 20 de Maio de 1922. Mas a essa data está errada!

Pai há tantas coisas erradas nos registos!

Se eu procurasse no Registo pela data do seu nascimento havia de ser o “bonito”.

E se eu insistisse, e dissesse que o pai nasceu no dia 19 em vez do dia 20, chamar-me-iam “teimoso” ou “louco varrido”.

É por isso que há por aí tantos loucos, encarcerados na sua sadia loucura, e se verdades dizem não passam de uns insanos.

Às vezes penso: se existem certos actos ditos de loucura, encarados e vistos como tal, eles têm como sublime vantagem de se concretizarem nos sonhos.

Não foram loucos os Santos, e tantas pessoas nobres que se despiram para oferecerem os seus trajes aos pobres!

Não são loucos os sonhadores de um mundo melhor, os que dedicaram toda uma vida a uma causa maior!

Foi loucura viajar no espaço da incerteza e aterrar no império do esplendor como o fez São Francisco de Assis!

Eu sei que sou um sonhador:

nem sempre sou o que pareço!

E se pareço ser o que não sou,

sou aquilo que bem conheço.

Dizia o poeta: que ser poeta é ser fingidor!

- Mas eu não finjo, obrigam-me a fingir!

- Eu não morro, obrigam-me a morrer!

- Eu não sofro, obrigam-me a sofrer!

E se sofrer tanta dor não compensa, ser solidário recompensa exigindo que a vida seja melhor onde a ela exista e aconteça.

Pai! Estas palavras são hoje inteiramente para si apesar de me ter perdido em deambulações.

Quando comecei a escrever, sem ter a menor ideia do que lhe iria dizer, sobravam-me as palavras. Agora, faltam-me as palavras que às vezes tanto me sobram. Mas tenho tantas palavras para si, meu pai!

Ainda há pouco, enquanto conduzia, latejavam-me os sentimentos e tinha na cabeça searas de pensamentos deambulando em movimento.

- Brotavam-me tantas emoções!

- Tantas lembranças!

- Tantas recordações!

Sabe, meu pai, herdei de si esta enorme fortuna que agora sei que desprezam: O sentido da honra; a sensibilidade; a humildade e acima de tudo a honestidade e se rico não fico, com esta riqueza tamanha, é porque me vejo aflito, quando aflito eu fico, para ajudar os seus netos.

Pai parabéns! Porque hoje completa 84 anos.

Como vê, desta vez, não me esqueci, se alguma vez esquecer o esqueci.

Que filho poderá esquecer um ser tão precioso como o pai!?

Recorda-se, meu pai, de nos declamar tanta poesia!?

Tantos poetas! Como este poema de “dia de anos” (ou desenganos), de João de Deus, que o pai recitava, sempre, em seus anos:

Acabo como comecei se acabar eu queria:

Faltam-me as palavras sobra-me a poesia.

 

Mil beijos deste seu filho,

Rogério Martins Simões

Lisboa, 19 de Maio de 2006

e 11 de Junho de 2017

 

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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