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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda




Rogério Martins Simões

Cria o teu cartão de visita Poemas de amor e dor conteúdo da página

19.07.05

 

 

 

 

Cesário Verde

(romagem de saudade)

Rogério Martins Simões

 

Num círculo de saudade

Quebrado por ais,

Suspiro e parto

Os poetas partem cedo

Cesário

cedo demais...

 

A manhã cede, a tarde não tarda

Apenas a voz de um guarda

Que me indica o seu terreno fim…

 

Sento-me num banco

Já não há quem ore!

Já não há quem o chore!

Levei-lhe um cravo branco!

19-07-2005

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

13.07.05

 

 

 

 

SOU COMO O REGATO
Rogério Martins Simões
 
Sou como o regato,
Que brota,
Que jorra,
Que vai por aí
Onde a minha alma
me entrega;
Onde a minha alma
me encontre.
 
A paixão confunde!
Desespera!
Cega!
É triste ver partir
quem se ama.
Mais triste
é viver sem amor.
 
Um raio de sol
deitou-se no meu leito.
Todavia é livre.
- É o mais belo amante das estrelas.
 
28-03-2005

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

13.07.05

 

 

(DEGAS)

 

 

 

 

Todo o dia choveu

(Rogério Martins Simões)

 

Hoje, fiquei triste

Por triste ser

E se triste estou

Entristeci ao amanhecer...

Hoje, todo o dia chorei

Quisera ser copo de água

Para afogar a minha mágoa

 

E se mágoa tenho

Para deitar tanta lágrima

Entristeci por perder

E ao perder eu perdi

Perdi até mais não ver

(Se mais ver eu consiga)

Consiga alguém sofrer?!

 

Hoje, todo o dia choveu.

Toda a noite foi de chuva

Estava escuro como breu.

Já goteja na goteira

Já está molhada a lareira

Há quanto tempo não chovia

Há quanto tempo não sofria

E logo tudo num dia

 

Como esta chuva que vai,

Pendurada no meu pranto

Na torrente agita e cai

Rega o prado verdejante

Evapora e enfrenta

O deserto escaldante

E volta ao mar na tormenta…

23-04-2004

 

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

12.07.05

 

Meus pais e prima

 

 

 

Desde muito cedo tomei consciência do sacrifício por que passavam os meus pais para me criarem, para me educarem, para “fazerem de mim um Homem”.
Tal como a generalidade dos Beirões, bem cedo abandonaram as suas aldeias em busca de uma vida melhor. Meu pai nasceu na Póvoa - Pampilhosa da Serra. Minha mãe nasceu na Malhada - Góis, Colmeal. Foi assim que meus pais projectaram nos filhos aquilo que gostariam de ter conseguido e que naquele tempo não lhes fora permitido: ESTUDAR!
 
É interessante ver na árvore genealógica da minha família Simões - da Pampilhosa da Serra – como as famílias eram numerosas e, apesar de tudo isso, todos lá se criaram com muito “engenho e arte”, com imenso sacrifício. Essa força foi mais que suficiente para, emigrando, migrando, conseguirem triunfar na vida, honrando a terra que os viu nascer e partir.
A título de exemplo vejam o caso do artista TONI CARREIRA que nasceu no Concelho da Pampilhosa da Serra, nunca renegou as suas origens, e lá vai estar a animar a festa da Pampilhosa da Serra no próximo dia 15 de Agosto.
 
Tudo isto para vos dizer que não foi em vão o sacrifício dos nossos pais. A minha geração sabe e soube entender desde muito cedo o sacrifício, a dor por que passaram os nossos queridos pais para que tivéssemos uma vida melhor.
 
Não sou diferente dos demais. Nasci em 1949, e a minha sensibilidade, o meu poder de observação, deu para compreender o enorme sacrifício (sofrimento) dos meus pais para todos terem uma vida melhor. O poema que segue foi escrito mesmo como aqui está. Poema sofrido, certamente, mas ao tempo que o escrevi, 1968, esta era a minha forma de escrever poesia.
 
