DALILA MOURA BAIÃO
POETISA
(IMAGEM do Facebook)
HONRA E GLÓRIA AOS POETAS
Quem segue este blog desde o ano de 2004 sabe, - nunca o escondi - que a poesia que escrevi e escrevo, desde 2002, foi, é, e será sempre influenciada pelo conhecimento, pelo sofrimento, pelos avanços e os recuos, na esperança, de cura da minha doença de Parkinson.
Este estado física agita-se, tal como uma maré revolta, um Adamastor que me desfaz a nau e me leva o coração.
Por mais que lute para me libertar, esquecendo, raramente o consigo fazer. Esta constante agitação consciente, que mexe e remexe na minha mente, tem na poesia que escrevo um grito (catarse) em que pareço morrer, e ao mesmo tempo, me liberta e trás vivo.
Há dias escrevi no "mural" da minha página do FACEBOOK o meu actual estado de alma. Esta agitação, este tremer constante, esta dor na perna esquerda, este medo de "vegetar" num futuro próximo, faz de mim um ser que procura a solidão; que se esconde quando se sente pior. De facto, sinto que pioro, "a olhos vistos", e começo a ter vergonha de enfrentar os olhares...
Hoje, ao visitar a minha página no FACEBOOK, fiquei surpreso e ao mesmo tempo feliz com o belo poema, que a poetisa portuguesa, Dalila Moura Baião, escreveu e me dedicou. POETA DO AMOR E LIBERDADE foi o título que a amiga e poetisa Dalila Moura deu a este seu poema.
Dalila Moura Baião: O meu coração arde de emoção por tão belo poema. Do fundo, bem fundo da minha alma, do local por onde perpassa o encantamento e se esconjuram as dores, transcendem palavras de agradecimento e escapa-se um grito:
HONRA E GLÓRIA AOS POETAS
VIVA A POESIA
OBRIGADO POETISA DALILA
Foto de Rogério Martins Simões
( Pôr-do-sol na Praia das Bicas - Meco)
“POETA DO AMOR E LIBERDADE”
(Ao meu amigo Rogério Simões, com carinho)
O teu poema:
É o grito rasgado que guardas no peito
É o eco lançado no abraço perfeito
Com que enlaças a vida no mar do desejo
De seres marinheiro da palavra viva
Que soltas no olhar…
O teu poema:
É ternura cansada que banhas em esperança
Na dor extenuada que aguarda a mudança
No rio do silêncio que clama, na foz
Do desassossego, que ergues na voz
Aguardando confiança…
Em cais de firmeza.
O teu poema:
É o fio de lua nas tuas mãos de criança
O brilho dourado da estrela que dança
O rumor timbrado da harpa escondida
Que na melodia suave te envolve de vida
Porque o teu poema, mesmo sem ser escrito
Está no teu olhar, na tua vontade
Na tua ternura, que pinta a beleza
Duma alma nobre, onde há liberdade
De ser poesia em cada momento
Lutando e crescendo contra o desalento.
E porque és poeta, do amor e da paz
Onde a liberdade passeia acordada,
Mesmo sem “escreveres”palavras na tela
Num papel visível, num ecrã mostrado,
Está no teu olhar o poema vivo
Nessa poesia, que guardas magoado.
Serás sempre Poeta: Tu foste fadado!
Dalila Moura Baião
05/09/10

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