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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda




Rogério Martins Simões

Cria o teu cartão de visita Poemas de amor e dor conteúdo da página

30.03.08

 

 

(Óleo sobre tela Real Bordalo)

 

 

 

Amanhã estarei melhor

Rogério Martins Simões

 

Hoje continua o lastro

do meu estado de alma

do dia de ontem.

Estou envolvido

numa teia que enleia.

Estou como que pregado

a um madeiro

sem pregos ou cordas.

 

Solto uma terrível agonia

e, sem dar conta,

nem vómitos dão a perceber.

 

Sou uma represa invisível

num turbilhão de água

pesarosa.

 

Se ao menos chorasse.

Se ao menos morresse.

 

Sou um ser solitário

acompanhado

com a mulher mais presente

- O amor da minha vida.

 

Será do tempo?

 

Hoje meu corpo

nem o Tejo espreitou!

Sinto-me agarrado a nada,

e nem mesmo a lua

terá saudades em me ver.

 

Este vazio imenso

parece furtar

as palavras do coração.

Parece levar a alma,

que renascia,

quando noite fora partia,

pelo Tejo,

em busca de uma bruma de saudade.

 

Será do Inverno?

 

Não! O Inverno esquivou-se

nas estações esquecidas,

onde, nem as carruagens

de terceira classe param.

 

Amanhã estarei melhor! 



POEMAS DE AMOR E DOR
TEM UM SITE

Em NET_PAMPILHOSENSE.ORG
WEBMASTER: Autoria e bom gosto de Luís Gonçalves:
No servidor da PAMPILHOSA DA SERRA
Pintura de Elisabete Sombreireiro Palma
 
Visitem e deixem a vossa mensagem Obrigado

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Poemas de amor e dor conteúdo da página

28.03.08

 

 

 

 

(ASTARTE)

 

 

CONVITE

BARRANCOS - PORTUGAL

O PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE BARRANCOS – DR. ANTÓNIO PICA TERENO CONVIDA

ENCONTRO COM A HISTÓRIA E O PATRIMÓNIO

2ª EDIÇÃO DOS “ENCONTROS DO MUSEU”

 

DIA 12 DE ABRIL DE 2008 PELAS 11 HORAS

SALÃO NOBRE DOS PAÇOS DO MUNICÍPIO DE BARRANCOS

PROGRAMA

PROVÁVEL SANTUÁRIO DE ASTARTE NA ALMOFADINHA

ORADORES

 

Mestre - FERNANDO E. RODRIGUES FERREIRA – “AS EPÍGRAFES DA ALMOFADINHA: CONCLUSÕES PROVISÓRIAS”

 

PROFESSOR DOUTOR HERBERT SAUREN – “PEGO II DECIFRAR OU LER”

 

MESTRE FERNANDO A. ANDRADE LEMOS – “ASTARTE”

 

DR. JOSÉ CARLOS OLIVEIRA – “AS EPÍGRAFES PRÉ-ROMANAS DO MUSEU DE BEJA”

 

PROFESSOR DOUTOR AMÍLCAR GUERRA – “A ESCRITA DO SUDOESTE”

 

 

 

 

 

(Óleo sobre tela Elisabete Maria Sombreireiro Palma)

(Natural de Beja)



Alentejo, debruado a Arraiolos

Rogério Martins Simões

 

Na dourada planície alentejana

Onde o sol penetra e em tudo teima

A falta de água mísera e insana

Quebra a vontade abate e queima

 

Nessa imensa e dourada pradaria

O vento de suão seca a cortiça

Leva consigo, numa lenta agonia,

O suor, a que chamam de preguiça.

