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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda




Rogério Martins Simões

Cria o teu cartão de visita Poemas de amor e dor conteúdo da página

28.06.08

 

(Óleo sobre tela Elisabete Maria Sombreireiro Palma)

 

 

MOMENTOS MÁGICOS…
Rogério Martins Simões
 
No lugar onde o meu pai nasceu existe um lema muito antigo, e seguramente bem conhecidos nas outras aldeias do Concelho da Pampilhosa da Serra: VAMOS TODOS COMO OS DA PÓVOA - expressa bem, e em poucas palavras, a união de um povo, nas boas e nas más horas.
 
“Que fascínio exerceu, em mim, a tia Emília, do Pátio do Carrasco!
- Rogério unge as mãos e os pés”!
E ali ficava sentado, num banco rente ao chão, costas direitas, joelhitos bem unidos.
- O rapaz tem “cobranto” e rezava…
Depois minha mãe fazia um defumadouro e eu respirava os cheiros ancestrais dos contos mágicos do meu pai…”
 
Se há algo que recordo são os lugares e as pessoas que me dizem qualquer coisa.
Recordo perfeitamente a Pampilhosa da Serra onde ia à feira, à missa e ao pão com minha tia Laura da Conceição Simões e a minha prima Almerinda Simões.
Lembro-me de irem todos juntos - juntos sempre como os da Póvoa.
Da Póvoa recordo tudo, ou quase tudo – menos os nomes dos mais velhos, mas, ainda os vejo como eram. É interessante que depois de tantos anos tiro parecenças aos mais novos que descendem daqueles que bem conheci.
Nunca vi uma porta de casa fechada à chave e não havia notícia de por ali alguém roubar. Roubar só se fosse algum coração de menina – e eu era e sempre fui um apaixonado…
Tinha e tenho muitos amigos, na Póvoa, desse tempo menino. Corríamos todos os poços, todas as hortas, todos os caminhos. Fumávamos às escondidas, cigarros feitos de capas e barbas de milho e juntos éramos uns saudáveis traquinas! Aprendi com os “meninos-homens” da aldeia a procurar restos de bombas de foguetes, que não tinham rebentado, e a sorte esteve pelo nosso lado quando as fazíamos explodir debaixo de uma pedra ou de uma lata.
Foi ali que aprendi a jogar às cartas e foram tão bonitos esses tempos.
Apesar de só lá estar três meses seguidos, em cada ano, sempre fiz muitos amigos entre os mais idosos. Gostava de trabalhar e de ajudar os outros. Às vezes estorvava! Mas… apreciava tanto uma viagem num carro de bois do Ti Manuel Mendes. Ele era tão meu amigo que chegou a emprestar-me um jumento para ir até à aldeia mais próxima “Moninho”.
- Oh Laura! O garoto é trabalhador! Dizia o avô do César.
Era de facto trabalhador e estava sempre pronto para regar as hortas e as leiras, tal como apanhar os girinos nas águas que escorriam da “Fonte Velha” a caminho de um lugar a que chamavam do “Polome” e tinha um poço.
“Polome” era o nome que se dava a um local da povoação, um largo, um local de encontro para quem chegava e para quem partia. Junto ao este local ferravam os animais de trabalho e ali por perto enterravam as tripas das cabras que matavam para fazerem a “chanfana” para a festa de Santa Eufémia - no dia 3 de Setembro.
Recordo a chegada ao Polome e a visitas “obrigatórias” que fazíamos aos que viviam naquele lugar a Póvoa da Pampilhosa da Serra. Lá estava sempre pronto para nos receber o TI António do Vale Serrão e foi perto da sua casa que vi, pela primeira vez, o grão semeado e um desactivado o forno da telha.
A vida era difícil, ninguém diria, ninguém lamentava a má sorte, pois as casas estavam quase todas ocupadas e as hortas bem tratadas.
O fumo das lareiras saía pelas telhas ou pelos “janelos”
O galo cantava e as galinhas passeavam-se pelo mato que cobria os caminhos da aldeia que viria a servir de estrume para as sementeiras do milho e outros produtos hortícolas. Ainda hoje sinto os cheiros, os sons, as cores, o calor do verão, a fonte velha e a sua água refrescante.
Ainda vejo o cântaro na nossa casa da Eira, as panelas de ferro, a caçoila em cobre, o borralho e a braseira.
Como era gostoso ir para a “Feteira” apanhar os melhores figos e os abrunhos que não mais comi! E os morangos que cresciam nas paredes da horta! As flores! Os cachos. As ginjas e as maças.
Como vêm estou marcado. Sou um poço de saudade!
Não! Não me entendam que a minha saudade é de um tempo que não volta, (mocidade perdida). É e será difícil entender quanto eu amo a Póvoa e as suas gentes – parentes.
A minha saudade são os afectos, as recordações de tanta gente boa que nem me atrevo a citar um só nome.
A minha saudade é de ter vivido em liberdade cimentando a minha formação e alicerçando em valores a minha vida.
- Bom dia senhora Maria!
- Bom dia Rogério!
- Obrigado Rogério!
- Obrigado senhora Maria.
Aquela gente ensinou-me a dar e a receber. Ensinou-me a repartir e a não estragar o pouco que tinham. Aquela gente ensinou-me a amar e a lutar pela vida.
Vou terminar esta pequena incursão nos percursos vivos e saudáveis da minha memória…
Convidem-me para provar as filhós da aldeia do meu pai, dos meus avós.
Redescubram o bolo doce cozido num qualquer forno comunitário, com uma folha de figueira a servir de forma, e eu lá estarei para vos dar a provar a deliciosa marmelada caseira cristalizada na casa dos meus avós.  
Comerei a sopa de feijão atulhada com couves, abóbora, feijão seco e faceira de porco.
Derreter-me-ei com o lombo de porco retirado da panela de barro e com um pedaço de broa com presunto.
E se tiver frio dormirei num palheiro ou no sobrado por cima do curral das cabras!
Agora tenho de ir!
Não posso nem devo fazer esperar o povo.
O povo não parte sem mim,
nem eu parto sem o povo!
Vamos todos com os da Póvoa!
(memórias de um poeta. Dedicado a todo o povo da Póvoa – Pampilhosa da serra)

