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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda




Rogério Martins Simões

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30.09.13

Parte 1 a 4

 

 

 

AS CIDADES SÃO ARMADURAS… FATIGADAS E FORJADAS... EM LÍNGUAS, MITOS E RITOS... COMBINADAS DE CIMENTO E TIJOLO.

Rogério Martins Simões

(Tomo 1)

 

As cidades são armaduras

 

As cidades são avenidas seguras

A cidade é a minha rua também

As ruas por onde andava são inseguras

Já lá não mora ninguém

Mas numa rua nasci

A minha rua era a cidade

Na minha cidade cresci

E agora com mais idade

Voltei trazendo a saudade

À rua onde ainda não morri

 

As cidades são armaduras

Fatigadas e forjadas

Em línguas, mitos e ritos

Combinadas de cimento e tijolo.

 

A minha rua tinha um casario

Numa dessas casas nasci

Da casa espreitava o rio

E o rio era o meu navio

Para onde aprendi a espreitar

E só tinha os olhos no mar

 

Por isso da minha casa espreitava

Olhava através dum postigo

No dias em que o vento açoitava

Tudo à frente levava

Colocando a barra em perigo

E para o navio não encalhar

Quatro vezes viravam

Duas vezes para o mar

As proas destes navios

E até o guindaste parava

Não descarregando mais nada

No cais da minha cidade

Onde muito perto morava,

De onde tudo isto espreitava

E mais por agora não vos digo

 

(Tomo2)

 

FATIGADAS E FORJADAS

 

 

Nas traseiras da minha casa

Existia um saguão

Onde as mulheres à tarde lavavam

com muita água e sabão

As roupas que todos sujavam

E tudo era lavado à mão.

 

E até o velho tanque sorria

Àquelas mulheres tão novas

Por isso me recordo agora

Das partidas que elas faziam

Das bolas de sabão que subiam

Da ponta do meu canudo

E até minha mãe cantava

Uma cantiga das beiras

Apesar de muito cansada

De tanto trabalho na praça

 

E todas muito se riam

Até diziam asneiras

E antes chegassem os homens

Passavam de lavadeiras

A criadas de servir

E quando o meu pai regressava

A minha mãe com seu ar de graça

À frente da garotada

Fazia sempre chalaça.

E nem havia tempo para carpir

Que a janta estava pronta

 

(TOMO 3)

 

EM LÍNGUAS, MITOS E RITOS

 

Agarradas aos frontais

As varandas da minha rua

Mais pareciam estendais

Em todas as sacadas havia

Roupas dependuradas

Que escorriam para a rua

 

Tinham sido bem torcidas

Tinham sido bem espremidas

Mas uma vez um careca

Que olhava para a lua

Levou com uma encharcada cueca

No alto da nuca

 

E alguém chama um polícia

Logo o polícia autua

E foi um reboliço

Juntou-se uma multidão num buliço

Entre os quais um castiço

Que no meio da confusão

Rouba ao merceeiro o chouriço

E chama de careca ao lesado

 

E o polícia que não se faz rogado

Pega no cassetete e bate

Num inocente que passava

 

E salta a peruca…

A malta estava maluca

Ouviu-se a sirene da “Ramona”

E antes que os levassem p´ro Torel

Partiram numa “fona”

Fica apenas o móbil do crime

Que esta história de cordel

Por agora não acaba aqui

 

(TOMO 4)

COMBINADAS DE CIMENTO E TIJOLO.

 

E ao Domingo descansavam

Mas era dia de missa

Ordeiramente preparavam

Uma banheira de zinco

Duas panelas de água quente

Uma barra de sabão azul

Toalhas e um pente.

 

E assim começava a barrela

Os putos iam primeiro

Na mesma água do banho

Que ainda não ganhara cheiro

E mais parecia amarela

Depois de limparem o ranho

E quando ficava castanha

Era despejada para o ralo

 

Estava a ficar tarde para a missa

E antes que viesse a preguiça

Ordeiramente recomeçava

Voltavam as panelas

A água morna no zinco

E os corpos que transpiravam

Ficavam todos num brinco.

