(Imagem - Tempestade - óleo sobre tela -Elisabete Maria Sombreireiro Palma)

Domingo, 11 de Maio de 2008

O Céu pode esperar...

 

 

 

O CÉU PODE ESPERAR...

Rogério Martins Simões

 

Com a delicadeza de Tua mão,

Nas Tuas mãos

Com a mão na minha consciência

Consciente dos meus actos

Parcos e isolados

Eu me denuncio

Eu me fortaleço

E cresço

Eu me alindo

E deslindo...

Quem me dera ser

Um pedaço de céu!

Mas o céu pode esperar...

 

Espera!

Devolve-me o meu sorriso

Toca-me ao menos ao de leve

No meu movimento, no rosto

E leva para longe

Esta incerteza...

Este meu desgosto!

 

Vem!

Sopra sobre mim!

 

Pesadas estão as minhas mãos

Que não desarmam

Baralham-se

Confundem-se

Desalinham-se

Desarticulam-se

Que se cuide a natureza

Que me deu este estar

Pois a irei combater

Para ser…

E o céu pode esperar

 

Que Te importa que continue

Qual o mal que isso Te trás?

Traz-me vivo na esperança

Eis a Tua fortaleza

Que aliada à minha fraqueza

Me renova

E cresço

Me alindo

E deslindo

Quem me dera ser

Feliz e não sofrer

E o céu pode ir indo…

Indo para onde quiser

Que espere!

Pois não estou preparado!

 

Coloca as Tuas mãos nos meus cabelos

E deixa-me de novo sorrir.

 

24-01-2005

 

ano do poema: 2005
Notas: \Loreena McKennitt\The Best Of\ Santiago
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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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