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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda




Com um cálice de vinho

(Mestre POETA

DANIEL CRISTAL,

Armando Figueiredo)

 

 

Com um cálice de Vinho

DANIEL CRISTAL

 

Um cálice de vinho celebra a vida
E trapaça a morte pela embriaguez!
Somos dois num só nessa taça erguida
E se juntarmos Baco então somos três.

Bebendo mais um cálice somos tetra:
eu, tu e o vinho, talvez mais o Baco;
o terceiro aquece e o quarto não peca!
Pra ti fica sempre o melhor naco...

Com um cálice de vinho não há morte
porque aqui Belzebu perde a frescura
- teu odor de mosto é o que me calha em sorte
e junta meu néctar à tua candura.

Ofereces-me o leito, a espuma e a lua
na dança que seguimos da concertina;
a noite é felina, e tu estás nua,
e é fina a canção que nos ilumina...

Mais vinho no cálice faz arder a alma;
despe já as parras que estorvam a palma
- Não pares, amor, chupa o mel da colmeia
até que o sangue sorva a Lua cheia...

Com mais vinho no copo ficas ígnea
e haverá mais tesão e frenesim;
é mel lambido na boca benigna
na forma de bolinho, creme ou pudim...

Ai, amor, que tens a boca sem manhas
que exalas o aroma mais fresco do mundo
e me dás as entranhas e as artimanhas
o esplendor da trapaça é gozo rotundo!

 

Mais palavras para quê? Só um grande poeta como o é Armando Figueiredo serve a poesia em belos copos de Cristal. Obrigado por partilhar este bom de tinto que o bebi até á exaustão. Estou muito feliz pelo sucesso do grande poeta da língua portuguesa.

Rogério Martins Simões

 

 

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Minha mãe que vai ser de mim?

 

 

 

 

 

 

 

Minha mãe que vai ser de mim?
Rogério Martins Simões
 
Minha mãe que vai ser de mim?
Passos os dias a cuidar do gado,
Implore à senhora do Bonfim,
Que me arranje um bom noivado!
 
Minha mãe está bem assim?
Lavei o rio no meu corpo criado…
Não visto cambraia! Visto cetim.
Seios de carmim e corpo rosado.
 
Minha mãe e se eu for ao baile,
Não precisa de vestir seu xaile…
Minha mãe! Vou ter cuidado:
 
Viço de rosa, cravo e alecrim,
Minha mãe reze por mim,
Que eu não tenho namorado!
 
Lisboa, 22-09-2007 23:36:37
Poemas de amor e dor conteúdo da página

RICARDO!

 

 

(RICARDO FILIPE PALMA FERREIRA)

Em 2002 encontrei no meu computador estas simples e muito significativas palavras:

 

“Sentou-se em frente ao computador para escrever.

E escrever o quê?

Sobre quê?

Sabia tão-somente que sentia uma imperiosa vontade de escrever.

E se escrevesse sobre o que estava a ver no momento?

Claro que estava a olhar para o teclado, mas por breves segundos o olhar desviava-se um pouco, talvez para pensar em que tecla ia carregar a seguir, esse olhar vagueava por entre o cortinado que...”

Lisboa 3/9/2002

Elisabete Sombreireiro Palma

 

(Resposta

(Óleo sobre tela Elisabete Sombreireiro Palma)

 

SENTADA AO COMPUTADOR

(Rogério Martins Simões)

 

Sentada ao computador,

deambulando por outra paragem…

parei o tempo…

E se o tempo não fosse dor

e tudo não passasse de uma aragem.

Afinal o que estou a dizer?

Será que não sei escrever,

o que estava a ver

na outra margem?

 

Respiro fundo,

no fundo me torno…

Entorno a minha angústia

nos cortinados das janelas…

Olho novamente o teclado,

levanto a cabeça

e desvio o olhar.

E neste reflexo avisto as mazelas:

Com que me revejo!

Com que me adorno!

E vou por aí a vaguear…

 

03-09-2002 19:54:20

 

(Óleo sobre tela Elisabete Sombreireiro Palma)

 

RICARDO

18 longos anos a morrer de saudade!

“Sabes Rogério – Por muitos ou poucos anos que viva, nem um só momento esqueço a morte do meu filho”

Elisabete M. S. Palma.

 

No dia 1 de Julho de 1989 os filhos da minha companheira sofreram um terrível acidente de mota, nos acessos à ponte sobre o Tejo, e o Ricardo não sobreviveu.

Era sábado, estiveram os dois na praia da Caparica, e o irmão mais velho, o Pedro, quis mostrar ao Ricardo o Pôr-do-sol - na Lagoa azul - na serra de Sintra, e de repente a tragédia aconteceu.

O Ricardo era uma casa cheia: divertido, irradiava simpatia e fazia muitos amigos.

- Eu sei Ricardo que viajaste em cima da cor azul do arco-íris e sempre que eu vejo um pôr-do-sol tu lá estás, com um sorriso.

18 anos de muita saudade deste teu amigo,

Rogério Martins Simões

 

Desvendo nesta data a razão por que escolhi

POEMAS DE AMOR E DOR

para este blog.

Rogério

 

 

 

 

 (Óleo sobre tela Elisabete Sombreireiro Palma.

Animação da autoria da poetisa Anne Müller)



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Sonhos desfeitos!