 

Agora na minha cidade

Não lavam mais roupa à mão

Nem o corpo em banheiras de zinco

Eu vi quando por lá passava

Que os passeios da minha rua

Estão agora presenteados

Com tanta merda de cão

E assim vai a minha cidade

Que os gatos da minha idade

Também só mijam no chão…

 

Da minha rua parte um caminho;

Um caminho que me conduz ao destino;

Que destino me traz o caminho;

Que me conduziu à minha rua…

 

As cidades são armaduras

Fatigadas e forjadas

Em línguas, mitos e ritos

Combinadas de cimento e tijolo.

 

26/09/2013 17:59:15

29/09/2013 01:39

Meco, 30-09-2013 23:19

( Este ensaio será incluído num próximo livro do autor)

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

26.09.13

Foto de ROMASI

AS CIDADES SÃO ARMADURAS…

Rogério Martins Simões

(Tomo 1)

 

As cidades são armaduras

Fatigadas e forjadas

Em línguas, mitos e ritos

Combinadas de cimento e tijolo.

 

As cidades são avenidas seguras

A cidade é a minha rua também

As ruas por onde andava são inseguras

Já lá não mora ninguém

Mas numa rua nasci

A minha rua era a cidade

Na minha cidade cresci

E agora com mais idade

Voltei trazendo a saudade

À rua onde ainda não morri

 

As cidades são armaduras

Fatigadas e forjadas

Em línguas, mitos e ritos

Combinadas de cimento e tijolo.

 

A minha rua tinha um casario

Numa dessas casas nasci

Da casa espreitava o rio

E o rio era o meu navio

Para onde aprendi a espreitar

E só tinha os olhos no mar

 

Por isso da minha casa espreitava

Olhava através dum postigo

No dias em que vento acoitava

Tudo à frente levava

Colocando a barra em perigo

E para o navio não encalhar

Quatro vezes viravam

Duas vezes para o mar

As proas destes navios

E até o guindaste parava

Não descarregando mais nada

No cais da minha cidade

Onde muito perto morava,

De onde tudo isto espreitava

E mais por agora não vos digo

 

Da minha rua parte um caminho;

Um caminho que me conduz ao destino;

Que destino me traz o caminho;

Que me conduziu à minha rua…

 

As cidades são armaduras

Fatigadas e forjadas

Em línguas, mitos e ritos

Combinadas de cimento e tijolo.

 

(A PUBLICAR: POEMAS DE AMOR E DOR)

Meco, 26/09/2013 00:08

 

Poemas de amor e dor conteúdo da página

15.09.13

 

 

 

 

TRAÇOS

Rogério Martins Simões

 

Em cada passo que dou

Desenho escolhas, risco destinos,

Mudo os trajetos aos meus caminhos.

Tantas vezes os reescrevo,

Desalinho,

Que bom é escrever e não poupar a tinta.

 

A caneta acabará, sei lá onde.

A tinta deixará os meus traços,

Borrões nas mãos,

Manchas nos recipientes

E até os pedaços não recicláveis,

E indiferentes,

Serão como estas letras derretidas,

Lixos perenes, mas diferentes,

Que se esfriam nas pontas dos dedos

Onde os meus traços crescem…

 

Meco, 15/09/2013 16:49

Poemas de amor e dor conteúdo da página

05.09.13

 

 

 

 

Tenho a honra de divulgar esta prestigiada revista. Também partilho a motivação: A cultura não tem preço, pode e deve ter apreço. 

 

Rogério Martins Simões

 

 




Informação nº 04/Agosto/2013

 


Estimados leitores,

 

É com imenso prazer que lhes trazemos a Revista eisFluências do mês de Agosto/2013 na sua 24ª edição bimestral. Nela encontrarão os nossos melhores Prosadores e Poetas, a quem agradecemos a prestimosa e honrosa colaboração. 

E porque achamos que a Cultura “não tem preço”, continuamos a manter GRATUITOS os nossos préstimos de doação à cultura, quer através da Revista eisFluências, quer através das Colectâneas e Antologias da Fénix.  

