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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda




Rogério Martins Simões

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30.08.12

Soprei numa pena

Rogério Martins Simões

 

Soprei numa pena

Que se anichou à janela

Aí está ela, agarrada à empena.

Sem pena, partiu à vela….

 

Valerá a pena eu ir atrás dela?

 

Deu a volta e reentrou,

Parece serena!?

Soprei na pena e a pena voou,

Aí vai ela pela porta pequena…

 

Valerá a pena partir com ela?

 

Vem um passarito

Apanha-a no bico

Ouve-se um grito

Aí vai ela, a caminho do pico…

 

Valerá a pena ter pena dela?

 

Vem um gavião com asas de granito.

Devolve-me a pena com penas na sela…

São do passarito que passou a goela:

Parte gavião! Leva as penas maldito…

 

Regressou a pena!

Não voltei a soprar mais nela…

Parece serena,

A pena,

Que pena reencontrar-me com ela!

 

Hospital dos Capuchos, 19/9/2007

(Concluído em 02/10-2007)

(Registado no Ministério da Cultura

Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C.

Processo n.º 2079/09)

 

 

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26.08.12

ABANDONO

DAVID MOURÃO FERREIRA



Por teu livre pensamento
Foram-te longe encerrar
Tão longe que o meu lamento
Não te consegue alcançar
E apenas ouves o vento
E apenas ouves o mar


Levaram-te a meio da noite
A treva tudo cobria
Foi de noite numa noite
De todas a mais sombria
Foi de noite, foi de noite
E nunca mais se fez dia.

 

Ai! Dessa noite o veneno
Persiste em me envenenar
Oiço apenas o silêncio
Que ficou em teu lugar
E ao menos ouves o vento
E ao menos ouves o mar.

 

 

Aqui deixo um belo poema de David Mourão Ferreira na voz de Amália Rodrigues.

Amália gravou este poema nos anos 60 do século passado…

Ao fazer esta justa homenagem ao poeta e a Amália só me restam duas palavras

“ que coragem”

 

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21.08.12

 

 

SOL NA MADRUGADA

Rogério Martins Simões

 

No centro do meu destino com olhos de nada,

Quando a ventura que atrevida dança,

Perdi-te num luar da madrugada

Quando cego ceguei a minha esperança…

 

Foi  numa tarde, num dobrar de sinos;

Nos teus olhos onde a ventura tem os meus;

Meus olhos refeitos foram pequeninos

E voltaram a sorrir nos olhos teus.

 

Rompe a manhã que bem cedo espreita:

É a felicidade que comigo se deita…

21-08-2012 14:26:16

 

 

 

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18.08.12

DALILA MOURA BAIÃO

DALILA MOURA BAIÃO

POETISA

 

A Dalila Moura Baião publicou em 2010 o seu terceiro livro de poesia intitulado “AMAR EM CHÃO DE MAR”. Em 2011 ofereceu-me um exemplar da Editora “TEMAS ORIGINAIS” TEL 239100670 no qual me dedica um poema. Quando o ofereceu li de passagem os poemas e fiquei impressionado com a sua qualidade poética. Hoje voltei ao livro e asseguro-vos que os poemas são de uma beleza que seduz. A Dalila não precisa de publicidade. Quem a conhece sabe que ela respira poesia. Por isso e pela primeira vez neste blog aconselho a leitura de um extraordinário livro de poesia.

Deixo aqui um dos poemas desse livro que a grande poetisa me dedicou e que ao tempo fui autorizado a publicar:

 

“POETA DO AMOR E LIBERDADE”

(Ao meu amigo Rogério Simões, com carinho)

O teu poema:
É o grito rasgado que guardas no peito
É o eco lançado no abraço perfeito
Com que enlaças a vida no mar do desejo
De seres marinheiro da palavra viva
Que soltas no olhar…

O teu poema:
É ternura cansada que banhas em esperança
Na dor extenuada que aguarda a mudança
No rio do silêncio que clama, na foz
Do desassossego, que ergues na voz
Aguardando confiança…
Em cais de firmeza.