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

26.06.08

 

 

 

 (óleo sobre tela Elisabete Maria Sombreireiro Palma)

 
 
 
O barco partia à vela
Rogério Martins Simões
 
Éramos dois loucos
apaixonados!
E descobríamos na noite
O que perdemos
desencontrados.
 
O dia não passava.
Ficávamos dispersos…
A noite desesperava
Entre danças e copos
E ficávamos submersos
No fogo dos nossos corpos
 
E soprávamos as areias do deserto
Para esconder a cidade
Que espreitava à janela.
 
Não havia tempo para as estrelas.
E o ardor soprava tanto:
Que o dia cinzento era branco
E o barco partia à vela…
 
01-11-2006 22:56
 
 
Poemas de amor e dor conteúdo da página

25.06.08

 

 

(Castelo de S. Jorge - Lisboa - Portugal)

 

 

 

 

A árvore que chilreia...
Rogério Martins Simões
 
A árvore mal amada
Impede-te de pisar a relva?
Os caminhos para os paraísos…
serão guarnecidos
de cimento armado?
E os piratas de pernas de pau
terão pernas em betão?
 
Atiro uma flecha:
Cavaleiro andante
ou índio em extinção?
Não acerto uma!
 
- Dom Quixote
que se junte à causa!
 
A terra fede,
aos ímpetos dos lucros!
Os abates árvores
mantêm os solstícios
longe do equador
Para que as aves
não chilreiam com o sol…
 
A árvore que chilreia
tem os dias contados:
Constroem-se barrigas de ar,
em condomínios fechados,
para acautelar a extinta
extinção das árvores
 
Os deuses mediterrâneos
que se cuidem…
 
Dom Quixote
que se junte à causa!
E nós também!
 
02-07-2007 22:33:14
 

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

24.06.08

 

 

RIO DE PEIXE, MAR DE CARNE…
ROMASI
 
 
Foste ao mar
Aventureiro
Rio de peixe
 
Tragaste o duro pão
Aventureiro
Mar de carne…
 
O mar estava calmo
Aventureiro
Rio de peixe
 
Varreste a onda em vão
Aventureiro
Mar de Carne…
 
Lançaste a rede na bonança
Aventureiro
Rio de peixe
 
Foste pescado…
Aventureiro
Mar de carne…
 
Escutaste o canto da sereia
Aventureiro
Rio de peixe
 
Porque o mar estava irado
Aventureiro
Mar de carne…
 
És bravo, és herói
Aventureiro
Rio de peixe
Mar de carne.
 
Lisboa 1973

 

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22.06.08

 

 

 

VERDADEIRO
Efigênia Coutinho

Se é verdadeiro e solene
o amor com que me desejas,
tornando-me a primeira entre
todas as mulheres, eu nada
mais desejo neste Mundo!...

