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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda




Rogério Martins Simões

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29.09.11

 

UM PÚCARO DE SAUDADE…

Rogério Martins Simões

 

Regressei à velha casa da aldeia.

E o trinco da porta sorriu…

Entrei!

A mesa ainda estava posta…

Era uma caixa de silêncio…

 

No meu lugar vazio havia

Um prato, um talher

E um corpo longínquo…

 

Tinha sede…

Procurei o púcaro da saudade…

Então,

Uma mulher adelgaçada

Colocou a rodilha à cabeça,

Abraçou o cântaro;

Pegou-me pela mão;

E partimos para a fonte…

Meco, 27-09-2011 15:54:52

Poemas de amor e dor conteúdo da página

25.09.11

 

 

 

CORAÇÃO DE NADA

Rogério Martins Simões

 

A toda a hora, ditosa,

Quero estar contigo e ter

A pérola mais preciosa:

Meus olhos para te ver.

 

Versos em flor, viçosa,

Poemas ao alvorecer.

Em dois botões de rosa…

Meus olhos os querem ler.

 

Quero também versejar,

Para que possa adoçar,

Os teus sorrisos de gata.

 

Assim o verso me ceda,

Teu corpo feito de seda,

Coração e seios de prata.

 

Meco, 25-09-2011 23:13:40

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

23.09.11

 

DEAMBULAÇÕES

Rogério Martins Simões

 

Avanço para a estrada que me vai levar…

 

A estrada que piso, e que nunca foi estrada,

É o meu caminho estreito, pisado…

Magoado

Mesmo no centro do universo.

 

Arranco de um lugar vazio

Que me leva sem fim à vista.

Avisto outro caminhante:

A sombra deste instante

Que comigo ensaia um verso.

 

A felicidade é um instante!

A amargura é uma eternidade!

Adiante!

 

Um cão abandonado sai do lixo

Fareja as minhas pernas

E segue o seu caminho.

Pensava que estava sozinho

Neste universo das palavras…

Que palavras teria ele para me contar?

Quem o terá abandonado?

Por que não ladrou,

Quando me encontrou,

O pobre do bicho?

Prossigo o meu caminho

Devagarinho!


De que lado está o sol?

Amanhã irá chover. Agora, não!


Meco, 14-08-2011 17:53:29

 

 

 

 

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

19.09.11

 

Imagem de Rogério Martins Simões

 

 

O CÉU PODE ESPERAR...

Rogério Martins Simões

 

Com a delicadeza da Tua mão,

Nas Tuas mãos,

Com a mão na minha consciência,

Consciente dos meus actos

Parcos e isolados:

Eu me denuncio

Eu me fortaleço

E cresço

E alindo

E deslindo...

Quem me dera ser

Um pedaço de céu!

Mas o céu pode esperar...

 

Espera!

Devolve-me o meu sorriso

Toca-me ao menos ao de leve

No meu movimento, no rosto,

E leva para longe

Esta incerteza...

Este meu desgosto!

 

Vem!

Sopra sobre mim!

 

Pesadas estão as minhas mãos

Que não desarmam:

Baralham-se,

Confundem-se,

Desalinham-se,

Desarticulam-se…

 

Que se cuide a natureza

Que me deu este estar

Pois a irei combater,

Para ser…

E o céu pode esperar

 

Que Te importa que continue

Qual o mal isso Te trás?

Traz-me vivo na esperança.

Eis a Tua fortaleza

Que aliada à minha fraqueza

Me renova

E cresço

Me alindo

E deslindo

Quem me dera ser

Feliz e não sofrer

E o céu pode ir indo…

Indo para onde quiser

Que espere!

Pois não estou preparado!

 

Coloca as Tuas mãos nos meus cabelos

E deixa-me de novo sorrir.

 

24-01-2005

1975

(Registado no Ministério da Cultura

Inspeção-Geral das Atividades Culturais I.G.A.C.

Processo n.º 2079/09)

 

 

 

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

08.09.11

 

 

 

SORRISO

Romasi

Rogério Martins Simões

 

Ainda há pouco

Uma negra sorri-me

E eu senti correr

Um fio de esperança:

O preto do meu coração

Ficou branco.

 

Bom dia amigo!

E as palavras de temperança

Beijaram as nossas bocas:

Bom dia amiga!

 

Miscigenei-me…

Em troca de um sorriso…

12/1972

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

04.09.11

S.Vicente de Fora

 

Memórias dos meus 16 anos de idade

Rogério Martins Simões

 

 

Já passaram 46 anos?! Que tragédia! Que trauma o foi para todos nós, jovens da mesma idade, amigos inseparáveis, acólitos e catequistas na Igreja de S. Vicente de Fora.

Eu ia ao seu lado!

 

 

Nascemos no mesmo ano, eu a 5 de Julho, e o Hernâni (NÃ) a 29 de Setembro de 1949. À data dos acontecimentos tinha completado os meus 16 anos de idade e recordo que nos preparávamos para a grande festa dos 16 anos do Nã.