O teu poema:
É o fio de lua nas tuas mãos de criança
O brilho dourado da estrela que dança
O rumor timbrado da harpa escondida
Que na melodia suave te envolve de vida

Porque o teu poema, mesmo sem ser escrito
Está no teu olhar, na tua vontade
Na tua ternura, que pinta a beleza
Duma alma nobre, onde há liberdade
De ser poesia em cada momento
Lutando e crescendo contra o desalento.

E porque és poeta, do amor e da paz
Onde a liberdade passeia acordada,
Mesmo sem “escreveres”palavras na tela
Num papel visível, num ecrã mostrado,
Está no teu olhar o poema vivo
Nessa poesia, que guardas magoado.
Serás sempre Poeta: Tu foste fadado!

 

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14.08.12

ZUMBIDO

Rogério Martins Simões

 

Lá fora,

No colar da escuridão,

Percute o vai e vem

Das ondas do mar.

 

Mandei calar o vento

E o mar amainou.

 

Pedi silêncio à coruja

E ela acordou.

 

Veio o mocho

E acabou por anuir.

Lá fora

a noite nem é de grilos...

e não consigo dormir!

 

Aqui, nos meus ouvidos,

Um zumbido ruidoso

Corrompe este pacto de silêncio.

 

Amanhã,

Ordenarei ao mar

E ao vento,

Ao mocho, à coruja

E ao sino do templo,

Que não deixem silenciar a noite.

 

A minha noite

Não é só de grilos...

Espasmos dolorosos pulsam

E não me deixam sossegar.

 

Lisboa, 07-02-2010 22:36:39

(Diálogos da alma e do poeta: diário de um doente de Parkinson)

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11.08.12

OS CORVOS DA IGREJA DE SÃO VICENTE DE FORA

Rogério Martins Simões

 

Era um vez um menino traquina, de seu nome Rogério, que foi fotografado nos claustros da Igreja de S. Vicente de Fora a "fazer festinhas" ao espertalhão de um corvo chamado “Vicente”.

O Corvo era a mascote do Padre José Correia da Cunha e o menino, "desconfiado", colocava a mão a medo para a “fotografia”.

O Corvo “Vicente”, que se sentia protegido pelo Prior, tornara-se altivo e ao mínimo descuido bicava "na canalha" - nos putos.

Ao lado do Panteão Real da Casa de Bragança ficava o “Pátio dos Corvos” onde vivia desterrado o outro corvo – O corvo “Valério”.

Mas o corvo “Valério” era amigo dos jovens cicerones - dos putos. E os putos gostavam do Valério!

Então, o corvo “Valério”, para demonstrar a sua lealdade pelos meninos, e rapazolas, que o soltavam para andar livremente pelos claustros do Mosteiro de S. Vicente de Fora, saltava para cima dos seus sapatos e desfazia o laço aos atacadores.

Era uma atração p´ro turista, por isso passeava pelos claustros onde petiscava com os “putos” tremoços, pevides, amendoins e outros afins comprados com as gorjetas dos turistas.

Entretanto, o corvo “Vicente” ficava pela sala paroquial onde petiscava do pequeno-almoço na companhia do Prior.

Certo dia, o corvo “Vicente”, apareceu afogado numa velha e abandonada “pia Batismal, nos claustros do primitivo convento, e nunca se veio a saber as causas da sua morte…

AH! A foto…

No dia da foto o corvo “Vicente” apareceu nos claustros e teve sorte: ficou na fotografia…


(Retratos da alma e do poeta - S. Vicente de Fora)

Meco, 10-08-2012 20:04:01

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08.08.12

SEMPRE…

Rogério Martins Simões

 

Sempre que estas mãos não amparam o choro,

para que não se perca uma migalha de ternura,

Esfrego os meus olhos na ventura,

Apago as lágrimas

E parto à procura da poesia

 

Campimeco, Aldeia do Meco, 08-08-2012 19:24:17

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04.08.12

FOGO NA PÓVOA – PAMPILHOSA DA SERRA (MEMÓRIAS)

 

Um dia, quando era menino, brincava no alto da serra com outros meninos.

Os meninos gostam de liberdade e eu voava ao vento por entre carquejas e pinheiros.

Nesse dia o calor apertava e a serra convidava-me a correr.

Lá no alto num lugar designado por Feteira, perto da nossa Feteira onde ia aos cachos e aos figos, avistei um enorme incêndio que consumia tudo à passagem e cortava a minha respiração.