- Minha querida mãe, Isabel Martins de Assunção, que não sabe ler nem escrever – obrigado por tudo o que nos deu, obrigado pelas suas constantes orações para que, num milagre qualquer, Deus me cure da Parkinson. Tenho tanto orgulho por si minha querida mãe!
 
- Meu querido pai, José Augusto Simões, um dos melhores alunos que passou pela escola primária da Pampilhosa da Serra, que com 86 anos tem uma memória invejável e que me ensinou a escrever poesia - obrigado por nos ter feito HOMENS. Tenho tanto orgulho em si meu querido pai.
Deixo o poema tal como um dia em 1969 o dei a conhecer a meus pais.
Sejam todos felizes.
Rogério Martins Simões


 

 

SOB LÁGRIMAS A CHORAR
Rogério Martins Simões
 
Talvez porque o dia seja triste
e eu encontre nele o vosso olhar
Hoje resolvi escrever
para sempre vos recordar.
Tantos trabalhos, amarguras,
e vós só contais com desgostos:
- Talvez porque o dia seja triste
Eu vos venha aqui versar.
 
Pergunto a mim mesmo:
Que prazeres vós tivestes?
Sem uma alegria
Sempre a trabalhar!
E ainda mal desapareceu a luz do dia,
já vos estais a levantar.
- Talvez porque o dia seja triste
 e me encontre a meditar.
 
A torrente da vida arremessa,
lança as dificuldades, e nós,
vossos filhos, não olhamos as realidades:
Não vemos o vosso rosto cansado!
- Talvez porque o dia seja triste
 encontre nele o vosso olhar.
 
De sangue é o dinheiro
Com ele se faz um curso
Triste curso endinheirado
que a vós vos tira a vida.
Pelo sangue renovado!
Pelo curso, pela vida,
a vós, meus queridos pais,
obrigado!
- Talvez porque o dia seja triste
encontre nele o vosso olhar.
 
E vós minha mãe
que ainda hoje me confortaste
Porque é que ocultaste
esse vosso rosto preocupado?
E vós meu pai que ainda agora chegaste
 com o corpo suado
Porque não tem a alegria
de um suave bocado?
 
Eu, vosso filho, escrevi a poesia,
 de lágrimas, a chorar.
Mesmo assim pergunto ao céu
O porquê do meu versar:
- Talvez porque o dia seja triste
E eu encontre nele o vosso olhar!
 
Lisboa, 19 de Fevereiro de 1969
Rogério Martins Simões
 

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

11.07.05

 

 

Quando os ideais desgastaram as nossas vidas

sofremos mais

ao não vermos nada....

Rogério Martins Simões

 

 

 

 

ANSEIO
Romasi
 
Quisera ser poeta
Mas não de uma elite ultrapassada
Um poeta sem nome
Sem cor ou raça
Apenas um poeta
 
Gostaria de ter palavras doces
Mas só me saem palavras duras
E difíceis de roer
Queria ser livre
Para poder encontrar
O que quero ler…
Para poder estudar
o que quero aprender...
Mas não!
Só a minha cabeça se levanta
E nesta tristeza
A que muitos chamam de nada…
Que me faz sofrer
Que me faz pensar
Resta uma certeza:
Não serei poeta
Mas, continuarei a lutar!
 
Lisboa, 1973
 

Certamente que estes poemas nada dizem a quem só viveu em liberdade. Apesar disso resolvi editar estes meus poemas antigos pois está na hora de continuar a lutar!

Rogério

 

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

11.07.05

 

 

 

COTAÇÃO DE HOJE
Romasi
Rogério Martins Simões
 
Acções, poucas e más…
Tendência?
Para baixarem!
Quem as tem?
Poucos!
 
