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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda




Rogério Martins Simões

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30.09.08

CIRANDA EM DÉCIMAS COM QUADRA E GLOSA

 « A MINHA TERRA»

Uma iniciativa do Poeta Daniel Cristal

 

ROMASI

 

 

 

 

(LISBOA, vigio-a da minha janela

Óleo sobre tela Elisabete Maria Sombreireiro Palma)

 

 

 

Lisboa é a minha Cidade!
Rogério Martins Simões
 
Mote
 
Minha terra é a mais bela
É bela e não tem idade
Vigio-a da minha janela
Lisboa é a minha cidade
 
Glosa
 
Coração apaixonado
Morro de paixão e amor
Apraz-me ver-te em flor
No Castelo enfeitiçado,
Perdido, vivo em pecado…
Viajo na canoa à vela
Vejo Alfama aguarela
Rio acima com ternura
Subo o Tejo na ventura
Minha terra é a mais bela!
 
Mouraria vem navegar
À desgarrada partir
O meu amor não quer ir
É tarde! Vamos marchar,
Se partir hei-de voltar.
No chão flores de jade
Madragoa é qual saudade
Doce encanto, sacro mel,
Nunca me soubeste a fel.
É bela e não tem idade.
 
Coração foi bem levado
No trinar duma guitarra
Está frio, veste a samarra!
Bairro Alto, meu pecado
Boémias e noites de fado
Cravos rubros na lapela
Não passes por mim sem ela…
Voltei e já fui à Graça
Por São Vicente se passa,
Vigio-a da minha janela
 
Subi à Bica e vou a pé
A pé desci ao Rossio
Carícia do Paço ao rio
E ao Santo António da Sé.
Entrei e rezei com fé!
Sete morros de amizade
Vivendo em liberdade
Resguardam estes tesouros:
Latinos, Godos e Mouros,
Lisboa é a minha cidade!
 
Lisboa, 23 de Janeiro de 2008
 
 
Poemas de amor e dor conteúdo da página

29.09.08

 

(Lisboa 2 de Julho de 1147)

 

 

 

 

 

Amo-te Lisboa virada ao Tejo
(Rogério Martins Simões)
 
Dizem que um dia alguém cantou…
Que por amores Lisboa se perdeu!
Por amores se perde quem lá voltou.
De amores se perde quem lá nasceu.
 
Dizem que um dia alguém contou.
Que uma moira cativa no Tejo desceu.
Por amores, Lisboa, a moura libertou,
De amores, por Lisboa, a moira morreu.
 
Juntaram-se os telhados enfeitiçados,
Apertadinhos os dois e entrelaçados,
Num fado castiço, numa rua de Alfama.
 
E o Tejo, que é velho, beija a Cidade:
Morre-se de amor em qualquer idade,
Perde-se por Lisboa, quem muito ama!
 
Lisboa, 20 de Junho de 2006
Poemas de amor e dor conteúdo da página

28.09.08

 

 

 

O FILHO DA CALÇADA
(Rogério Martins Simões)
 
Eu vi
O filho da calçada
Sorrindo de anjo
Com os cabelos sujos
Da cor do barro.
E o barro
Era a cor do anjo do céu…
O sujo é o amor
Da gente que passa
Coberta de véu...
 
E havia estradas
No rosto
Das lágrimas
Deitadas.
E havia candura
No lado oposto
Do cabelo
Cortado à pedrada…
E as pedras
Eram tábuas
E os cabelos
A almofada.
O cão a companhia
Ao filho da calçada.
 
Eu vi
O filho da calçada
Sorrindo de anjo
Com os cabelos sujos
Da cor do barro.
29/1/1975
 

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

24.09.08

 

 

(CEZANNE)

 

 

 

NÓ CEGO…
 
Rogério Martins Simões
 
Vezes sem conta… que contam?
Os deslizes, desta vida, nas bordas
Os precipícios inclináveis sem retorno
Ou a demência descontrolada num forno
Nos baloiços dos suplícios sem cordas…
 
Deixo ir os sentidos… que montam?
A carcaça seca de um velho barco
Ou o ginete de um gato parco
Capado, coitado, sem ego…
De gatas, às gatas, em nó cego…
 
Às vezes tenho guizos… que guiso?
Senda de um marinheiro acorrentado
A contenda de um plano inclinado
Ou a arte de escapar à descida,
Atravessada, cordata, vencida…
 