Senhora de um afeto tão
profundo, certo suportarei
as horas duras e infindas,
ditosas e altiva até nas
amarguras impostas pelo tempo!

Balneário Camboriú
19 de Junho, 2008
 
 
 
 
A grande poetisa e minha amiga, Efigénia Coutinho, deixou aqui um poema intitulado “verdadeiro”, poema este dedicado ao ser amor. Como aprecio muito a sua poesia, fui atrás do seu poema e escrevi umas quantas palavras. – Palavras verdadeiras.
Desejo a todos que, pelo menos, sejam tão felizes como o sou com a minha companheira há quase 20 anos. É por isso que os poemas de amor lhe são dedicados. A Parkinson que se atravessou na minha vida não foi suficiente para quebrar o seu amor por mim, pelo contrário, graças ao seu amor vou resistindo fortalecido na esperança de um dia poder dizer: estou curado.
Para todos muita felicidade.
 
Verdadeiro
Rogério Martins Simões
 
As verdadeiras palavras,
não são apenas palavras,
Os verdadeiros gestos,
não são simples gestos.
 
A verdadeira razão das não palavras
Está na falta de emoção dos sentidos
No egoísmo dos sentimentos indefinidos
Finitos, escamoteados sem coração...
 
Não basta repetir sonoridades
Que estas minhas palavras não têm.
Não basta calar silêncios:
Nas inverdades
Nos acesos
Nos excessos
Nos desafectos.
 
O afastamento sem nexo
Sem palavras
Sem explicação:
Quebra
Machuca
Enlouquece
Derruba
Mata lentamente
 
Verdadeira é a palavra solidão!
Que ecoa nos confins dos silêncios:
É a falta de uma carícia
É a falta de uma ternura
É a falta de um afecto
É o abandono na desventura
É o peso das paredes que sufocam
 
Verdadeiro é o amor
Verdadeira é a amizade
Verdadeira é a dor
Verdadeira é a solidariedade
 
Verdadeiro é o abandono de nós
Em busca do outro, do não eu.
 
Lisboa, 22-06-2008 2:37:25

 

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19.06.08

 

 

(CEZANNE)

 

 

A POESIA É ETERNA
Rogério Martins Simões
 
Às vezes fico para aqui a pensar...
Como a poesia é eterna!
Fico a imaginar
Quantos poemas foram perdidos,
Rasgados, queimados ou esquecidos…
 
Que importa quem os rasgou
Não importa quem os esqueça
Versos que um poeta libertou...
A poesia sempre regressa!
 
É na palavra, pela palavra
Feita em verso, que me alimento.
É na palavra, feita de pranto
Riso ou encanto, que me sustento!
 
Sou um simples poeta!
 
Venham comigo viajar
Num beijo doce roubado!
Venham comigo provar
A noite, o mel e o pecado
 
Deixem-me recriar a poesia
Que escrevo e que canto,
Horas adentro,
Em abrupta calma:
O riso, o silêncio ou o pranto
que me abraça, beija a alma
e não finda!
 
Dêem-me uma simples folha
ou um pedaço de papel
- Poesia!
És tão linda!
15-10-2004 1:27:41
 
 

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

17.06.08

 

(foto das 3 cadeiras)

 

 

 

 

 

 

As três enigmáticas cadeiras da Alfândega de Lisboa.
 
Desde há uns anos que me interrogo sobre a simbologia de três antigas cadeiras que andaram pelos corredores do edifício da alfândega de Lisboa, o antigo Celeiro Real do Terreiro do Trigo.
Dada a minha natural sensibilidade arqueológica e o modo como participo na comunidade – na salvaguarda do erário público – fiz para mim a promessa de não as perder de vista; não as “deixar ir” em troca de mobiliário novo e de conseguir que elas se integrassem no Museu Aduaneiro.
Há uns meses consegui, finalmente, sensibilizar os meus dirigentes e graças à competência e zelo da nova responsável da Biblioteca Aduaneira as cadeiras estão finalmente em segurança, isto é, recolhidas no espaço da biblioteca.
Reparto com os leitores deste blog esta minha pequena felicidade mas continuo a interrogar-me sobre o significado que o carpinteiro pretendeu dar ao encosto das cadeiras, e de tanto as olhar construí, e reservo para mim, uma teoria sobre o significado do conjunto simbólico.
Se olharem para as fotografias podem constatar, sem grande imaginação, que o autor gravou na madeira uma grande cruz judaica e dentro da mesma se encontra o desenho de um cálice. Outros símbolos se encontram ali, porém, como não sou especialista em simbologia deixo para eles esse possível estudo.
Uma nota final: pelo entalhe parecem anteriores ao século XIX .
 
