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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda




Rogério Martins Simões

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26.11.12

PAPAGAIO AZUL

Rogério Martins Simões

 

Daquela janela virada a sul,

Por onde um ligeiro vento passava,

Um pedacinho de papel azul,

Subia ao céu e do céu baixava.

 

Olhei p’ra janela virada a sul,

Que a sul, afinal, ali não estava

Era um sonho e nem era azul:

O papel azul que o vento levava.

 

Não era janela, era sacada.

Não era o sul, talvez fosse norte.

Não era um sonho, talvez a sorte:

Tantos sorrisos com olhos de nada.

 

Naquela janela virada a sul,

Preso a um cordel segurava,

O meu papagaio de papel azul,

Que subia ao céu e de lá baixava.



MECO 13-11-2012 01:12:36

 

 

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

20.11.12

Seguro da insegurança

Rogério Martins Simões

 

Torres vigiam a casa assombrada

onde perpetuam  marginais

e abstractas letras

de uma desconhecida liberdade.

 

A canalha… aproxima-se

verberando abstracções concretas.

No alto da torre seguem os carros pretos

chapeados com protecções e blindagens.

 

Blindaram os corações

para recolher os protestos.

Não! Os protestos não chegam às torres…

Aparam os ouvidos,

com guardanapos ao tiracolo,

e vestem camuflados para vigiarem o solo…

 

Para manterem a forma exercitam-se

encolhendo os ombros

e olhando de soslaio.

 

A segurança mantém asseguradas

as palavras contrárias

e perseguem quem se oponha à segurança!

Se lhes virar as costas dirão que sou poeta…

 

Dispararam às cegas

E atingiram um colibri!

 

Do mar saltam alforrecas e camarões!

A segurança contra-ataca

com a segurança dos narcóticos.

 

Os moribundos mascam,

agora, folhas de coca.

 

Do deserto partiram legiões,

imprecisas,

 de escorpiões.

Dizem que um bando de loucos

se escondeu numa toca

 

Toca docemente um violino cego

Ouve-se uma canção de embalar:

- Que será de ti meu menino

Se o povo não se revoltar

 

Corre um vento forte.

Ouvem gritos!

Se virar as costas

dirão que não sou poeta…

 

Um abraço para ti José Baião

1/03/2007

Rogério Simões

(correspondência entre poetas)

Poemas de amor e dor conteúdo da página

13.11.12

NO RELEVO DO CAMPO

Romasi

Rogério Martins Simões

 

No relevo do campo

Na giesta do mato

Tu te deitas

Eu me tardo

Tu te despes

E meu peito se quebra

Num soluço virgem

Num bater profundo

Como se todo o gesto

Percorresse o próprio gesto

Como se todo o silêncio

Fosse o próprio silêncio.

 

No relevo do campo

Na giesta do mato

Tudo parece acabar

Como que no chão

Tudo morresse.

 

Não!

As flores irão florir

Porque eu terei a força

De as despir.

E do meu gesto

Renascerá o próprio gesto.

 

No relevo do campo

Na giesta do mato

Tu me chamas

Eu me dispo

E num gesto

Cavo o chão

Entro nele

Para bem fundo

Poder fecundar a terra

E florir na Primavera.

12/02/1979

(Registado no Ministério da Cultura

Inspeção-Geral das Atividades Culturais I.G.A.C. Processo n.º 2079/09)

Poemas de amor e dor conteúdo da página

10.11.12

 

VERSEI-TE O CORAÇÃO

Rogério Martins Simões

 

Em poemas que te cantava,

naqueles tempos de então,

não via teu rosto e sonhava

eras a minha invenção.

E o nosso tempo esvoaçava

em provocação…

e assim por aí andava

de mão em mão…

 

Depois, eu vi teu rosto

- Luar de agosto,

num novo poema;

numa nova canção.

E numa noite diadema:

acendemos a fogueira;

atiçámos a chama;

apagámos a cegueira

de mão na mão…

 

E foi o poema que te encontrou…

quando para sempre jurou

que a partir desse dia

não eras mais fantasia

ou simples imaginação.

E num rasgo de poesia,

ousada, perdida ou vadia

versei-te o coração.

 

Numa noite diadema

neste novo poema

nesta nova canção!

Acendemos a fogueira

Apagámos a cegueira

De mão na mão…

 

19-05-2008 23:48:43

 

(Registado no Ministério da Cultura

Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C.

Processo n.º 2079/09)

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

05.11.12

 

(Foto Padre Pedro)

 

 

RIO ACIMA, RIO TANTO

Rogério Martins Simões

 

Sob a ponte da coragem

Curvo-me até quanto?

Tanto sonho de passagem

Rio acima! Rio tanto...

 

Maré-alta na desventura

A pisar de novo um pranto…

Sobe comigo à ventura

Rio acima! Rio tanto...

 

- Poeta que vês no rio?

Não deixeis o riso em vão...

Tendes frio, tenho frio:

Que levais no coração?

 

Rimos tanto, rio deixo,

Tapo a tristeza com a mão:

- Nos pés tendes um seixo:

Que levais no coração?

 

Subo a ponte da lembrança

Espalho o trigo, faço o pão

Verde é ainda de esperança.

- Que levais no coração?

 

Levo o verde da esperança

Não atiro os sonhos ao chão:

- Os sonhos são a criança

Que transporto no coração.

 

Chegados ao fim da viagem

Unidos no mesmo canto

Quem sonha torna-viagem

Mar acima! Rio tanto...

 

 

Meco, 25-06-2011 00:25:26

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

03.11.12

CINZAS INGRATAS

Rogério Martins Simões

 

Afirmo que as nuvens estão vazias

e os astros estão em chamas.

Afirmo que os poetas são pastores,

das noites vadias…

de estrelas e de dramas…

Afirmo que os versos se perderam,

no meio das sílabas,

quando as sílabas silvaram soluços

de alfabetos longínquos…

Afirmo que os poemas incompletos

são retalhos intrínsecos

de soluços irrequietos…

 

Não voltarei a olhar para trás…

As cinzas ingratas…

fertilizam as minhas noites frias!

Praia do Meco 06-07-2010

 

 

 

 

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    MEIO HOMEM INTEIRO
    Rogério Simões
     
    Meia selha de lágrimas.
    Meio copo de água
    Meia tigela de sal
    Meio homem de mágoa.
    Meio coração destroçado
    Meia dor a sofrer.
    Meio ser enganado
    Num homem inteiro a morrer.
    11/4/1975

    Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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