Deixo estas palavras: descontem!?
Confusos sentimentos sem viso?
Deixo de fora a estética: preciso?
De um soneto heróico de Camões
Ou de um jogo combinado a feijões?
Hoje nada conta: abro o misturador
E pico as palavras no obliterador…
Vezes sem conta! Desmontem…
 
Lisboa, 01-07-2008 20:57:28
Poemas de amor e dor conteúdo da página

21.09.08

 

 

MECO 2008

 

 

 

 

O tempo em ti seduz
Rogério Martins Simões
 
Tudo em ti irradia
Tudo em ti brilha e reluz
És airosa e singela:
Não há noites sem vela
Não há dia sem luz.
O tempo perde a forma
Esquece-se a norma
Vive-se na harmonia
O tempo em ti seduz!
 
Não me recordo de ti!
Recordo as noites frias
Quando a vida era breu!
Deixou marcas e sofri
No tempo em que existias
No tempo que não foi meu…
 
Ontem… olhei para ti
E de repente reparei
Que sempre te vi
Que contigo sonhei
Num tempo que não vivi
Num tempo que não amei
 
Hoje tudo irradia
Em ti tudo reluz
És airosa e singela:
Vive-se em harmonia
Não há noites sem vela
 Não há dias sem luz
 
 
Meco, 19-06-2008 23:52

 

 

 

 

(Óleo sobre tela

Elisabete Maria Sombreireiro Palma)

Poemas de amor e dor conteúdo da página

16.09.08

 

MECO 2008

 

 

 

 

Destino ou Coragem
(Rogério Martins Simões)
 
Deixei para trás o meu ego.
Deixei o sonho segurar o tento…
Quis Deus ou o destino cego,
Que o destino fosse tormento.
 
Ao sonho e à coragem me apego.
Gavião deixa passar o vento…
Sou náufrago em desassossego,
Destino ou coragem sustento.
 
Não! Não mais quero o desespero!
Não negoceio contigo e não quero!
Sou trama e urdidura forte…
 
E se o destino a coragem revela,
Partiremos juntos num barco à vela,
Pois na coragem se combate a sorte…
Poemas de amor e dor conteúdo da página

11.09.08

 

 

Este poema, de que gosto muito, foi dedicado a todos os meus “companheiros” portadores da doença de Parkinson e publicado pela primeira vez no dia em que o meu livro de poesia, “Poemas de amor e dor”, foi acedido 1 milhão de vezes em 18 meses. (início do blog Março de 2004). Foi escrito quando pela 2ª vez fiz “borrada” e foi assim:

A minha doce Elisabete fazia anos e eu até não estava muito mal, porém fui um desastre, no restaurante, nesse jantar de anos: Salpicou comida na gravata, para as calças, e quando me pretendia limpar, levantando-me, tombou a cadeira e o casaco foi ao chão.

Pouco se notam as diferenças mas parece que caem sobre nós todos os olhares e virei carrossel, recordei-me do melaço com que enfarruscava o meu rosto, que recuperei na lembrança, e fui de novo criança, agora, mais tonta e mais perdida.

Agora que sabem o segredo deste poema, quero agradecer ao Luís Gaspar ter emprestado a voz a este poema. Aos Estúdios Raposa a minha gratidão. Deixo-vos com o poema e com a sua gravação em mp3 no link ao lado.

Saudades e viva a poesia,

Rogério Martins Simões

 

 

 

 

QUISERA ANDAR DE CARROSSEL
Rogério Martins Simões
 
Quisera andar de carrossel
Com um sorriso de criança que ri
Rosto rebuçado, melaços de mel
Laivos da festa que resta em ti…
 
Num dedo prendo o balão,
Com outro seguro o corcel
Soco a bola com a mão
As mãos, o rosto e a testa
Besunto-me todo com mel.
 
Solta-se dos dedos o balão
Que voa a caminho do céu
-Mãe! Vai-me apanhar
Um sorriso igual ao seu…
 
-Meu filho a mãe não sabe!
Ler, nunca aprendeu:
A mãe vai procurar
O balão que se perdeu…
 
-Mãe que sabe escutar,
Meus choros em seu coração
Abençoada o seja minha mãe
Por tudo o que foi e me deu!
 
Rodopiam as lembranças da festa
Pára o movimento ondulante
Sujo-me de novo a cada instante…
Sem rebuçados com sabor a mel
Mas… Brinquei tanto no carrossel….
 