Dedico ao Poeta que mais admiro, a FERNANDO PESSOA, esta minha pequena felicidade
 
Fernando António Nogueira Pessoa era filho de um crítico musical, descendente de cristãos novos, que morreu em 1893.
É de Pessoa este poema:
 
“Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir, precisei sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
Despi-me, entreguei-me,
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente.”
Rogério Martins Simões
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16.06.08

 

(Foto tirada pelo autor deste blog no Panteão Real da Casa de Bragança

Túmulos do Rei D. Carlos primeiro e do Príncipe Luís Filipe

Mosteiro de S. Vicente de Fora - Lisboa

Estátua da DOR da autoria de Francisco Franco

Ao fundo o túmulo do Rei D. João IV)

 

 

 

 

O REVIRALHO
 
1931: ano de todas as revoltas

 
 
A Ditadura
 
Sabes a vida que levo
desde o dia em que te vi:
ou preso, ou então na rua,
a conspirar contra ti.
 
Mais uma que se perdeu,
Não vale a pena chorar.
Tanta vez hei-de bater-me,
Que acabarei por ganhar. (*)
 
(*)Versos escritos no tecto de um dos quartos da fortaleza-prisão de São João Baptista, Angra do Heroísmo, em Abril de 1931, cit. in A. H. de Oliveira Marques, A Literatura Clandestina em Portugal, vol. II, editorial Fragmentos, 1990, p. 260.
 
O autor deste blog, para além de escrever e gostar de poesia, dedicou, também, parte significativa da sua vida à Arqueologia sendo o primeiro companheiro de Fernando Eduardo Rodrigues Ferreira nas escavações levadas a cabo, desde a década de 60 do Século passado, na Igreja de S. Vicente de Fora em Lisboa.
Fernando Eduardo Rodrigues Ferreira, meu amigo de longa data, é um ilustre arqueólogo: Mestre em Arqueologia Medieval, Doutorando em Arqueologia Forense, Arqueólogo do Município de Barrancos, conservador da Exposição Permanente de Arqueologia do Patriarcado de Lisboa.
Fernando E. R. Ferreira em conjunto com outros autores publicou diversos trabalhos entre os quais “CAUSAS DE MORTE DE DAMIÃO DE GÓIS” editor: Câmara Municipal de Alenquer; “Vida e Morte na Época de D. Afonso Henriques” da Hugin Editores.
Com a sua devida autorização darei conta, sempre que puder, de parte dos seus trabalhos, nomeadamente o que está no prelo a ser editado pela Câmara Municipal de Lisboa sobre provável causa da morte de Dom João VI.
Já agora visitem o Mosteiro de S. Vicente de Fora, com tempo, demora no mínimo 2 horas, e espreitem na parte da arqueologia onde estão bastantes peças encontradas por este vosso amigo.
 
A par da arqueologia que espero retomar, se a Parkinson me der um pouco de descanso, reproduzirei alguns documentos históricos que estão ligados à minha profissão, nomeadamente documentos que não se encontram referenciados no Google e são bem interessantes: Fonte Os livros da Casa da Índia e os livros do “celeiro do Terreiro do Trigo”
 
Hoje extraordinariamente vou falar de facto da História contemporânea, que alguns podem ainda desconhecer, e a que deram o nome de “O Reviralho”.
Em qualquer motor de busca podem localizar documentos sobre este assunto, no entanto chamo a atenção para um documento on-line que pode e deve ser lido - “1931: ano de todas as revoltas” da autoria de Francisco Lopes Melo é o trabalho que se encontra disponível na internet
Este é um importante estudo sobre todas as revoltas que ocorreram em 1931 contra o Regime de Salazar. Só o facto de no estado actual se viver em democracia, em liberdade, me impede de ser mais pessimista. Mas, na verdade, existem factos históricos que devem ser tidos em conta para que não emerjam graves acontecimentos como os que aconteceram de 1931. Siga o link e leia atentamente este trabalho.  
"Ao cair da noite desse mesmo dia 26 de Agosto de 1931, o Governo detinha já o pleno controlo da situação em Lisboa, regressando-se ao «viver habitualmente» na manhã seguinte, exceptuando-se um rasto de destruição e violência principalmente por acção do bombardeamento aéreo sobre áreas circundantes do forte de Almada, os 40 mortos, os cerca de 200 feridos e mais de 600 prisioneiros. Destes, 358 embarcarão, uma semana depois, sem serem julgados nem autorizados a ver as famílias, para a deportação em Timor a bordo do navio Pedro Gomes".
 