Volto a comprar meia dúzia
Olha! Baixou a cotação!
Volto a vender
Volto a perder
E os poucos compraram
As meias dúzias…
Acções quem as tem?
Poucos!
 
Olha! Voltaram a subir…
Volto a comprar
Voltam a cair!
Volto a vender
Volto a perder
 
Lucros quem os tem
Poucos…
 
Lisboa, 24/4/1974
Poemas de amor e dor conteúdo da página

10.07.05

 

 

(Monett)

 

(mais uns quantos poemas antigos que os arrumarei neste blog no ano de 2005)

 

 

 

DEU VENTO NA CARAVELA
Romasi
 
Deu vento na caravela
E a caravela de Gama
Partiu com escravos à vela
E à vela
Chegou o ouro, a pimenta,
E a canela
Aos mercados de Lisboa.
 
Deu vento na caravela
E a caravela
Partiu com escravos à vela
E foi à vela
Que descobriram trabalho
Nas fábricas de Amesterdão
 
Deu vento na caravela
E a caravela
Levou a força motriz
Dos operários à vela
E foi à vela…
Que navegaram…
Nos esgotos de Paris.
 
Sopraram na caravela
E assim se descobriu
à vela
O caminho
à emigração
portuguesa.
 
1975

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

06.07.05



(Foto gentilmente cedida pelo Sr Padre Pedro -Pampilhosa da Serra)
 
1ª RAZÃO!
Recebi em Novembro neste livro de poesia este comentário que, dado o seu significado passo a transcrever:
Olá, Sou do Brasil e tenho um primo de 31 anos com Mal de Parkinson. Vive tomando esses remédios, mas de um tempo para cá está pior, tem muita tremedeira, sua voz já fica estremecida e seus passos já não estão tão firmes. Procuro todas as informações que posso sobre a doença pela Internet, mas a maioria não é traduzida o que dificulta muito em poder ajudá-lo. Gostaria muito se possível de obter informações sobre o Mal de Parkinson, suas pesquisas e tratamentos mais modernos, grupos de ajuda e tudo que poderá facilitar a vida do meu primo Roberto tão novo, tem uma menina de 2 aninhos, que irá completar dia 08/11 próximo.
Sinto em seus olhos uma tristeza sem tamanho que me comove, e resolvi fazer a minha parte para ajudá-lo. Foi DEUS que me fez achar o seu site. Espero obter respostas em breve.
Muito Obrigada.
JÔ (Brasil)
Sou filha de Português, meu paizinho era de Ancas – Anadia.
 
2ª RAZÃO!
 
Por vezes devemos parar para reflectir e não ir por onde a paixão nos leva.
Por hora ando por aí procurando ser…
Confesso que gosto de escrever.
Talvez por isso conheça o peso das palavras, mas não chega. E se DEUS me deu este caminho, que eu seja diferente…pelo menos um bocadinho…
O meu 1º objectivo, construir um blog para os doentes que sofrem de Parkinson, foi alcançado e espero que ele seja um elo de ligação entre os doentes, as suas famílias e os profissionais de saúde.
O blog está aberto a todos, quiçá, à procura da pílula milagrosa.
Falando desta doença: Sabiam que oficialmente existem mais de 50.000 doentes com Parkinson em Portugal.
Sabiam que também há jovens portadores desta doença.
Eis a razão do meu afastamento: sem estar longe, pois estou aqui perto, estarei um pouco mais ao serviço dos outros e de mim.
E quando escrevo, como estou a fazê-lo neste momento sem qualquer preocupação literária, surgem turbilhões de palavras e os pensamentos que mexem no meu coração.
 
3ª RAZÃO!
 
