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POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

Pai parabéns

(Foto da autoria do Sr. Padre Pedro)

 

Pai parabéns!

Hoje, 20 de Maio de 2006, quis Deus que fosse o seu aniversário, e que aniversário meu Deus: 84 lúcidos anos!

Eu sei que no seu bilhete de identidade consta ter nascido a 19 de Maio de 1922. Mas a data está errada!

Pai, há tantas coisas erradas nos registos!

Se eu procurasse no Registo pela data do seu nascimento havia de ser o bonito.

E se eu insistisse, que o pai nasceu no dia 20 em vez do dia 19, chamar-me-iam teimoso ou louco varrido.

É por isso que há por aí tantos loucos, encarcerados na sua sadia loucura, e se verdades dizem não passam de uns insanos.

Às vezes penso: se existem certos actos ditos de loucura, encarados e vistos como tal, eles têm como sublime vantagem de se concretizarem nos sonhos.

Não foram loucos os Santos, e tantas pessoas nobres que se despiram para oferecerem os trajes aos pobres!

Não são loucos os sonhadores de um mundo melhor, os que oferecem toda uma vida a uma causa maior!

Foi loucura viajar no espaço da incerteza e aterrar no império do esplendor como o fez São Francisco de Assis!

Eu sei que sou um sonhador: nem sempre sou o que pareço! E se pareço ser o que não sou, sou aquilo que bem conheço.

Dizia Pessoa que ser poeta é ser fingidor!

 

- Mas eu não finjo, obrigam-me a fingir!

- Eu não morro, obrigam-me a morrer!

- Eu não sofro, obrigam-me a sofrer!

 

E se sofrer tanta dor não compensa, ser solidário recompensa exigindo que a vida seja melhor onde a ela exista e aconteça.

Pai! Estas palavras são hoje inteiramente para si apesar de me ter perdido em deambulações.

Quando comecei a escrever, sem ter a menor ideia do que lhe iria dizer, sobravam-me as palavras. Agora, faltam-me as palavras que às vezes tanto me sobram.

Mas tenho tantas palavras para si, meu pai!

Ainda há pouco, enquanto conduzia, latejavam-me os sentimentos e tinha na cabeça searas de pensamentos deambulando em movimentos.

- Brotavam-me tantas emoções!

- Tantas lembranças!

- Tantas recordações!

Sabe, meu pai, herdei de si esta enorme fortuna que agora sei que desprezam: O sentido da honra; a sensibilidade; a humildade e acima de tudo a honestidade e se rico não fico, com esta tamanha riqueza, é porque me vejo aflito, quando aflito eu fico, para ajudar os seus netos.

Pai parabéns! Porque hoje completa 84 anos.

Como vê, desta vez, não me esqueci, se alguma vez esquecer o esqueci.

Que filho poderá esquecer um ser tão precioso como o pai!?

Recorda-se, meu pai, de nos declamar tanta poesia!?

Tantos poetas! Como este poema de dia de anos (ou desenganos), de João de Deus, que o pai recita quase sempre em seus anos:

 

DIA DE ANOS

(João de Deus)

 

Com que então caiu na asneira

de fazer na quinta-feira

vinte e seis anos! Que tolo!

Ainda se os desfizesse...

Mas fazê-los não parece

de quem tem muito miolo!

Não sei quem foi que me disse

que fez a mesma tolice,

aqui o ano passado...

Agora, o que vem, aposto,

como lhe tomou o gosto,

que faz o mesmo. Coitado!

Não faça tal; porque os anos

que nos trazem? Desenganos

que fazem a gente velho;

faça outra coisa; que, em suma,

não fazer coisa nenhuma,

também lhe não aconselho.

Mas anos, não caia nessa!

Olhe que a gente começa

às vezes por brincadeira,

mas depois, se se habitua,

já não tem vontade sua,

e fá-los, queira ou não queira!

 

Como sei que continua a gostar de poesia, transcrevo o meu poema Memórias” que lhe dediquei há uns anos:

 

Memórias

(Rogério Simões)

 

Voo nas memórias de meu pai!

Que conta sem conto,

Os contos da nossa aldeia.

Era menino!

E certa noite ao luar,

Minha avó,

De nome Maria,

Ensinava meu pai a contar.

 

Pairo nas memórias de meu pai!

Que conta sem conto,

Os contos da nossa aldeia.

Era menino!

E todos os dias ao jantar

Contava para mim,

Histórias de fantasia e de encantar:

 

Irmãos éramos três,

Nazaré, Laura e José.

Minha mãe a todos nos fez

De força, coragem e muita fé!

 

Recupero aqui

As memórias de meu pai

Que hoje conto

Porque me encanta!

Era uma vez, na nossa aldeia,

Na Póvoa ao fundo do lugar,

Minha avó que era uma santa,

Ensinava meu a pai a rezar.

 

Ave-maria.

 

Acabo como comecei se acabar eu queria:

Faltam-me as palavras sobra-me a poesia.

 

Mil beijos deste seu filho,

Rogério Martins Simões

Poemas de amor e dor conteúdo da página

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MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

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