Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

POEMAS DE AMOR E DOR

Livro de poesia GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO Editado pela CHIADO EDITORA Poeta: Rogério Martins Simões Blog no Sapo desde 6 de Março de 2004 Livro de poesia POEMAS DE AMOR E DOR (Chiado books) já à venda

Debaixo das árvores

 

(Foto cedida pelo Sr. Padre Pedro)

Debaixo das árvores

 

À sombra de grandes árvores

Na rua, jogando a bola por vez,

Brincando pendurado nos carros,

Um menino homem se fez!

2005

 

Eram os meus primeiros passos, em linha angular, nesses tempos de sete anos.

As casas eram pequenas. Todos se amontoavam -dormia-se por turnos e não sobravam os espaços

As ruas, que conduziam à feira-da-ladra, eram "povoadas" de vendedores ambulantes que ganhavam a vida num tropel de "quatro patas".

Havia fava-rica a cinco tostões! E ouvia minha mãe dizer que tinham cabelos - pois não as podia comprar...

Nas pedras da calçada, redondas sem alcatrão, havia burricadas e os garotos da minha idade jogavam à bola, com bolas feitas de trapos.

Como ansiava e esperei por uma bola a sério! Como a dos jogadores e, quando tinha algum tostão, comprava rebuçados enrolados em cromos à espera que me saísse do jogador mais "custoso".

Certo dia meu pai jogou de uma só vez e saiu-lhe o boneco que dava direito à bola. Aí pensei. O dinheiro compra tudo!?

 

Os ponteiros dos relógios fazem corridas de horas, minutos e segundos!

Na minha rua havia garotos com horas a brilharem ao sol!

Na minha cabeça, fantasia de sete anos, abriam-se espaços ocos com imagens sucessivas de relógios com correias de nylon coloridas.

Conheci os meus novos companheiros de aventura e por estranho que pareça já os adivinhava há muito! Filhos de mães trabalhadoras que aliviavam os braços deixando os meninos entregues ao destino.

Os seus rostos eram iguais a tantos meninos: Viviam e cresciam na rua: jogavam a bola, partiam os vidros, fugiam da polícia pendurados nos eléctricos e nos autocarros.

Era o começo de uma geração desprovida de laços.

 

-Ó pá! O que andas aqui a fazer?

Perguntou-me o "Zarolho" quando me viu pela primeira vez, como menino, levado para a escola pelo braço de minha mãe.

Encolhi os ombros! Era o indício da minha geração, pois, no queimar dos anos, vi muitos a "encolherem os ombros"

- Sabes?! Isto aqui é da "malta"

Fez-se silêncio - de um vazio contínuo e assustador.

- Para seres dos nossos - e eu sou o chefe, é preciso que lutes comigo!

E lutei!

Nesse dia um menino de sua mãe chegou a casa - com as calças rotas e sujas.

- Rogério, que fizeste às calças que estreaste?

- O teu pai, logo, vai bater-te! (Ameaçava minha mãe dando-me um tabefe).

Chegou a noite!

O meu pai chamou a si a difícil tarefa de um pai trabalhador.

Chorei! Aqui começaram as minhas primeiras lágrimas, unidas, lado a lado com a minha primeira aventura.

Rogério Simões

1974

Poemas de amor e dor conteúdo da página

amrosaorvalho.gif

MEIO HOMEM INTEIRO
Rogério Simões
 
Meia selha de lágrimas.
Meio copo de água
Meia tigela de sal
Meio homem de mágoa.
Meio coração destroçado
Meia dor a sofrer.
Meio ser enganado
Num homem inteiro a morrer.
11/4/1975

Todos os poemas deste blog, assinados com pseudónimo de ROMASI ou Rogério Martins Simões, estão devidamente protegidos pelos direitos de autor e registados na Inspecção-Geral das Actividades Culturais IGAC - Palácio Foz- Praça dos Restauradores em Lisboa. (Processo 2079/2009). Se apreciou algum destes poemas e deseje colocar em blog para fins não comerciais deverá colocar o poema completo, indicando a fonte. Obrigado

Copyright © 2017. Todos os direitos reservados. All rights reserved © DIREITOS DE AUTOR

3 comentários

Comentar post

Em destaque no SAPO Blogs
pub