VIAGEM
(Óleo sobre tela do mestre
REAL BORDALO)
Em poucos minutos escrevo um poema
Pouco tempo para uma vida...
O que imortaliza um poema?
O tempo? ou a pena?
Tudo vos dei:
O tempo, a pena e a vida…
Valerá a pena
a VIAGEM
dizer adeus na despedida…
MECO, 13 de Agosto de 2008
ROMASi/Rogério
VIAGEM
Rogério Martins Simões
A maré está em maré baixa.
Para onde foi a água salgada
E o sal que me temperou?
Meu barco sulca pelas águas que ficam…
Porque ficam as águas que não partem?
Quando partem as águas que ficam?
A maré está calma…
As águas parecem quedar:
O barco desliza e faz ondas,
Nas águas calmas e mansas,
Sopra uma ligeira brisa
E o barco desliza…
Outro barco passa…
Já passou!
Por tempestades
Por dias de sol
Meu barco de contida graça
Semeia carneirinhos,
Branca espuma, no verde-mar.
Quantos marinheiros respiraram este ar?
Quantos pescadores lançaram redes?
Quantos mares acolheram estas águas?
Mágoas?
Meu barco abranda
Estava proibido de atracar
Nas palavras que pincelam
As cores deste náufrago
- O barco vai parar!,
Grito ao arrais!
Estou finalmente a chegar
Ao fim destas palavras
Olho as amarras
com que prendem o barco…
A maré continua vazia….
Há tanto lodo no cais!
(Diário de viagem, Seixal-Lisboa
13-08-2008 09:01:19

