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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda




Rogério Martins Simões

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27.07.16

pais30anos1.jpg

 (Nesta fotografia meu pai, minha prima e minha mãe)

AFASTAMENTO

 

O poema de hoje, AFASTAMENTO, foi escrito em 1974 quando nem sequer imaginava que um dia teria de colocar os meus pais num lar: No lar da Santa Casa da Misericórdia da Pampilhosa da Serra.

Entre as preocupações que me levaram a tomar esta dura decisão, mesmo com a anuência dos meus pais, estão os seguintes factos:

1º Desde Abril de 2016 meu pai, com 94 anos de idade, deu entrada na urgência do hospital de S. José por três vezes; No dia 1 de Abril foi-lhe diagnosticado a possível existência de um tumor no pâncreas que, até à data, não se confirmou;

2º Neste período esteve internado por 3 vezes num hospital de Lisboa com um quadro clínico grave;

3º Também minha mãe, com 91 anos de idade, nesse mesmo período de tempo, deu entrada pela mesma urgência com problemas respiratórios graves, um enfarte, e na última das vez esteve em coma quase 24horas. Para minha felicidade depois de tanto a acarinhar e lhe segredar ao ouvido, acordou… - Olha o meu querido filho Rogério!

4.º Entretanto, numa reunião, foi-me entregue um documento onde constava que meu pai seria admitido numa Unidade da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, Unidade de média duração e reabilitação.

Pedi para ler o que ali estava escrito e recusei assinar em nome do meu pai tendo abandonado a reunião.

Essa recusa não era mera birra, era uma questão de direitos e liberdades dos doentes descritos no próprio impresso que li, tendo chamado a atenção para que fosse meu pai a decidir.

Recordei que meu pai detém todas as suas capacidades intelectuais e que nunca foi chamado para tomar qualquer posição sobre este seu assunto.

5.º Entretanto a minha mãe ficou à espera de ser integrada numa Unidade da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, Unidade de longa duração e manutenção.

6.º Depois de lhes terem dado alta hospitalar vieram para a sua casa. Doentes e acamados, os dois, regressaram a um velho prédio que nem sequer tem elevador. Para uma velha casa sem um mínimo de qualidade onde todo o apoio era insuficiente e deficiente.

 

Foi assim que meu pai regressou à terra que o viu nascer, bem perto da aldeia de minha mãe – A Malhada – Colmeal.

 

Já no Lar da Santa Casa da Pampilhosa da Serra, constatei que existe ali muita humanidade, e muita doação, independentemente da qualidade e do profissionalismo dos seus mais de 40 trabalhadores.

Meus pais foram colocados no mesmo quarto e eu estava muito feliz com isso.

Entretanto chegou ao meu conhecimento que a minha mãe seria transferida para a Unidade de Longa Duração, ali perto, colocando em risco o seu Lugar no Lar bem como a alteração de comportamento de meu pai.

 

A minha maior tristeza foi por ter cedido… à colocação da minha mãe nos cuidados de saúde continuados de longa duração – seis meses - tendo desta forma contribuído para os separar. Meus pais não queriam ficar separados, viveram mais de 69 anos juntos e só a morte os poderia afastar.

 

Vou concluir. O que passámos nestes últimos 3 meses é inarrável, dói! Dói muito.

No meu caso e por muito mais que o faça, nunca conseguirei pagar o que os meus pais fizeram por mim. Mas foram tantos aqueles a quem meus pais abriram as suas portas, e cedido a própria cama, que chega a ser triste que nem uma só visita lhes faça.

 

E eu que ouvi e vi meu pai chorar, quando pela 3ª vez os fui ver à Pampilhosa da Serra, também chorei.

 

Lisboa, 27/07/2016 02:00:01

 

 

 

AFASTAMENTO

Rogério Martins Simões

 

Separaram nossos corpos, mulher,

Na idade em que preciso de ti!

 

Cresceram os nossos filhos

Cresceram, levou-os o vento,

Agora estamos sós:

Velhos do nosso tempo.

 

Apartaram nossas vidas

Em lares da terceira idade

Vivemos a longa distância

Indiferentes, por caridade…

 

Pareço namorar-te

Agora que bem te conheço.

Tenho-te no pensamento,

Longe de ti, não te esqueço.

 

 

Separaram nossos corpos, mulher,

Espero todos os dias por ti!

 

Se ao menos viesse o dia

Da nossa partida final,

Haveria mais alegria

No nosso amor imortal.

 

Juntos na mesma terra...

Tu e eu a recordar…

Os tempos em que lá na serra

Começámos a namorar.

 

Juntaram nossos corpos, mulher,

Às alfaces verdejantes…

 

10/1974

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08.07.16

 

 

Minha mãe mandou-me à Vila

José Augusto Simões

 

Minha mãe mandou-me à Vila,

Enganei-me no caminho,

Quando dei pelo engano,

Já estava em Moninho.

 

Quando eu ia a chegar

Havia festa e arraial.

Segui por outros caminhos.

Fiz encontro no Sobral.

 

Quando estava no Sobral,

Tudo mudou de feições,

Segui por um reles caminho,

Fiz paragem nos Covões.

 

Estando eu nos Covões,

Logo mudei as ideias,

Atravessei o rio Unhais,

Assim, cheguei às Aldeias.

 

À saída das Aldeias

Tomei outra direcção:

Caminhei mais uma hora,

Estava no Vale Serrão

 

Saindo do Vale Serrão

Vi que não tinha sapatos.

Caminhei mais dois quilómetros,

Assim cheguei aos Lobatos.

 

Quando saí dos Lobatos,

Avistei uma serra airosa,

Desci o Cabeço da Urra,

Estava na Pampilhosa.

 

Ao chegar à Pampilhosa,

Armado em papo-seco…

Em vez de seguir prà Póvoa

Fui parar a Pescanseco.

 

Pescanseco terra amiga,

Aí acabou a caminhada:

Comecei a andar à pressa,

A noite estava chegada.

 

Acordei, passou o sonho,

Estava tudo bem certinho:

Não fui a terra nenhuma!

Nem sequer fui a Moninho.

 

Lisboa, 16 de Julho de 2009

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    MEIO HOMEM INTEIRO
    Rogério Simões
     
    Meia selha de lágrimas.
    Meio copo de água
    Meia tigela de sal
    Meio homem de mágoa.
    Meio coração destroçado
    Meia dor a sofrer.
    Meio ser enganado
    Num homem inteiro a morrer.
    11/4/1975

    Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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