 

Mas o Alentejo é belo e majestoso

Quem o ama chama-lhe de formoso

Quem parte volta, nunca diz adeus

 

Por isso há sempre vozes em coro

Canto alentejano em vez de choro

A alma alentejana tem força de Deus

19-04-2005

 

 


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Poemas de amor e dor conteúdo da página

21.03.08

 

(Óleo sobre tela - Elisabete Maria Sombreireiro Palma)

 

(2008)

 

POESIA OU TALVEZ NÃO EM DIA MUNDIAL DA POESIA!

 

VIVA A POESIA!

 

 

 

 

POESIA
Rogério Martins Simões

 

 

Os poetas são operários da caneta

E trazem pensamentos errantes

que debutam no papel.

 

Serei poeta?

Que papel nos estará reservado?

 

E eu que nada sou,

serei o que o destino quiser,

porém, sou poeta!

Um poeta sonhador

a quem, tantas vezes,

lhe roubaram os sonhos.

 

Hoje estou nesta!

Mas, não irei desistir

de a escrever

ou de a chorar!

 

Hoje, apetece-me reflectir!

Não irei escrever poesia!

Aditarei palavras,

com palavras que

tenho espalhado por aí…

 

Que farei com os meus versos?

Sentir-se-á o lixo desconfortável,

com o seu peso?

E se os mandasse, mesmo, para o lixo?

- Não suavizariam o mau odor

que anda de altos…saltos?…

 

E na minha Pátria

quem liga à poesia?

 

Pouco me importa

que não tenha expressão!

Que pouco se fale de poesia.

 

- E se, em vez de medalhas,

medalhassem

com poemas Lusíadas

ou com versos de Caeiro?

 

Quantos conhecem a lírica de Camões?

- As chamadas elites culturais?

No meu caso,

nada de elites - sou povo!

Como é enorme o povo em – Pessoa!

 

Meu pai, meu mestre,

enchia-nos o prato

com saborosos poemas:

os seus e dos grandes poetas.

Mas isto é pelintrice

e pouco importa.

Importa é estar na berra.

Importa é mandar umas tretas

para que o povo se entretenha e não pense.

 

Ai quando o povo acordar!

Por mim não quero que pensem!

 

Tudo mudou!

Sem poesia

o mundo é menos sonhador,

é mais desumano!

Quando se escreve poesia

não se está só,

não estamos sós!

 

A poesia enche-nos a casa

de lágrimas

ou de sorrisos!

A Poesia reverte os sonhos desfeitos

em estrelas cadentes

para voltarmos, de novo, a sonhar.

Estaremos sós

quando as paredes

emparedarem

os pensamentos

e nem uma só lágrima se verta.

 

O que é a poesia?

O que é ser poeta?

 

A poesia é a magia

que espreita a ponta dos dedos

esborratados de tinta…

Ser poeta é quase morrer

e renascer

num canto ou num verso.

 

Paro! Tenho de parar!

Porque amanhã voltarei à rotina,

e sem rotina

não podemos viver.

 

Todos andamos num carreiro.

Para cá, para lá

sem saber ao que vamos.

Andamos,

corremos,

pensamos.

Como fazer para sobreviver

se não vemos!

Como podemos ver,

se nada há para ver.

E se vemos?

Poderemos parar para reflectir?

 

Deixam-te reflectir?

 

Que reflexão,

fazemos das nossas vidas?

 

Quantas televisões temos em casa?

 

Quantos tabuleiros se enchem de pratos

no desconforto da mesa vazia,

que esfria,

na espera?

 

Crescerá o bolor no pão que não sobra?

 

Que desconforto quando não há poesia!

ROMASI

SANTA PÁSCOA 

 

 

 

 

 

 

 

Voltei a escrever e já não queria

Rogério Martins Simões

 

Voltei a escrever e já não queria

Pensava ter esquecido este meu versejar

Ser poeta é criar e sofrer todo o dia

Passar ao papel o que a alma encontrar.

 

Este estado de alma que já não ousaria

Que nos faz sofrer, para me encontrar,

Deixa o meu corpo quando escrevo poesia,

Nos poemas que ela cria, para me libertar.