 

Recordar esta tragédia é lembrar um dos acontecimentos mais traumatizantes da minha vida e da vida daqueles que presenciaram, incrédulos, o que ali estava a acontecer. Sim, mesmo ao nosso lado.

 

Regressávamos de mais uma viagem na camioneta do Patronato. Todo o dia fora divertido, porque, nesse tempo, contentavam-nos com pouco – os nossos pais não tinham viatura, e ir numa excursão à praia das Maças; ao Guincho, a Vila Viçosa, ou a outro local programado, era sempre um motivo para nos fazer felizes. Tudo correra com normalidade e lá estávamos nós amontoados ao fundo da camioneta. Muito cantámos, mas o artista era o Hernâni.

 

Recordo o momento em que a camioneta chegou ao campo de Santa Clara, local onde se faz a feira da ladra.

Lembro-me da viatura começar a entrar por aquele estreito e maldito portão.

 

Recordo-me de ver os putos pendurados no estribo da camioneta, ali mesmo ao nosso lado, na sua parte traseira.

 

 

 

(FEIRA DA LADRA)

 

REAL BORDALO

 

Ainda estou a ver o Nã a gesticular para os garotos e a pedir-lhes para que fugissem; para que não ficassem entalados entre a camioneta e o portão que dá acesso à parte inferior do antigo Mosteiro de S. Vicente de Fora.

Recordo o momento em que o Hernâni colocou a cabeça de fora tentando com o braço a afastar os putos. A camioneta a entrar lentamente, uma eternidade, arrastando e esmagando a cabeça do Hernâni contra o portão de ferro.

 

De o ver cair a meu lado o corpo do Hernâni, jorrando sangue.

 

Vejo-me a chorar e a correr para a Igreja a rezar e a passar em revista os tempos felizes que vivemos e o dia em que nos conhecemos:

 

“Desde menino, quando apenas conhecia os anjos, já escutava na telefonia a bela voz da Amália. A Minha mãe lavava a roupa no tanque, num saguão de uma casa na freguesia de S. Vicente de Fora, e cantava desconhecidas cantigas da Beira Serra.

 

Fui crescendo e um dia, no início dos anos 60 do século passado, descobri por acaso os caminhos que me conduziram, durante muitos anos, à Igreja de S. Vicente de Fora.

 

A luta pela vida era tremenda! Levantavam-se pelas 4 horas da manhã, apanhavam o elétrico que os levava à Praça da Ribeira onde se abasteciam de legumes com que governavam a vida no mercado de Santa Clara. Pela primeira vez entrei nos claustros do Mosteiro de S. Vicente de Fora.

 

Andava eu pelos claustros do Mosteiro quando, em cima da hora das cerimónias de posse do novo pároco, faltou à chamada um menino do coro! Mas… o Padre Cunha fazia questão em ter doze rapazes! Doze eram os Apóstolos e ele só tinha 11.

Tudo tinha sido verdadeiramente programado, ensaiado ao mais pequeno detalhe: os mais pequenos à frente! Tudo em carreirinha, em duas filas! – Túnicas novas feitas por medida! Sobrava uma! Era grande - como ela tivesse sido feita de propósito para mim!

 

Pois bem! Não é que fui pescado quando por ali andava perdido…

 

Vestiram-me uma túnica branca.

Cingiram-me com um cordão vermelho.

 

Em poucos minutos ali estava eu, menino do coro repescado, a caminho do Altar, lado a lado com o meu bom e saudoso amigo, Hernâni Anunciação Santos”

 

 

 

 

(à porta da Igreja de S. Vicente de Fora - Anos 60

 

 

Volto aos acontecimentos desse trágico dia:

Entrei na Igreja em convulsão. Ajoelhei-me e pedi a Cristo e aos santos para salvarem o Nã – e ELES não me quiseram ouvir…

 

A partir daí deixámos de escutar o seu belo canto no átrio da Igreja de S. Vicente de Fora.

Não mais esqueci aquela tragédia – Tinha então 16 anos de idade. Talvez por isso, quando nos juntamos, todos cantamos a mesma canção. Assim, e enquanto houver memória, haveremos de cantar, recordando-o, a sua canção: “A FONTE DA MINHA ALDEIA”

 

“ A fonte da minha aldeia

Quando soluça baixinho

Parece até que rodeia

A poeira do Caminho.”

…………………………………..

…………………………………..

Eterna saudade, do teu eterno amigo,

Rogério Martins Simões

 

 

 

 

 

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    MEIO HOMEM INTEIRO
    Rogério Simões
     
    Meia selha de lágrimas.
    Meio copo de água
    Meia tigela de sal
    Meio homem de mágoa.
    Meio coração destroçado
    Meia dor a sofrer.
    Meio ser enganado
    Num homem inteiro a morrer.
    11/4/1975

    Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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