Desatei a correr e confesso que fui muito mais rápido que o meu futuro companheiro das correrias, o Fernando Mamede. Só que nem o Mamede nem o Carlos Lopes estavam por perto, pois, se estivessem, correríamos todos ao desafio como passados alguns anos o fizemos.

Cheguei à Póvoa e desatei a gritar: Vem aí o fogo, vem aí o fogo!

Quem se importa com fedelhos! Tomei uma decisão - saltei para a corda do sino e toquei a rebate.

Veio o povo! Ralharam comigo! A minha tia puxou-me as orelhas!

Era o dia 3 de Setembro, finais dos anos de 50, dia da Festa na Póvoa.

Festa é festa! E se o fogo consumia o mato em outras aldeias - alguém o apagasse…

No final do dia o fogo consumia os terrenos da feteira e os pinheiros da aldeia.

Todos gritavam, tocaram os sinos a rebate e lutei, lutei como um herói com um ramo de pinheiro na mão.

O fogo? AH! Esse parou, como por milagre, rente aos nossos pinheiros da Feteira.

Um abraço ao correr da pena

Rogério Martins simões

 

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01.08.12

POETA DE CORPO INTEIRO

Rogério Martins Simões

 

Sigo num tempo

Que atento sinto:

Que sinto?

Alguém falou?

Alguém deu nas vistas?

As vistas curtas confundem as próprias vistas.

Não viste nada!

Desandas!

 

Volto ao caderno.

Não escrevo!

Ligo palavras, sílabas.

Que sílabas?

Tinha tudo para ser feliz…

Tempo inútil,

Onde tudo não passou

De uma forte gargalhada de dor.

 

Uma criança chora!

Chora, não sei:

Chora sempre!

Que sente?

Doem-lhe estas palavras rasgadas,

Tramadas,

Dói-me esta dor

Que se difunde,

E confunde, em contratempo:

Deram-lhe tudo para ser feliz…

Quem mente?

 

As ondas varrem a cidade

Que flutua

Num extenso areal adornado de adereços…

 

Volto ao caderno.

Não! Escrevo!

Ligo palavras, sílabas.

Que sílabas?

Tinha tudo para ser feliz,

Por um tempo inútil,

Onde tudo não passou

De uma forte gargalhada de dor.

 

 

Se ando por fora dos papéis voo nas vistas.

Se conseguisse andar daria nas vistas…

Estou sentado numa cadeia de ferros

Tenho o caderno afundado numa teia de ferro.

A ferro e fogo.

Já fui fogo.

Água e gelo.

Gelo os meus pensamentos.

Que faço destas mãos?

 

Levaram as sementes do meu campo de trigo

Trinco sementes de girassol

Neste cantar de desabrigo…

Estou fechado no prédio móvel

Que é meu corpo.

Que dilema:

Perdi as forças e estou num colete-de-forças.

 

Volto a olhar para dentro,

Olho o meu corpo,

Conheço a idade do meu corpo,

Não estou mal para a sua idade…

Que idade tenho?

 

Quero fugir de mim

E dão-me dose dupla…

 

Se conseguir sobreviver

Saberei viver?

Viverá quem já não goste da vida?

Que vida?

Fechada a cadeado?

 

Movimenta-me na dose dupla

 e volto a andar:

Subo o patamar da mente;

e desço de andar na escrita…

 

Poucos Metros me afastam da meta

Onde já fui primeiro…

Voa atleta:

Poeta

De corpo inteiro!

 

 

Meco, 12 de Julho de 2009

O direito de autor é reconhecido independentemente de registo,

depósito ou qualquer outra formalidade

artigo 12.º do CDADC. Lei 16/08 de 1/4)

(A registar no Ministério da Cultura

- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –

Processo n.º 2079/09)

 

 

 

 

 

 

 

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    MEIO HOMEM INTEIRO
    Rogério Simões
     
    Meia selha de lágrimas.
    Meio copo de água
    Meia tigela de sal
    Meio homem de mágoa.
    Meio coração destroçado
    Meia dor a sofrer.
    Meio ser enganado
    Num homem inteiro a morrer.
    11/4/1975

    Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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