Há uns anos, ali para os lados das Amoreiras, reparei num homem alto, de tês escura, que caminhava com dificuldade, tremia bastante e quase tombava.
De repente reparei: aquele homem não me era estranho! Afinal ele tinha sido meu colega de equipa de atletismo no “Sporting Clube de Portugal”.
Porém, vi sem ver!
Não consegui reagir, fiquei sem forças, ou melhor, sem coragem para lhe ir falar.
Voltando ao meu antigo colega e amigo, recordista nacional absoluto do triplo salto e do salto em comprimento, vi e não parei! Vi e não fui solidário.
Quem diria!? A vida tem destas coisas…prega partidas e, quando damos por isso, já vamos tarde.
Eis mais uma razão para este trabalho, para este empenho.
Quero neste momento dedicar todo este meu trabalho, em favor dos doentes que sofrem de Parkinson ao Grande Campeão ao meu amigo, com quem tanto conversei, já depois de ter abandonado o atletismo, sobre a sua Angola.
 
CONCLUSÃO FINAL
Se…se tivéssemos tempo poderíamos fazer mais, muito mais.
Nas nossas vidas haverá sempre sessssss…
Na minha vida tive 3 grandes paixões: a: poesia, a arqueologia e o atletismo. Pratiquei as 3, deixei o atletismo por ter casado bem cedo, agora resta-me a poesia que se adia e vou tentar fazer qualquer coisa no blog de Parkinson.
Mas há tanto a fazer! A Tarefa não será fácil pois sinto falta de colaboração.
Agradeço a todos e espero que alguns me ajudem.
Vou finalizar com a última frase que ontem escrevi num e-mail. Sou um poeta sonhador que respira poesia e gosto de escrever. Adorava ter o dom do conhecimento científico para curar toda a gente, inclusivo os deserdados, os abandonados e os que estão sós.
 
Nota de abertura do blog de Parkinson
Certo dia o céu desabou em mim: Fiquei a saber que sofria do Mal de Parkinson.
Com o impacto parecia ter ficado derrotado, porém não sou homem para desistir.
A partir por daí procurei conhecer a doença – só em Portugal existem mais de 50.000 doentes e milhões por todo o mundo.
Conheci Associações, Laboratórios, Hospitais, Centros de investigação e pessoas de que procuram com amor, ajudar a minorar o sofrimento dos doentes, das suas famílias, dos amigos e conhecidos. Reconheci nos profissionais de saúde, na classe médica e nos cientistas em geral muita doação muita disponibilidade colocando todo o saber ao serviço da colectividade.
Encetei contactos com ilustres amigos do Brasil e com a Dra. ANNE FROBERT formada em medicina pela Universidade Claude Bernard de Lyon, na França, especializada em cirurgia do cancro ginecológico, e todos se prontificaram a colaborar.
Com este conhecimento, aproveitei este livro de poesia para divulgar alguns textos e locais de ajuda.
Mas não chega!
Contactei com algumas pessoas, doentes como eu, e resolvi dar inicio um novo ciclo, construindo, com os meus parcos conhecimentos, um BLOG consagrado aos doentes que sofrem de PARKINSON.
“Sofrer em silêncio e com dignidade é, para mim, o lema de todos os doentes de Parkinson”.
Conhecer os sintomas, os avanços na ciência e falar da doença será para nós um enorme passo para minorar os estragos causados pela Parkinson.
E se, a tudo isto, juntarmos uma “pitada de amor”, sem “lamechas, então as nossas e as vossas almas serão luz e um exemplo para esta sociedade que está a ficar insensível e egoísta.
A colaboração de todos vai ser preciosa para melhorar a qualidade de vida com a dignidade que todos merecemos.
Finalizo.
Durante estes últimos dois anos tenho pedido a Deus, à vida ou ao Universo para ter coragem.
Pegando nas palavras da brilhante escritora e jornalista, Laurinda Alves:
“Eu pedi coragem e Deus deu-me obstáculos para superar.”
Sejamos felizes.
Rogério Simões
19-11-2004 22:48:31
PARTIDA LARGADA SEGUIDA
Quando eu era menino, ainda meus sonhos mal se abriam, fazia corridas, com os outros meninos, pelas ruas e calçadas do meu bairro em Lisboa.
Os anos passaram e continuei a correr - fui até campeão Nacional de atletismo na equipa do Sporting Clube de Portugal.
Finalmente a doença de Parkinson parou a minha corrida física, porém não parou a minha vontade para lutar.
Fisicamente dou ainda umas voltitas... mas não vou desistir e já ando "correr" à procura de conhecimento sobre esta doença.
Construir um Blog em Portugal sobre o mal de Parkinson, foi o caminho que tracei para ajudar os doentes portadores desta doença.
Chamei ao Blog Blog de Parkinson PT e ao outro Parkinson.blogs.sapo.pt.
Volto à corrida! Mesmo sabendo que só posso contar comigo...
Recordando as palavras daqueles meninos quando os sonhos ainda mal sentiam:
PARTIDA        LARGADA   SEGUIDA!
Rogério Simões