 

A ti que mais amo e sem querer

Se fico triste e te faço sofrer

Rosa eu te quero, rosas eu te dou.

 

E se tu me vires distraído ou disperso

Uma única coisa eu imploro e peço,

Espera! A minha alma não regressou.

 

Lisboa, 16 de Abril de 2004

 



MENTIA SE TE DISSESSE QUE MINTO

Rogério Martins Simões

 

Mentias se me dissesses… que pinto…

Não me esforço, peço ajuda, e tu vais

Ajeitas-me o nó da gravata… e o cinto.

Teus passos para mim são sempre mais…

 

Mentia era se eu dissesse que minto,

Que do meu corpo já não saem vendavais

Que os pés já me pesam e não os sinto

E que os meus passos para ti são demais.

 

E se te peso ao de leve e não quero

Tu bem sabes a razão do desespero

Não seja tamanha a razão do repeso

 

Pois se quis voar na ode de um poema

Irás encontrar em meus versos alfazema

Antes fosse manha a razão do meu peso.

 

10-08-2005 23:31


Poemas de amor e dor conteúdo da página

18.03.08

 

(Rogério Simões)

(Malhada, Colmeal, Góis 1953)

 

 

ARREPIAM-ME AS LEMBRANÇAS

Rogério Martins Simões

 

Arrepiam-me as lembranças

Das manhãs descalças…

De um corpo fino

De um bibe com alças:

Memórias de um tempo menino.

 

Sou alérgico às memórias ingratas!

Clarabóias deixam passar a luz,

Que derrete o gelo indeciso

Por onde passou um tempo preciso,

Das coisas belas e gratas.

 

Sou um vestígio dos umbrais

Que sustêm o peso dos meus sonhos.

Tento viajar com os olhos cerrados

Por um campo milho verde

Com bandeiras a tocarem o céu…

 

Vou jejuar!

Não comerei os figos

Bicados pelos gaios…

Procuro na horta os abrigos

Onde a distância dos Maios,

Dissipam as canas dos trigos…

 

Toquei na colmeia por querer!

Sou um sopro de saudade

Favo de mel com a minha idade

Picado de abelhas ao alvorecer…

 

Cheguei ao fim dos silêncios

Onde as memórias são silenciosas.

E os silêncios para contemplar…

 

Quem vos disso

Que tinha de atalhar os caminhos

Na horta adulta…

Se me resta um pedaço de água pura

E um púcaro vazio para a apanhar….

 

Lisboa, Tejo, 18 de Outubro de 2007

(Poema dedicado à Beira Baixa -- ao povo Beirão - à Póvoa - à Pampilhosa da Serra e à Malhada)

 



 

(Foto minha com 22 meses, 1950)

 

                               Nota de agradecimento

 

Este blog foi criado em 6 de Março de 2004. (Já nem me recordava da data)

De então para cá já teve mais de 2 milhões e 500 mil acessos e tudo se fica a dever àqueles que se revêem na minha poesia, nos poemas de Efigénia Coutinho e de Daniel Cristal a quem agradeço mais uma vez, sem esquecer a pintora da casa - Elisabete Sombreireiro Palma.

Não foi fácil! Não é fácil manter um blog sofrendo de Parkinson, observando, cada dia que passa, uma maior dependência e tentando superar as barreiras que a vida nos coloca. Para superar esse combate tenho contado com a preciosa colaboração, amor e dedicação da minha esposa e pintora Elisabete Maria Sombreireiro Palma e de muitos amigos, nomeadamente do Brasil. Não irei desistir facilmente! Acredito na cura para a Parkinson e agradeço àqueles que lutam por mim.

Ao Sapo que ao longo destes 4 anos já me distinguiu várias vezes quero mais uma vez agradecer. Nunca mudei do Sapo, esta foi a casa que me acolheu. Durante 18 meses o meu blog ocupou os primeiros lugares do Sapo e tinha, então, cerca de 3000 visitas diárias. Hoje tudo é diferente, para melhor, apesar de ter em média entre 1500 a 2000 visitas por dia.

