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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

POEMAS DE AMOR E DOR

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O FADO...

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O FADO
Rogério Martins Simões

Quem da vida se não farte, e esperto,

Acerta a arrogância e a postura;

Pois dote de orador terá o decerto,

Cavaleiro de tão triste figura…

 

Que sendo pior que burro e burro certo,

Têm na melosa voz fatal falsura,

Para assim esgrimir demais o incerto:

A eito e a preceito na tal conjuntura…

 

Nesta tão pouca sorte e má contenda,

Há um povo que parte na triste senda,

Sem ter destino ou sorte, e esmorece.

 

Assim se vejo aqui o próprio demérito

No presente de tal e qual pretérito:

É fado! “Malhas que este Império tece”!

 

Meco, 20/09/2013 01:20:17

(Simões, Rogério, in “GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO”,

(Chiado Editora, Lisboa, 1ª edição, 2014)

ISBN 978 989 51 1233 3) (Página 141)

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HORAS LONGÍNQUAS

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HORAS LONGÍNQUAS

Rogério Martins Simões

 

Regresso à Aldeia das horas longínquas.

Das hortas vivas, das casas cheias,

E fico atento aos sinais de vida:

No chiar de um carro de bois;

Nos chocalhos de um rebanho;

Nos contos à lareira, de lobos e papões.

 

Depois…O galo cantava e a vida recomeçava.

Havia sempre um molho de mato para roçar,

Ou uma leira para matar a sede.

- Bom dia senhora Maria

- Bom dia Ti Manel

 

Lado a lado com o presente,

O passado é a distância que me separa da aldeia

E que me introduz nas sombras.

Ainda sinto os cheiros da aldeia e o calor do verão.

Ainda recordo a fonte velha e a sua água refrescante;

O Cântaro na cantareira da casa da Eira.

A panela de ferro, a trempe e a caçoila em cobre,

O borralho e a braseira.

Ah! Como me sentia e era feliz.

Por isso estou de regresso

À Aldeia das horas longínquas.

Madruguei e ninguém me apanha.

Já deixei para trás o castelo que fica no alto da aldeia.

Castelo de sonhos? Cada povo tem o seu…

Estou a caminho da Feteira.

Vou provar os figos, e os abrunhos,

Os cachos, as ginjas e as maças.

E os morangos que crescem nas paredes das hortas.

Como leem estou marcado.

Sou um poço de saudade!

Por isso regresso à aldeia dos meus avós.

À aldeia dos afetos e das minhas recordações.

Ali vivi em liberdade

Ali consolidei a minha formação

Ali aditei valores à minha vida.

Aquela gente ensinou-me a dar e a receber.

A repartir e a não estragar o pouco que tinham.

Aquela gente boa ensinou-me a amar.

Convidem-me para provar as filhoses.

A sopa de feijão atulhada com couves e faceira do porco.

O lombo conservado em banha na panela de barro.

E se tiver frio e as casas cheias dormirei no palheiro,

Ou no sobrado por cima do curral das cabras!

 

Não! Não quero despertar o sonho

O despertar é um coice de mula que me deixa atordoado.

Agora tenho de ir!

Não posso, nem devo, fazer esperar o povo.

O povo não parte sem mim,

Nem eu parto sem o povo!

Vamos todos como os da Póvoa!

 

Meco, 31/05/2017 17:18:00 8/02/2019

(Pequena homenagem ao povo de uma aldeia, a aldeia do meu pai e dos meus avós paternos, a Póvoa, Pampilhosa da Serra, que por ter sido tão unida ainda tem um lema VAMOS TODOS COMO OS DA PÓVOA)

 

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NASCI EM JULHO NUM DIA DE SOL

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NASCI EM JULHO, NUM DIA DE SOL.

Rogério Martins Simões

 

Às vezes eu sou uma ave planando ao vento;

Outras vezes rujo forte como um leão.

Hoje não, estou fatigado, cansado de pensar.

O meu pensamento arrasta-me,

Para o edifício azul da montanha,

Onde solto estas minhas mãos pesadas.

Sempre que estou assim, fico parado no tempo

À espera da rotatividade da sorte:

Da esperança, de tudo ou do nada...

Nasci em julho, num dia de sol.

 

O tempo passa depressa,

Assim não pensava quando era menino.

Mas pensava,

E o meu pensamento arrastava-me

Para o patamar do edifício azul.

No alto da montanha:

- O nosso filho está com a lua!

(Dizia minha mãe)

A lua tomava conta dos meus sonhos,

Estava longe e o sol beijava-me.

Por que razão

Deixamos para trás o que está perto,

E só nos realizamos tendo tudo?

Contudo, desprezamos

Ou nem se dá conta do que está certo:

Certo é ter juntado hoje os cinco aos sete

Um ano de cada vez!

Cinquenta e sete

Em cinco do sete…

05/07/1949                         5/07/2006

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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