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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda




Rogério Martins Simões

Cria o teu cartão de visita Poemas de amor e dor conteúdo da página

27.06.07

 

(Foto National Geographic Photos)



 

Pés descalços

Rogério Martins Simões

 

Eu vi crianças nuas

A rir e a brincar

Atravessando ruas

Vi os pais chorar

 

Eu vi crianças nuas

Com cus tão vermelhos

Atravessando ruas

Sem ouvirem conselhos…

 

Eu vi crianças nuas

Com sono… já se vê

Atravessando ruas

Sem saberem porquê

 

Eu vi crianças nuas

Fugindo das buzinas

Atravessando ruas

Virando as esquinas

 

Eu vi crianças nuas

Ó magra tristeza

Atravessando ruas

À espera de mesa.

 

Eu vi crianças nuas

Sonhando com fadas

Atravessando ruas

Descalças nas estradas

 

Eu vi crianças nuas

E os ricos às janelas

Atravessando ruas

Que lucro dão elas?

 

Eu vi crianças nuas

Em coro a chorar

Atravessando ruas

Sentias a cantar

 

“Aquela criança nua

Com o rostito chorão

Tinha por vontade sua

Não viver como um cão”

 

12/1973

 

“Na minha Rua

Havia crianças nuas

Olhando as outras…

Com horas

A brilharem ao sol…”

1968

Rogério Simões

Poemas de amor e dor conteúdo da página

20.06.07

 

 

 

A MINHA POESIA DE HOMEM SOLTO
Rogério Martins Simões
 
Lancei ao vento
O meu pensamento emigrante
A minha poesia de homem solto.
E colhi por cada palavra
A aragem fresca da manhã.
 
E disse-me suor do campo:
-Toma o meu pólen de flor liberta
E compartilhemos o saco da fruta madura.
 
Lancei ao vento
O meu pensamento emigrante
A minha poesia de homem solto.
E tomei, de madrugada,
O mata-bicho em fato-macaco.
 
E disse-me o sujo de fábrica:
-Toma o arado
A faca feita por mim
E partilhemos o saco da fruta madura.
 
Lancei ao vento
O meu pensamento emigrante
A minha poesia de homem solto
E colhi por cada palavra
Na palavra, a onda calma.
 
E disse-me o mestre da traineira
- Toma esta rede
Come este cardume de vida
Tão cheio dos nossos mortos
E repartamos o saco da fruta madura.
 
Lancei ao vento
O meu pensamento emigrante,
A minha poesia de homem solto,
E colhi em toda a palavra
Um estilo novo
Numa amizade velha
E num arranha-céus da construção civil
Petiscámos todos:
O peixe vivo.
A carne fresca.
A fruta madura.
O mosto da uva.
Servidos pelo pólen da poesia livre
Colhendo a cada instante
A união do trabalho das forças produtivas.
 
Deixo-vos aqui
O meu pensamento emigrante
A minha poesia de homem solto…
 
1984
Poemas de amor e dor conteúdo da página

16.06.07

 

(Foto pública no sapo)
Segredos de Lisboa
Rogério Simões
 
Lisboa é linda mas tem segredos!
Perto do rio, correm para o mar
Por uma intemporal porta secreta
Eu vi as pernas, as mãos e os dedos,
De um velho amolador a amolar,
Numa simples roda de bicicleta.
 
Tinha uma pedra para afiar!
Tinha um pedal para pedalar!
Um corno pendurado para untar,
(E ao mesmo tempo para dar sorte)
Chaves de fendas para fixar,
Panelas e ferramentas de corte.
 
Escutei sete silvos de flauta no ar!
Dos contos que só contava ao serão.
- Já não tenho tesouras para aguçar!
Nem uso facas de tipo ameaçador.
- Olha o amolador! Olha o amolador!
Chove! Neste dia quente de verão.
09-08-2004
Poemas de amor e dor conteúdo da página

12.06.07

(LISBOA - ALFAMA - TEJO)

 

 

 

 

fado

 

Rogério Martins Simões

 

Nas ruas da velha mourama

Era famoso o arroz de cabidela

No velho Pereira de Alfama.

Eram os pregões das varinas

Tocavam as concertinas

E os gatos espreitavam à janela

 

Mas Alfama não está quieta!

Fervilha, está viva, irrequieta

E um cheiro a namorico…

Deixa o Manel de alerta

Atira-se a um manjerico…

Com ciúmes da fadista Berta

 

A Berta que vê o artola…

Com naifa de ponta e mola

Não cede o passo ao Manel

- Acudam! Grita a infiel…

 

E no meio desta algazarra

Vasos partidos e tanto brado

Surge um fadista safado

Abraçado a uma guitarra

 

Pára a guerra na viela!

E o povo vem à janela,

Há fadistas por todo o lado…

Toca o Chico a Madragoa

Silêncio! Que a nossa Lisboa

Vai ouvir cantar o fado…

13/06/2007

 

 

 



 

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

11.06.07

 

 


 

ENTRE PORTAS E PAREDES

Rogério Simões

 

Entre portas e paredes

Eu me divido

Centro e concentro

Hesito e parto…

A nuca lateja

Ai de mim que não veja

Uma porta de saída…

 

Parto em silêncio...

Na mais pura água cristalina

Entre musgos e seixos

Oiço o chiar dos eixos

De um simples carro de bois

Depois…

Mãos nos queixos

Aceno na despedida…

19-06-2005 1:09

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

06.06.07

(yong girl VAN GOGH)

 

 

 

CAEM LÁGRIMAS

(Rogério Simões)

 

Rolam-me na face

Caem no chão

Secam com o vento

As lágrimas tristes

Do meu coração!

 

Continuo escrevendo,

Versando tua beleza,

Apenas interrompido

Por longos suspiros

Da grande tristeza

De meu coração!

 

E, se depois penso…

Que jamais serás minha:

Rolam-me lágrimas

Pelo rosto molhado

Caem no chão!

Secam com o vento!

As lágrimas tristes

Do meu coração.

 

Abril de 1968

Poemas de amor e dor conteúdo da página

03.06.07

 

(Foto da National Geographic)

 

Deslizo

(Rogério Martins Simões)

 

Deslizo…

No tempo que passa.

Voo

No pensamento

Que ampara.

Fujo

Da vida que fica.

Morro

Nos bocados

Que vendo…

Fico

Com nesta ânsia

De amar

Para sempre

Neste abraço sincero

Para ti.

1975



Poemas de amor e dor conteúdo da página

01.06.07



Imortal formosura

Rogério Martins  Simões

 

Há em ti estranha

beleza

Há em ti tanta

candura

Laivos ténues de

tristeza

que se difundem na

doçura

 

E não me digas que és feia

se és tão pura

Teus olhos, lindos,

ralham

cegados de ternura

caem em mim e não

baralham

a tua imortal formosura.

1968

Poemas de amor e dor conteúdo da página

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    MEIO HOMEM INTEIRO
    Rogério Simões
     
    Meia selha de lágrimas.
    Meio copo de água
    Meia tigela de sal
    Meio homem de mágoa.
    Meio coração destroçado
    Meia dor a sofrer.
    Meio ser enganado
    Num homem inteiro a morrer.
    11/4/1975

    Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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