Àqueles que não visito apresento as minhas desculpas! Não dá mesmo! A luta contra a Parkinson é tremenda e só o muito amor que tenho pela poesia me obriga a continuar.

Se escrevo poesia sofro! Mas, se não escrevo morro!

Obrigado a todos.

Com muito amor e muita paz.

Com muita tristeza e pesar pelo que está a acontecer mais uma vez ao povo do TIBETE, sou,

Rogério Martins Simões

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

14.03.08

(Cópia 

Óleo sobre tela Elisabete Sombreireiro Palma)

 

 

 

PERCURSOS

Rogério Martins Simões

 

Andamos aos poucos

a escrever o livro das nossas vidas.

A libertação tem o seu preço,

pagamos caro a mudança,

sacudindo as roupa envelhecidas…

 

Que é feito dos vestidos de chita?

Onde estão os dedos finos delicados

que enrolavam os cabelos do menino?

E os caracóis? E as gotas

com que rebuçava o olhar de mel?

 

Tartarugas luzidias rastejam

recordando que já foram cágados…

Abro o saco e liberta-se

um louva-a-deus…

 

Manejo uma espada de madeira,

herói da banda desenhada.

Ergo a espada de nada

e faltam-me as sílabas

que se escaparam

das folhas arrancadas.

 

Ainda assim quero escrever,

quero borboletear faíscas

para não ficar cego…

 

As recordações são agora

monstros cospe-lume,

dragões afinados…

Cordas partidas de um violino.

 

Liberto as claves de sol

para de novo te ver sorrir!

 

Um canto adormecido

embala docemente

um berço de silêncio.

Recupero o leite materno

num figo verde,

lábios rasgados.

 

Chupo um rebuçado

com sabor a mentol.

 

A tinta permanente secou!

O mata-borrão

levou as pontas do meu nome

(bem desenhadas

para caber entre duas linhas.)

Entrelinho as palavras desalinhadas.

Não dou a mão à palmatória.

Quando tudo passar serei glória.

 

Por agora vou afinando

as cordas estropiadas,

velha amarra dum batel.

A espada é agora pó

e já foi serradura…

 

Os cabelos, caracóis finos,

afinaram os violinos

numa nuca envelhecida

e cantaram vitória…

 

Ainda assim a fogueira

não destruiu tudo

e o combate ao dragão

queima-tudo,

ainda agora começou.

 

O fumo das folhas

é agora nosso.

E os versos também…

 

26-02-2007 0:23:20

 

(Ao correr da pena, dedicado à poetisa

Maria Célia Silva)


Poemas de amor e dor conteúdo da página

11.03.08

 

 

A MENINA DANÇA?

Rogério Martins Simões

 

Minha mãe que vai ser de mim

Passos os dias a cuidar do gado,

Implore à senhora do Bonfim

Que me arranje um bom noivado!

 

Minha mãe está bem assim?

Lavei o rio no meu corpo criado…

Não visto cambraia! Visto cetim

Seios de carmim e corpo rosado.

 

Minha mãe e se eu for ao baile,

Não precisa de vestir seu xaile…

Minha mãe! Vou ter cuidado:

 

Viço de rosa, cravo e alecrim

Minha mãe reze por mim

Que eu não tenho namorado!

 

A menina dança? Vamos dançar?

Acerto o passo! Pula a paixão…

Olha-me nos seios, sobe a visão…

Olho-o nos olhos querem beijar.

 

Aperta, e abraça, bate o coração…

Somos os reis da festa: bonito par!

Sobe o compasso, protejo com a mão…

Você namora? Vamos namorar!

 

O tempo passa, resta a recordação:

Como é sua graça? Vamos casar!

