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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda




Rogério Martins Simões

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31.03.19

avo1925.jpg

HAVIA UMA SOMBRA

Rogério Martins Simões

 

Havia uma sombra,

Que aos pés da minha cama,

Todas as noites desafinava,

- Dó, ré, mi, fá, sol.

Talvez fosse uma criança

Que sem piano.

Tão triste chorava.

- Lá si dó

Ou uma jovem promessa,

Que por ali ficou sem esperança,

Que voejou tão depressa,

E todas as noites a escutava.

- Dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó.

 

Partiu o piano e ficou uma guitarra

Onde está o piano

E o pianista que não via

Que para o não ver

A minha cabeça tapava

Ouviram-se os acordes duma guitarra

Que desgarrada sozinha trinava.

Tocava e ninguém via.

Eu vi um velho tão velho

Que no corredor se desenhava

E tocava!

E quando pelo longo corredor o medo levava.

Senti uma mão fria que me afagava

Gritei! Chorei, corri e cheio de medo

E na cama dos meus pais me fui escudar

Minha mãe sobre o que vi me perguntava,

Meu pai apenas rezava…

 

Não mais eu ouvi aquela guitarra

Mas o medo mexia comigo

Quando pelo escuro corredor correndo passava…

Recordava que foi ali que tão cedo aprendi a ouvir e a rezar

Meco, 01/08/2017 00:29

 

Ao meu querido avô paterno, António Antunes Simões.

Nasceu em 1881 na Pampilhosa da Serra – Aldeia Velha – casou na Póvoa e migrou para Lisboa em 1897.

Trabalhou como estivador e era um exímio tocador de guitarra.

Do pouco que sei do meu avô, dizia meu pai, que terá ensinado o Armandinho a tocar guitarra. Na verdade em investigação posterior constatei que o meu avô viveu no Pátio do Quintalinho quando o Armandinho tinha 5 anos de idade. Foi sócio da Juventude Monárquica Conservadora para poder tocar guitarra, tendo falecido na Póvoa em 1934.

Do seu neto: Rogério Martins Simões

Poemas de amor e dor conteúdo da página

29.03.19

Blur of businessman throwing briefcase.jpg

CANTO O IMPREVISTO

(Rogério Martins Simões)

 

Canto o imprevisto

O que se espera e não espera

Canto o que conto, e não conto:

Tenho andado em viagem

Sem tempo.

Acordo cansado,

Deito-me cedo

Cedo ao meu corpo fatigado

E neste tormento

Sem razão aparente,

Neste aparente cansaço:

Não sei por onde ando.

Ando por aí

Em busca de qualquer coisa

Que nem sei onde está.

 

Olho a televisão

Nada vejo que me encontre.

Olho as molduras

Leio os rostos que conheço,

Amo os que não esqueço.

Daria tudo

Por uma forte gargalhada,

Sonora, repetitiva:

Rindo, rindo, sem parar.

E neste meu silêncio, em que me silencio

Quero rir para não chorar.

04-03-2005

(Para um suposto 3º livro)

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    MEIO HOMEM INTEIRO
    Rogério Simões
     
    Meia selha de lágrimas.
    Meio copo de água
    Meia tigela de sal
    Meio homem de mágoa.
    Meio coração destroçado
    Meia dor a sofrer.
    Meio ser enganado
    Num homem inteiro a morrer.
    11/4/1975

    Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

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