 

(Óleo sobre tela Elisabete M. Sombreireiro Palma)

 

 

 

 

 

Sonhos desfeitos
Rogério Martins Simões
 
O Sol resplandece e a água espuma,
As ondas vagueiam e o barco desliza,
Sobra no meu peito uma dor bruma,
Que se esfuma nas colinas da brisa.
 
A minha mão sobressai e já foi calma.
O meu papel reproduz o adverso,
Deixa escrever o que chora a alma,
Acalma, vagueia e ensaia um verso.
 
A escrita azul tem uma mancha preta:
Letra miudinha que desenha a caneta.
Do bloco de notas gotejam os defeitos!
 
E se não mais encontrar sonho vão…
Fiquem os versos, que redigi com a mão,
Colorindo sonhos, com sonhos desfeitos.
 
Lisboa – Tejo – 14 de Agosto de 2007
Concluído em 18 de Outubro de 2007
 
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Quando o teu corpo adoçava o tempo

 

(Além de  nós havia um tempo...)


 

 

Quando o teu corpo adoçava o tempo

Rogério Martins Simões

 

Quanto no teu olhar

reluzia a sedução,

cristais acenavam

 em teu corpo

descoberto

E o meu corpo

Em teu corpo

Adoçava.

 

Era um só corpo

que abraçava

a todo o tempo

quando o tempo

contigo dançava…

 num sémen,

onde o desejo

não era abstracto

e recomeçava.

 

Além de nós,

havia um tempo

que anunciava

um vento criador

e uma ligeira brisa

separava

nossos corpos do fogo…

 

Depois eras a diva

num período de advento

e trazias no teu corpo

 estrelícias

de chuva e vento

 

E a terra revestia-nos

 de volúpia

para que

recomeçássemos:

Suspiros

da procriação

misturavam-se

em cores férteis,

nos corpos nus

- cio da natureza,

entreaberto…

 

Depressa a natureza

 descobriu

desvarios

sem tempo

de um tempo

de germinação

e não mais o vento

te esfriou o calor

que te avermelhou

o rosto...

em contratempo.

 

Que rápido

passou o tempo

através de nós:

momento

a momento

quando no teu corpo

adoçava o vento…

Lisboa, 05-11-2007 22:44

 

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Envelheço a espaços

(foto da autoria do Padre Pedro)

 

 

ENVELHEÇO A ESPAÇOS…

Rogério Martins Simões

 

Envelheço a espaços

e não dou por isso…

Já não subo à figueira

onde apanhei figos…

Vejo chegar os netos

e partirem os amigos

Seara ondulante

numa dança com espigas

Pão azeite, coentros

e alhos para as migas…

 

Já não preciso de sol

pois a espiga está madura...

Já não necessito de água

pois a mágoa está segura!

Envelheço a espaços

e, afinal, dou conta disso.

 

Lisboa, 4/8/2005

 

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Poema suave às flores a crescer e às folhas a cair

(ROMASI - foto de 1950)

 

 

Poema suave às flores a crescer e às folhas a cair

Rogério Martins Simões

 

Venham de lá as flores

Neste nosso verbo amar

Que as folhas estão caindo

As dores estão sentindo

Uma criança chorar…

 

Venham de lá as flores

E os frutos por colher

Que as dores estão sentindo

Os homens que vão partindo

A chorar e a sofrer.

 

Venham de lá as flores

E o Outono vai passar

Que as dores estão sentindo

A primavera chegar.

 

Venham de lá as flores

No milagre do nascer

Que as dores estão sentindo

As verdes folhas, crescer….

 

Venham de lá as flores

E a alegria de viver!

 

Lisboa, 1989

 

Tiago Outeiro convida

 

 

 

http://www.cienciahoje.pt/engines/image/image.php?oid=24340

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Relendo

 

(Efigénia Coutinho

Poetisa)

 

 

 

 

 

(Presidente da Associação Virtual

Sala dos Poetas e Escritores)

 

 

RELENDO
Efigênia Coutinho


Quando te releio nos cenários animados
Por teu Génio, com poesias e magias,
Cheios de vida, realça por todos os lados
O alvo nas pupilas dos meus olhos...!

Vejo o céu, mar, luar, vejo searas
Douradas, o sol que o véu das neblinas
Rompe, dourando as campinas;
E iluminando o horizonte, vales e rios!

Percebo um rumor silencioso da charrua;
São os colibris, que, ao carvalho sobranceiro,
Modulam sons elevados cheios de ternura...

E eu, consternada, volto a face, e tremo,
Vendo teu vulto que aparece, no extremo
Onde faz a curva que o sonho enternece!

2007
Balneário Camboriú

 

 

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Tua fêmea

 

 

 

 

Tua Fêmea
Efigênia Coutinho

 

Tua Fêmea, a cada carícia!
Intensa é a noite, olho lá para
cima: as estrelas desenham
teu nome na minha pele
desnudando meus segredos.

 


Sou tua escritura da tua
língua e neste instante você
me soletra descendo pelo corpo
deixando-me devassa, louca!

 

A tua mão desata minha pele
que ruge...ao fundir dos corpos
de pêlos que cedem ao apelo
na fúria dos instintos...

 

Teus desejos tem me desafiado
e que a noite jamais termine....
pronta a partir adentrando
em ti...
Apenas
deixa-se...em mim!...

 

Setembro 2007

 

 

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amrosaorvalho.gif

MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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