Apagaram a luz, a noite e o luar…

A senhora dança? Agora não…

 

Minha mãe está bem assim?

Lavei no rio o meu corpo criado

Visto cambraia! Não visto cetim…

Seios de carmim e corpo cansado!

 

Lisboa, 22-09-2007 23:36:37

 

 

 

 


 

La chica baila?

Rogério Martins Simões

 

Mí madre que a pasar conmigo

Paso los días a cuidar del ganado

Pide a la señora del Bonfim

Que me arregle un buen noviazgo.

 

Mí madre quedase bien así?

Duché el río en mí cuerpo ya creado

No pongo cambray! Pongo satén

Senos carmines y cuerpo rosado

 

Mí madre si yo me voy a bailar

No necesito tú chal o mantón)

Mí madre! voy a tener cuidado

 

Verdor de rosa, clavo y alecrín

Mí madre reza por mí

Pues que no tengo novio!

 

La chica baila? Vamos a bailar?

Arreglo el paso! Salta la pasión

Me mira los senos, los tapo con la mano

Quieres noviar? vamos a noviar!

 

Apreta, abraza, suena el corazón

Somos los reyes de la fiesta: linda pareja!

Sube el compás, cubro con la mano

Quieres noviar? Vamos a noviar!

 

El tiempo pasa, sólo la recordación:

Cómo te llamas? Quieres casarte conmigo?

Se apagó la luz, la noche y el lunar

La señora baila? Ahora no...

 

Mí madre quedase bien así?

Duché el río en mí cuerpo ya creado

Pongo cambray! No pongo satén

Senos carmines y cuerpo cansado.

 

(Traducción Maria Elena Sancho)

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

09.03.08

 

(óleo sobre tela de Elisabete Sombreireiro Palma)

 

 

 

ENVOLTA EM SILÊNCIOS E FLORES

(Rogério Martins Simões)

 

Envolta em silêncios e flores

Como se as flores te cobrissem de pétalas

Eu te chamei deusa.

Quando o meu olhar era de cristal.

Percorriam os teus seios, colar escarlate,

Desvarios recortes de porcelana

Estavas linda!

 

Partilho estes jardins de sombras

deliciosas

Contagiam-me as serenas manhãs,

os frutos selvagens

e enamoro-me das estrelas.

Noite fora sou um viajante

Percorro silêncios,

escuto os meus passos nas vielas.

Que seria de mim se não te

reencontrasse!

 

Sabes a morango selvagem!

Sabes a cravo e a canela!

Se partir voltarei

Envolto em luz

Te cobrirei de pérolas

(Te chamei de musa)

E serei como a brisa,

Aragem,

Perpétua e ondulante

O sol penetrante na tua janela.

 

24-03-2006

 

 

 

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

08.03.08

 

(Óleo sobre tela Elisabete Sombreireiro Palma)



 

Bendita Sejas mulher

Rogério Martins Simões

 

Nos caminhos que trilhamos renascidos

Certamente já esquecemos a distância

Que prolongam os caminhos percorridos

Irás encontrar na minha ânsia

Estes trilhos marginais mas tão sofridos

 

Não me fico por silêncios

Mas, meu amor, eu te digo

Bendita sejas mulher

A eternidade é estar contigo

Bendita o sejas por ser

A razão do meu viver

 

Os ventos são adversos

Maior porta de abrigo, eu, não vi

Terá o céu no acaso

Tamanha luz no firmamento

Sem ti?

 

Repara no sentido dos meus versos

São cartas de amor que não escrevi…

Palavras adultas fora do prazo,

Construídas no encantamento,

Sem pressas, aqui!

 

Por isso, de novo, te digo

Bendita sejas mulher

A eternidade é estar contigo

Bendita o sejas por ser

A razão do meu viver.

 

24-11-2005

Poemas de amor e dor conteúdo da página

07.03.08

 

 

 

O ciúme mata…

(Rogério Martins Simões)

 

Abri a janela de meu quarto

Quatro paredes, um deserto…

Tenho a sensação de estar farto!