(21/10/2004)

 

 

POEMAS DE AMOR E DOR

Mais algumas palavras de agradecimento

 

No dia 26/3/20004 escrevia, assim no meu blog: amanhã dia 27/3/2004 pelas 17 horas vai ser editado um caderno com 12 poemas que retirei da gaveta.

Será o caderno n.º 41 da Colecção “Índex Poesis” uma iniciativa da Ermelinda Toscano, a quem agradeço.

Não poderia deixar de agradecer a “quem” me aconselhou a visitar o Blog de divulgação de cultura que eu já incluo nos favoritos.

Uma palavra de reconhecimento e gratidão para a autora da feliz ideia de divulgar a poesia e os novos poetas, com o título “Uma dúzia de páginas de poesia”, no Café com Letras, sito na Rua Cândido dos Reis, n.º 88, Cacilhas – 2800-297 – Almada, durante a sessão de << poesia vadia >>.

Citando Ermelinda Toscano “para que a poesia nunca mais fique aprisionada nas gavetas da memória, ou esquecida numa folha de papel que ninguém lê”.

Para recordar a o dia em que publico, pela primeira vez 12 poemas, dou a conhecer um dos meus primeiros trabalhos que não rasguei.

Obrigado, e que vivam os poetas e a poesia.

ROMASI

Hoje, 23/12/006, passados que são quase dois anos, volto a agradecer publicamente aos amigos e poetas da Cidade de Almada, por não me terem esquecido, tanto lhes devo. Foi editada uma colectânea de poemas, um por cada poeta, onde estou representado, num livro intitulado “Índex Poesis”.

Este livro teve apoios entre outros, da Assembleia Distrital de Lisboa; da Câmara Municipal de Almada – Casa Municipal da Juventude; do Museu da República do Rio de Janeiro e das Juntas de Freguesia. (ISBN 972-99390-8-X e Depósito Legal 249244/06)

Edição do “FAROL – Associação de Cidadania de Cacilhas e SCALA – Sociedade Cultural de Artes e letras de Almada.

Hoje, quero mais uma vez abraçar aquela que não deixou que continuasse a rasgar a minha poesia: chama-se Maria Ermelinda Toscano.

Só mais umas curtas palavras para com os amigos de Almada. Todos sabem, como gosto de poesia. Não comparecer pode ser um gesto mal entendido. Não o vejam assim, pois, a poesia comove tanto a minha alma que, quando a tento declamar em público um poema de que gosto, tudo treme e é nestas ocasiões que se vêm a saber que afinal tenho Parkinson.

E porque é Natal quero fazer mais agradecimentos.

Outros dois amigos, da primeira hora, que estiveram no pequeno grupo de apoio expressos à poesia que escrevo são:

EFIGÉNIA COUTINHO

DANIEL CRISTAL (ARMANDO FIGUEIREDO)

Ambos são poetas, ambos aceitaram a minha poesia na sua página “SALA DOS POETAS” desde 2004

A Efigénia é Brasileira e o Daniel Cristal é Português.