 

 

 

 

Revista eisFluências de Agosto/2013

 

Para Ler a Revista clicar em:

 

 

 http://www.carmovasconcelos-fenix.org/revista/eisFluencias/eisFluencias_agosto_2013_3_24.htm

 

  

 

Sumário da Revista:

 

Da Direcção da eisFluências – Notícia de Falecimento do Escritor URBANO TAVARES RODRIGUES

Arnaldo Saldanha Abreu - "Domingo à Tarde" ; "Docemente num País Distante" e sua Poesia

Ary Franco - "Passeando na Floresta" e sua Poesia   

 

Carlos Lúcio Gontijo – “Literariamente a Vida" e "A Mão espalmada de Alaíde Lisboa"

 

Carlos Mongiardin Saraiva - "O Voo das Borboletas" e "O Rei dos Elefantes"

Fahed Daher - "Meditação - Do que acho que sou"

Faustino Vicente - "Distanciando as Proximidades"

Humberto Pinho da Silva - "Jean Guitton - Uma Cena Curiosa da Sua Vida"

 

Isabel Cristina Vargas – “Entrelinhas”

Jorge Cortás Sader Filho – “Tempo Cinza"

Lúcio Reis - "Escritor" - Texto e Poema

Luiz Poeta (Luiz Gilberto de Barros) – “Amigo-Irmão”

 

María Sánchez Fernández – “Tragedia en Galicia" e "Poeta Del Mundo en Rusia"

 

Mario Rezende – “O Eleitor e o Sufrágio”

 

Mírian Wartusch - "Manequin na Janela do Mappim"

Nuno Rebocho – “Cabo Verde o País com mais Festivais por Km2” e “In Memoriam de Guilherme J. Melo”

 

Silas Corrêa Leite – “Somos Todos Índios”

Urda A. Klueger - "O Homem dos Olhos de Vidro"

Vera Salbego – “Cazu- A Menina Azul ”

 

Espaço Poético:

 

António Barroso (Tiago)/Candy Saad/Carmo Vasconcelos/Cleide Canton/Eliana Ellinger/Eliane Triska/Henrique L. Ramalho/Hilda Persiani/Irene Mercedes Aguirre/Isabel Passos/Maria Tomásia/Nancy Cobo/Pedro Du Bois/ 

/Raymundo Salles Brasil/ Samuel Freitas de Oliveira/Virgínia Fulber/Zéferro

 

 

Todas as Revistas já editadas, podem ser consultadas a qualquer momento na FÉNIX, sob o link que criámos para o efeito:

 

http://www.carmovasconcelos-fenix.org/revista/eisFluencias/publicacoes.htm

 

e onde o respectivo Livro de Visitas aguarda os vossos prezados comentários. Eles são incentivadores para nós!

 

Mais uma vez, solicitamos que usem o Livro de Visitas em vez dos habituais mail’s que nos endereçam, aos quais, devido à quantidade, nem sempre podemos responder em tempo.

 

Nunca será demais repetir que ficaremos sempre gratos se cada leitor fizer a divulgação que lhe for possível no seu site ou blogue, se o tiver, ou por qualquer outro meio ao seu alcance.

 

Esperando que tenham uma agradável leitura, e gratos por estarem connosco,

As nossas Saudações Literárias!

Em nome de toda a equipa que faz a eisFluências,

 

O Director

Victor Jerónimo

(Portugal/Brasil)

 

A Directora Cultural

Carmo Vasconcelos

(Portugal)

 

O Web Designer

Henrique Lacerda Ramalho

(Portugal)

 

A Proprietária

Mercedes Pordeus

(Brasil)

 

15 de Agosto/2013

Poemas de amor e dor conteúdo da página

02.09.13

ÁGUA SALGADA

Rogério Martins Simões

 

Tenho sede...e sofro

É em vão a minha dor.

A vida acaba

Quando espero o seu começo.

Triste, já cansado,

Fatigado de andar

Busco água

No oceano da vida.

Retiro-me, procuro o mar

Mergulho…,

Afogo a minha sede de vida!

E morro...

Olhos salgados de mar.

 

11/1968

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    MEIO HOMEM INTEIRO
    Rogério Simões
     
    Meia selha de lágrimas.
    Meio copo de água
    Meia tigela de sal
    Meio homem de mágoa.
    Meio coração destroçado
    Meia dor a sofrer.
    Meio ser enganado
    Num homem inteiro a morrer.
    11/4/1975

    Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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