E o chão ali por perto...

 

Afunda-se a noite na alma

Na dor, por amor, tanto sofreu

Esta noite não está calma,

Está tão escura como o breu

 

Clamo por minha loucura

Quatro paredes um deserto…

Não tenho medo da altura

E o chão ainda mais perto...

 

Olho de novo para o rio

Hoje não há luar de prata

É verão e tenho frio

E o meu ciúme mata.

 

Pairam as nuvens que o ciúme deu

A lua não tem mais lugar certo

Amor o que te aconteceu?

Tristemente perdido perto…

 

1989

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

03.03.08

 

(Óleo sobre tela Elisabete Maria Sombreireiro Palma)

 

2008

 

 

VOO NAS MEMÓRIAS DO MEU PAI!

Rogério Martins Simões

 

 

 

Voo nas memórias do meu pai

que conta, sem conto,

os contos da nossa aldeia.

 

Era menino

e certa noite ao luar,

minha avó,

de nome Maria,

ensinava meu pai a contar.

 

Pairo nas memórias do meu pai

que conta, sem conto,

os contos da nossa aldeia.

 

Era menino

e todos os dias ao jantar

contava para mim,

histórias de fantasia

e de encantar:

 

“Irmãos éramos três,

Nazaré, Laura e José.

Minha mãe a todos nos fez

de coragem, força e muita fé!”

 

Recupero aqui

as memórias d0 meu pai

que hoje eu conto

porque me encanta!

 

Era uma vez, na nossa aldeia,

na Póvoa ao fundo do lugar,

minha avó que era uma santa,

ensinava meu a pai a rezar.

 

Ave-maria.

 

30/9/98

(A minha avó, Maria da Ascenção Ramos)

 

 

 


 

(Meu pai)

 

 

O Trabalho agrícola na nossa aldeia, a Póvoa, nos anos 40 do século XX

(texto da autoria do meu pai, e meu mestre de poesia, quase a concluir 86 anos)

Começo pelo primeiro trabalho que se fazia naquela época.

Todos os dias, quase todos os homens que lá estavam, e algumas mulheres, iam cortar um molho de mato. Carregavam-no às costa para os currais do gado ou para colocar nas ruas que serviam de estrumeiras.

Havia também, embora em menos quantidade, quem fizesse o transporte em carros de bois.

Este mato, depois de podre e bem curtido, fazia-se em estrume para adubo das terras de cultivo.

A primeira sementeira que se fazia era a do centeio, semeado em terras de sequeiro e nos alqueives, não levava rega nenhuma. Era semeado em finais de Dezembro ou princípios de Janeiro, e ceifado no mês de Julho. Era atado. em molhos e ficava no campo para secar bem. Depois, era todo malhado no Largo da Capela de Santa Eufémia.

Para malhar, era costume ter a participação de oito (8) homens, quatro de cada lado, cada qual tinha o seu "mangualde" com que malhava o centeio até sair todo o grão.

Depois disso, era levantada a palha com uma forquilha e atada em molhos que se guardavam nos palheiros.

O centeio, que ficava no chão, era tirado com uma vassoura própria, até ficar limpo. Além disto era ajoeirado ao vento, mas, mesmo assim, ainda era lavado e, depois, seco ao sol. Só depois estava pronto para ir. para o moinho.

A preparação do recinto de malhar, neste caso o Largo da Eira ou da Capela, também obedecia a certos rituais.

O largo era todo bem varrido (mais que uma vez) e barrado com fezes de bois (bosta), até agarrar bem. Esperava-se que secasse, estava então pronto para a malha.

Retomando as sementeiras, o cultivo seguinte era o do milho.