A Efigénia é uma rainha, reconhecida por todos
O Daniel Cristal é um talento comparável aos melhores poetas portugueses. Como humilde poeta que o sou; porque gosto muito da boa poesia – considero Daniel Cristal um dos maiores sonetistas que conheço.

O nosso Portugal precisa de conhecer a poesia do grande português Armando Figueiredo

Este é então o meu segundo agradecimento e reconhecimento.

3º Agradecimento vai para o poeta Ferol Fernando de Oliveira, que me recebeu no seu site “o Dono da Loja - Editor de Poesia”

Este poeta português tinha um sonho: que cada poeta escrevesse um poema para que todos os poetas, de todas as nações, dessem as mãos e unidos pela palavra construir um mundo melhor.

O sonho do Dono da loja está vivo e a sua obra continua com Roberto Oliveira, Brasileiro, que deu corpo ao site e construiu o MUNDO POETA. Obrigado aos dois pela confiança e pela divulgação da minha poesia.

4º Ficam aqui mais alguns agradecimentos para a minha mulher e companheira a Bete que é a primeira pessoa que lê os meus poemas, e logicamente a primeira opinião. Á Bete devo tudo e só uma grande mulher consegue “aturar” os estados de alma de um poeta.

Depois, sem qualquer ordem especial, estão todos os que me aturaram quando lhes lia os poemas que escrevia, nomeadamente: os meus actuais colegas de trabalho; os antigos colegas de uma empresa do sector do turismo onde trabalhei como director financeiro; os antigos colegas das Caixas de Previdência; das escolas por onde andei; da arqueologia e de S. Vicente de Fora..

Finalmente para os que me apoiaram nos seus blogs; colocaram links; comentaram e fizeram críticas construtivas.

Vou terminar pedindo desculpa àqueles que não deixei o nome, mas são tantos!

E para vós que me visitais eu vos agradeço pelo apoio demonstrado ao longo de quase 3 anos. Foi por vós que depois de ter desistido em finais de 2005 voltei em meados de 2006.

A minha poesia não está à venda.

A minha poesia serve-se como quem dá um copo de água.

Serve-se com alguma alegria, mas na maior parte das vezes com muita mágoa.

Mas isto pouco importa. È Natal tempo de renovação dos nossos sonhos de menino.

É Natal e hipocritamente melhora-se o rancho àqueles para os quais a vida foi madrasta. É Natal e entulham-se nos caixotes de lixo toneladas de papel com que se embrulham os sonhos ou aquilo que o comércio nos conseguiu impingir.

No dia 27 tudo acaba na lixeira e todos nós participamos no abate desenfreado de árvores. Todos contribuímos para este sufoco da terra mãe.

Vou tentar acabar esta mensagem com alguma esperança e fé algumas das quais escrevi para a doce amiga CRIS a pensar na sua sobrinha.

Sou um poeta que já se revoltou contra a natureza!

Esta força que eu descobri errando e tendo Ele dado sinais que me permitiram de novo a Vê-lo, nos mais insignificantes acenos, tem dado a coragem para enfrentar esta segunda leva de provação – a minha Parkinson.

Então, conduzido pela fé e temperança, sem estar resignado, estou lutando para que esta barreira de “algodão”, que levita no meu corpo, não passe de uma simples aragem.

É por isso que tenho tentado fazer algo por mim nomeadamente conhecendo e sabendo deste mal. Depois há a minha fé, deposito NELE toda a minha força, e com essa força redobrada encaro as coisas como uma não fatalidade.

Por isso tenho ido à luta tentando ultrapassar os sintomas da minha doença e acreditando que amanhã haverá um milagre qualquer que me traga de volta mais alegria para viver.

Há uns anos pensava eu estar na razão, como que a razão estivesse sempre do meu lado, resolvi escrever um livro inteiro de poesia, dura e, crua de revolta, visando alguns valores em que eu acredito e me suportam.

