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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

Abismo pátrio

 

 

Abismo pátrio

José Baião Santos

 

trago de volta a lua sonâmbula

de álamos e alma articulável

dois dedos fazem grande diferença

na forma de segurar uma criança

 

trago na consciência sinos bizarros, alarmes falsos

só de ver os palcos adoecer no leito dos versos

ser afinal um, entre pusilânimes e ascetas

que de tanto voar se diz descendente de profetas

 

trago nacos de fome dentro do alforge

para matar serpentes neste meu abismo solitário

e quando se ouvir o arrastar das correntes

já estarei livre de salafrários e de impotentes

 

para quê cuidar dos jardins

enrolar o sémen das palavras ao coração

fingindo que todas as estrelas permanecem deitadas

nas margens fósseis dos rios das levadas

 

estou prestes a cair - a qualquer momento

posso contrair uma lesão multicelular

exposta     Mas fiquem a saber que

me é tão indiferente rasgar as unhas ao nevoeiro

ou cantar à desgarrada

para salvar o que resta da pátria e da musa deificada

diante do busto inacabado dum poeta caeiro

 

 

 

Aquele abraço

7/03/2007

José Baião Santos

 

(correspondência entre poetas)

 

 

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Abismo

 


ABISMO

Rogério Martins Simões

 

Tento dar tudo dando nada

Sou ditongo nasal,

tenho a narina entupida

Sou prova oral

tenho a voz engolida…

 

Ando cansado e as pernas

não flectem

Oiço barulho e estou surdo

Quanta tristeza vai em mim

Quanta mágoa!

 

Que sobra

se já não sou e pouco resta.

Resta o pensamento!

Carga imaginária

que não se esgota

que me afronta,

não me derrota e me limita…

 

Tenho a testa nos confins

do semblante

Desconfio da sorte

que não me sai

Desconfio da esperança

e do momento.

Cismo, cismo, cismo!

O corpo não mexe,

pouco importa

Importa-me a desventura,

má sorte,

Que me conduz ao abismo.

 

Vai,

segue em frente

que o precipício não te é

indiferente

Semente do desencanto

de quem tanto sofreu.

Vai,

segue agonia viajante

e diferente

E recorda-te que já fui sorte

05-03-2007

 

Boa noite José Baião

Rogério Simões

(correspondência entre poetas)


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A luz não nos segura

 

 

A luz não nos segura

José Baião Santos

 

a voz baixa - trémula - escondia

a raiva de uma ambiguidade afectiva

a sua alma sentia os clarões da pele de cada vez que

a morte se insuava no manto das ervas naquelas manhãs de

aproximação ao outro extremo do universo para se furtar à acidez da luz

- a luz aderente

 

havia palidez e denso nevoeiro nas marés enquanto

desfibrava a dor com lenta sobriedade

para ninguém se aperceber nem ele próprio

que o equilíbrio metafórico do corpo

representava uma forma de religião

sem crenças

silenciosa como o espaço opaco e vazio que preenche

a face oculta da melancolia

foi a sorrir que enfrentou aluminosidade dos nenúfares trazidos pela chuva

pensando que era feliz nesse instante

em que a luz não nos segura

 

 

Aquele abraço, de permeio com as palavras da noite

 

José Baião Santos

5/3/2007

(correspondência entre poetas)

 

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Seguro da insegurança...

 

Seguro da insegurança

Rogério Martins Simões

 

Torres vigiam a casa assombrada

onde perpetuam marginais e abstractas letras

de uma desconhecida liberdade.

 

A canalha... aproxima-se

verberando abstracções concretas.

No alto da torre seguem os carros pretos

chapeados com protecções e blindagens.

 

Blindaram os corações

para recolher os protestos.

Não! Os protestos não chegam às torres…

Aparam os ouvidos,

com guardanapos ao tiracolo,

e vestem camuflados para vigiarem o solo.

 

Para manterem a forma exercitam-se

encolhendo os ombros

e olhando de soslaio.

 

A segurança mantém asseguradas

as palavras contrárias

e perseguem quem se oponha à segurança!

 

Se lhes virar as costas dirão que sou poeta…

 

Dispararam às cegas e atingiram um colibri...

Do mar saltam alforrecas e camarões!