O milho era semeado nos meses de Março e Abril. A terra era lavrada ou cavada e, depois, gradada ou arrasada até ficar plana para lhe ser espalhado o estrume. Ao fazer os regos, o chamado acto de marejar, o estrume ficava alagado na terra junto com o grão do milho.

Quando o milho já estava crescido era sachado e, depois, arralado, quer isto dizer, compassado como devia ficar para criar espigas como deve ser. Depois disso, eram feitos regos para passar a água em leiras, para regar de forma uniforme todo o milho. Antes, porém, era todo empalhado com mato para segurar a terra.

Quando o milho já estava criado, assim como as espigas, era-lhe cortada a cana, junto às espigas. As canas com bandeira deixavam-se ficar para que o grão ficasse mais grosso.

A palha resultante deste corte, era carregada em molhos e deixava-se a secar junto às hortas. Depois de bem seca eram feitos molhinhos mais pequenos a que se chamavam fachas.

Estes pequenos molhos eram normalmente dados ao dono dos bois que lavrava a terra e carregava o estrume para as hortas. Este era chamado de "Carreiro" e a paga do seu trabalho era a palha com que ia alimentando os bois.

Mas, o ciclo do milho não termina aqui. Quando a espiga estava quase pronta para ser apanhada, eram tiradas todas as folhas da cana do milho e atadas em pequenos molhos, que depois de bem secos, eram guardados nos palheiros para serem dados, de pasto, ao gado.

Depois deste trabalho todo é que tiravam as espigas das canas, e estas eram transportadas para casa, onde se faziam as desfolhadas.

Quando as maçarocas estavam em casa, as pessoas da aldeia ajudavam-se umas às outras, num serviço verdadeiramente comunitário. O milho era desfolhado por várias pessoas.

Qualquer criança que tivesse nove ou dez anos, já ia ajudar à desfolhada e, de certeza, não ficava  atrás dos adultos nesse trabalho específico.

Nas desfolhadas havia uma coisa engraçada, o rapaz ou rapariga, a quem calhasse uma espiga encarnada, era obrigada pelo juiz a cumprir uma pena. Normalmente era dar um beijo e um abraço a todas as pessoas presentes na roda.

Tanto as desfolhadas, como as debulhas do milho, eram uma paródia. Aí se encontrava muita gente, cantava-se, bebia-se e contavam-se histórias. Por vezes (muitas, mesmo) no final das debulhas, faziam-se grandes bailaricos.

O milho, depois de debulhado, era transportado para o estendedouro, onde era espalhado em cima de grandes panos ou mantas de fitas, para ficar a secar ao sol e só era guardado quando estava bem seco.

Também para secar o milho se faziam coisas por tradição. Levava-se para o local onde o milho secava ao ar, uma arca e durante quatro ou cinco dias, era estendido de manhã (em cima das mantas ou panos) e apanhado à tarde, quando o sol passava.

Só assim, depois de passar todas estas etapas, é que o milho estava pronto para ser posto nos foles que o haviam de levar até aos moinhos, donde regressavam em farinha para se fazer a broa e os bolos.

Desta forma breve e aligeirada, espero ter mostrado como era o trabalho que estas duas espécies de cereais davam até serem transformados em alimento.

Já a batata, outro alimento indispensável na dieta serrana, e outros produtos hortícolas, assim como o vinho e azeite não davam metade do trabalho e eram muito mais compensatórios.

Não é preciso dizer mais nada para saberem o trabalho e esforço que a agricultura obrigava naquele tempo. Foi por isso, que escrevi, a vida dura dos serranos nos tempos de antigamente.

José Augusto Simões

2000

Publicado em Ecos da Póvoa


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    MEIO HOMEM INTEIRO
    Rogério Simões
     
    Meia selha de lágrimas.
    Meio copo de água
    Meia tigela de sal
    Meio homem de mágoa.
    Meio coração destroçado
    Meia dor a sofrer.
    Meio ser enganado
    Num homem inteiro a morrer.
    11/4/1975

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