O meu filho, quando tinha 18 meses, deixou de andar. A cabecita tombava como se fosse um boneco, fizeram-lhe uma punção e o diagnóstico era cruel: encefalite. Por um qualquer milagre não morreu nem ficou incapacitado, mas adveio uma epilepsia – o grande mal – e eu fiquei revoltado.

De falha em falha ruiu o meu casamento, foi sempre um fracasso, e eu fiquei revoltado.

De revolta escrevi tanto poema…

Depois, quando a minha alma disse quanto eu estava errado, rasguei o livro contra a casa Dele (a minha), queimei os rascunhos, pedi-Lhe perdão e prometi não mais invocar o Seu nome em vão.

Na verdade, toda essa poesia tinha sida escrita num grito de revolta, por me ter trocado as voltas, e tudo o que tinha planificado para a minha vida tinha e estava a desmoronar-se.

Afinal, depois de ter professado a minha fé, que tanto me elevou, não conseguia entender a razão por tudo me ter saído errado.

Abandonei o atletismo, dediquei-me aos filhos, errei, voltei a errar, levantei-me, voltei a cair, aprendi com os meus erros e defeitos que a culpa está em nós e não num Deus qualquer.

Quando se escreve com laivos de revolta tudo pode parecer bonito mas às vezes passado algum tempo, é tempo de arrependimento.

Pois bem, ainda bem que rasguei a poesia! Eu estava errado – afinal Ele tinha testado a minha fé e eu fracassei.

Hoje sei quanto estava errado e até o meu filho não tem convulsões e reconheço que em 1971 o meu filho se salvou pela fé que nessa altura, depositava Nele.

Há uns anos fui operado no I.P.O e fiquei feliz por tudo não ter passado de um grande susto. Recomecei a olhar… e vi o sol às cores, e aprendi a dar outro valor às coisas por mais insignificantes pareçam.

Eu sei que às vezes me vou abaixo... mas quando pareço estar a bater no fundo há uma força qualquer que se renova e desdobra e me dá alento.

Durante mais de 25 anos andei, aos Sábados, pelos caminhos da arqueologia – a minha grande paixão. Certo dia, ao escavar uma sepultura medieval, deparei com aquilo que restava do que tinha sido uma sola de um sapato que supostamente pertenceu a um defunto.

Reparei naquela sola: estava metida no meio duma forte e grossa raiz.

Vi! Que através dos furos, feitos na sola pelo sapateiro, passavam raízes daquela enorme árvore. Afinal a raiz grossa ramificou-se para ultrapassou o obstáculo e voltou a reunir-se mais à frente formando novamente uma raiz compacta em busca do alimento que permitiu a frondosa árvore viver.

Se até a raiz ultrapassou o obstáculo qual a razão de desistirmos?

Agora vou mesmo terminar:

Afinal eu pedi coragem e Deus deu-me coragem para ultrapassar.

Para todos os que deixaram comentário ou não os meus agradecimentos!

Rogério Simões

Poemas de amor e dor conteúdo da página

01.07.05

 

 

 

 

ABANDONO
Romasi
Rogério Martins Simões
 
AH! Génio do homem apodrecido
Ai do homem deitado em palácios
Convencido que o irmão desaparece…
 
Ai de mim, eu, sabiamente letrado
E em paz deixado
Convencendo os outros do nada.
 
Pobre humanidade
Estrelada de ilusões e ofensas
Passeando ao sabor da corrente…
 
Tu e eu
 seremos espancados…
Com a razão…
Se
acordarmos amanhã
 
Lisboa 24/4/1974
 

 

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    MEIO HOMEM INTEIRO
    Rogério Simões
     
    Meia selha de lágrimas.
    Meio copo de água
    Meia tigela de sal
    Meio homem de mágoa.
    Meio coração destroçado
    Meia dor a sofrer.
    Meio ser enganado
    Num homem inteiro a morrer.
    11/4/1975

    Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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