2005-10-20
Poemas de amor e dor conteúdo da página

09.09.08

  

 

 

 

 

 

 

PÁRA
Rogério Martins Simões
 
Segredaste-me tantas palavras,
Esta noite meu amor,
Quando no quarto imperava o silêncio!
E disseste tantas coisas,
Em silêncio,
Que nada ficou por dizer!
 
Tu sabes que eu gosto do silêncio!
De respeitar o silêncio,
Mesmo que ele incomode.
 
Incomodam-me
Mais os estados de “não alma”,
Que perturbam o silêncio,
Com palavras ditas de forma não calma.
 
Eu sei que não conheces
As “não palavras:
Que me ferem os tímpanos,
Que não acalmam!
Que me pulverizam o silêncio
Aniquilando o alento!
Que me cortam a respiração
E me deixam frustrado,
Cabisbaixo,
Adiando ou extinguindo
Para sempre a inspiração!
 
Que génio teriam os poetas
Se lhes parassem a respiração,
O pulsar e a pena?!
 
De que forma?
Com que sentido,
Teriam estas palavras,
Se as minhas palavras
Fossem desprovidas de qualquer sentido.
 
Sentidas foram as tuas palavras
Quando me disseste,
Sem falar,
Estas palavras:
Pára de escrever!
Porque as palavras te fazem sofrer!
Pára, vem descansar!
Para o corpo retemperar!
 
Mas meu amor
O meu descanso
Está nas palavras que não comando!
E se sofrer eu sofro
Escrevendo
Pior sorte seria
Não escrever chorando.
 
17/05/2004
Poemas de amor e dor conteúdo da página

04.09.08

 

Parabéns ao SAPO
 
pelo seu 13º aniversário.
 
Graças ao Sapo muitos têm interagido e dado a conhecer o seu melhor. Para muitos Sapo tem sido, e é, uma janela de oportunidade.
 
Em 4 anos que levo de fidelização aos blogs do Sapo muito mudou para melhor, tudo é mais simples, mais bonito. Destaco a qualidade dos seus profissionais a quem remeto um abraço.
Muito obrigado ao SAPO.
Rogério Martins Simões
 
 
 


 

 

 

 

 

 

A ESTRELA MAIS BELA QUE ENCONTREI!

(Rogério Martins Simões)

 

 

Sabes encontrar-me pela manhã.

No riacho cristalino do desapego.

Onde, renunciando, dores refego,

Para que a esperança não seja vã…

 

Livre da dor e tortura é este afã,

Cuido este corpo onde me apego.

Tarde libertar-me deste carrego,

Que extingue o carma de amanhã.

 

E se estiver na hora quero propor:

Irei de mãos dadas pelo caminho

Perdido eu de amores devagarinho.

 

Levarei comigo o meu lindo amor,

A estrela mais bela que encontrei

Não quero perder quem tanto amei!

 

Lisboa, 27-03-2008 22:04:08

 

 

 

 

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

02.09.08

 

 

Óleo sobre tela
REAL BORDALO

Igreja Senhora da Saúde

 

 

 

Fado! Só fado

Rogério Martins Simões

 
Lisboa

Não te incomodes

Comigo

Deixa secar as lágrimas

Anunciadas…

Em teu xaile preto

E mesmo que acordes.

Nos teus acordes,

Não tenho ais!

Mais,

Para trinar contigo.

 

Tirei a última lágrima

De saudade

Que escorria da varanda

Da minha viela

Reguei com ela

O vazo do manjerico

que o acaso

ou a esperança

me deixou à janela.

 

Porque é que sinto

Esta dor imensa

Que consome

E devora

O canteiro do meu corpo?

 

Não orvalha na cidade…

 

Deambulo!

Sai do meu peito

Um lancinante grito

Enquanto meus passos

Despeitam a noite…

Sou viola…sem cordas.

Canto aflito...

Castigo… sem pecado

Cais?!

Barco sem arrais!

Grito?

Fado! Só fado…

 
Lisboa

Não me apagues o que resta

Do cheiro a manjerico…

 

Meco, 02-09-2008 21:48

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

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    MEIO HOMEM INTEIRO
    Rogério Simões
     
    Meia selha de lágrimas.
    Meio copo de água
    Meia tigela de sal
    Meio homem de mágoa.
    Meio coração destroçado
    Meia dor a sofrer.
    Meio ser enganado
    Num homem inteiro a morrer.
    11/4/1975

    Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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