Os moribundos mascam, agora, folhas de coca

A segurança contra-ataca com a segurança dos narcóticos

Do deserto partiram legiões imprecisas de escorpiões.

Dizem que um bando de loucos

se escondeu numa toca

 

Toca docemente um violino cego

E ouve-se uma canção de embalar:

- Que será de ti meu menino

Se o povo não se revoltar

 

Corre um vento forte.

Ouvem gritos!

Se virar as costas

dirão que não sou poeta…

 

Um abraço para ti José Baião

1/03/2007

Rogério Simões

(correspondência entre poetas)

 

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Será que a poesia está segura?

 

(Óleo sobre tela Real Bordalo)

 

Será que a poesia está segura?

José Baião Santos

 

não conheço maior insegurança que a segurança que me garantem

os que para terem a sua vida assegurada

se asseguram que nada na vida mudará a

não ser toda e qualquer mudança

que mude o que é seguro e não mude de mudança

 

a poesia entra com ironia nesta dança

com rimas cristalinas e lágrimas quase sempre tardias

e nos seus trejeitos de incerteza

farege os ratos nas catacumbas das abadias

 

Mas por que é que a poesia não é segura?

 

Aquele abraço

José Baião Santos
28/2/2007

(correspondência entre poetas)

 

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JOSÉ BAIÃO SANTOS (poeta)

 

José Baião Santos nasceu em 1954.

Colega de profissão e amigo, o José Baião Santos (irmão do grande actor João Baião) já editou 3 livros de poesia.

Para além de Poeta e ilustre Jurista, canta, toca viola, representa e recita poesia com verdadeira mestria.

Hoje não resisti à tentação de transcrever um lindo poema, dedicado à sua filha, extraído do seu primeiro livro editado em 2002.

Passo a transcrever palavras suas: A POESIA ajudou a alimentar a poesia: também a música, o teatro, a pintura, a fotografia, a cidade, os afluentes da tarde, o sorriso das aves, um olhar apetecível de mulher, a rebelião das palavras, o silêncio, sobretudo o silêncio, alimentaram durante todos estes anos essa outra alma que vivendo dentro de nós, vive voluntariamente, na mais completa liberdade.

Tenho em José Baião um grande amigo e um dos principais incentivadores da minha poesia. Eis a minha humilde e justa homenagem ao poeta.

Obrigado José Baião

 

SUBISTE AO PALCO

 

Subiste ao palco

Como uma rainha

Cativa

- O cabelo solto

O baton e o pó de talco

Num rosto

De deusa festiva!

 

Subiste os corredores

Amarrada de sombras

E medos

- O rosa do vestido

As pratas os odores

Imortalizaram os teus segredos!

 

Subiste no voo das aves

Dentro da paixão

Dos poetas

- o olhar firme

O veludo dos lilases

Numa noite

De estrelas e profetas!

 

Até que por fim todos ouviram a tua voz de diamante soltar os acordes do mar pelas praias de marfim

Até que por fim nada mais se ouviu senão a pérola levada no vento

Até que por fim a cidade desapareceu mergulhada nos teus lábios de cristal numa espiral de melodias

 

Subiste ao palco

Como uma deusa

Feita do pó das estrelas

Para agradecer

Humildemente

A magia das coisas belas!

 

(Poema extraído do livro MOMENTANEAMENTE Editora AP Editores)

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Hoje nem sei cegar...

 

World Press Photo Contest 2004

 

 


HOJE NEM SEI CEGAR…

Rogério Martins Simões

 

Hoje nem sei cegar

Os tristes olhos da minha alma

Sou um manuscrito, cor devorada,

que a alvorada não acalma.

Só lágrimas mimam o nada

Lágrimas! Só sei chorar!

 

Hoje nem sei andar

Sou um farrapo e já fui fada…

Sou um navio sem timoneiro.

Sou uma barca; proa encalhada…

Marinheiro!

Rema meus olhos de mar…

 

Hoje nem sei afogar

Os meus olhos manda-chuva.

Canto este sofrimento cansado!

Maré que vai cheia, sem chuva,

Lava o meu sorriso molhado!

Hoje nem sei versar…

 

Aldeia do Meco 11-07-2007

 

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amrosaorvalho.gif

MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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