Cumprimentos a todos,
Rogério Martins Simões
 
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15.06.08

 

 

(Óleo sobre tela MODIGLIANE)

 

 

 

Hora Transparente
Efigênia Coutinho
 
 
Procuro  mil maneiras  ao teu sonho
 ajustar-me, o coração começa a ansiar...
na formosura dos teus abraços e beijos,
com que me dás na  matinal saudação
deixando  o peito palpitar de emoção!
 
Tudo é paz nesta hora transparente,
sendo melodia que nasce pura de nós
mesmos, e volteia entre brumas encantadas.
O corpo, enamorado  de nossas almas ...
Numa beleza horizontal de mundos quietos!
 
Contempla o céu, puro na explosão do
novo, a ressurreição misteriosa do bem
imenso, numa singular embriagues da
comunhão Universal  de todos os astros!
 Melodia dos pássaros líricos e dos Poetas!
 
 
Vislumbro o amanhã nascer, para sentir
o chão que tocamos de leve nossos pés
Há tanto tempo que caminhamos ao mesmo
lado, num ir continuo para cada vez mais
distante, onde os pensamentos se misturam!
 
 


 

salapoetas.jpg
 

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13.06.08

 

 

(Lisboa)

 

 

Lisboa é a minha Cidade!

Rogério Martins Simões

 

Mote

 

Minha terra é a mais bela

É bela e não tem idade

Vigio-a da minha janela

Lisboa é a minha cidade

 

Glosa

 

Coração apaixonado

Morro de paixão e amor

Apraz-me ver-te em flor

No Castelo enfeitiçado

Perdido, vivo em pecado…

Viajo na canoa à vela

Vejo Alfama aguarela

Rio acima com ternura

Subo o Tejo na ventura

Minha terra é a mais bela!

 

Mouraria vem navegar

À desgarrada partir

O meu amor não quer ir

É tarde! Vamos marchar,

Se partir hei-de voltar.

No chão flores de jade

Madragoa é qual saudade

Doce encanto, sacro mel,

Nunca me soubeste a fel.

É bela e não tem idade.

 

Coração foi bem levado

No trinar duma guitarra

Está frio, veste a samarra!

Bairro Alto, meu pecado

Boémias e noites de fado

Cravos rubros na lapela

Não passes por mim sem ela…

Voltei e já fui à Graça

Por São Vicente se passa,

Vigio-a da minha janela

 

Subi à Bica e vou a pé

A pé desci ao Rossio

Carícia do Paço ao rio

E ao Santo António da Sé.

Entrei e rezei com fé!

Sete morros de amizade

Vivendo em liberdade

Resguardam estes tesouros:

Latinos, Godos e Mouros,

Lisboa é a minha cidade!

 

Lisboa, 23 de Janeiro de 2008

 

 

 

 

 

 

 

fado
 
Rogério Martins Simões
 
Nas ruas da velha mourama
Era famoso o arroz de cabidela
No velho Pereira de Alfama.
Eram os pregões das varinas
Tocavam as concertinas
E os gatos espreitavam à janela
 
Mas Alfama não está quieta!
Fervilha, está viva, irrequieta
E um cheiro a namorico…
Deixa o Manel de alerta
Atira-se a um manjerico…
Com ciúmes da fadista Berta
 
A Berta que vê o artola…
Com naifa de ponta e mola
Não cede o passo ao Manel
- Acudam! Grita a infiel…
 
E no meio desta algazarra
Vasos partidos e tanto brado
Surge um fadista safado
Abraçado a uma guitarra
 
Pára a guerra na viela!
E o povo vem à janela,
Há fadistas por todo o lado…
Toca o Chico a Madragoa
Silêncio! Que a nossa Lisboa
Vai ouvir cantar o fado…
13/06/2007
 

 

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    MEIO HOMEM INTEIRO
    Rogério Simões
     
    Meia selha de lágrimas.
    Meio copo de água
    Meia tigela de sal
    Meio homem de mágoa.
    Meio coração destroçado
    Meia dor a sofrer.
    Meio ser enganado
    Num homem inteiro a morrer.
    11/4/1975

    Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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